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Correio Braziliense

Presidente critica desfile da Mangueira; enredo abordava religião

Citando especificamente o desfile da Mangueira, ele disse nesta terça-feira (25/2) que a escola carioca quis atingi-lo propositalmente


postado em 26/02/2020 06:00

(foto: AFP / Sergio LIMA)
(foto: AFP / Sergio LIMA)
Em um carnaval tomado pela crítica das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo ao governo e ao presidente, Jair Bolsonaro rompeu o silêncio sobre os protestos nas avenidas da Marquês de Sapucaí (RJ) e do Anhembi (SP), e se mostrou incomodado com os enredos escolhido por algumas agremiações.

Citando especificamente o desfile da Mangueira, ele disse nesta terça-feira (25/2) que a escola carioca quis atingi-lo propositalmente. Ao desfilar, no último domingo, a agremiação levou o samba intitulado “A Verdade Vos Fará Livre”, que é uma das citações bíblicas favoritas de Bolsonaro, inspirada no evangelho de João. Durante a música, o presidente é criticado pela sua política armamentista.

“Vamos ver a reação do povo aí. Um dia vou ter alguma vaia também, né? E a imprensa vai divulgar (risos). A Folha de S.Paulo, hoje, foi buscar uma imagem no carnaval do Rio, uma imagem de uma escola de samba desacatando as religiões, né? Cristo levando uma batida de policial. Faz uma vinculação comigo. Estão buscando uma imagem no Rio para me atingir”, afirmou Bolsonaro a apoiadores que o abordaram em Praia Grande (SP).

A insatisfação do presidente ecoou no alto escalão do governo federal. Ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos foi mais um que desaprovou o enredo da Mangueira, especialmente pela forma como Jesus Cristo foi retratado pela agremiação.

“Sou defensor da liberdade de expressão, valor importante na democracia! Mas, como cristão, não creio ser razoável usar a figura de Jesus, filho de Deus, da forma que a escola de samba Mangueira fez!”, escreveu o ministro, na sua conta oficial do Twitter.

Mesmo longe do Brasil, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, também entrou na discussão. Uma das representantes brasileiras na 43ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, ela não poupou palavras para atacar o carnaval. “Fica aqui nosso manifesto, quando, em nome da arte, em nome da liberdade de expressão estamos vendo objetos de culto da fé cristã sendo de uma forma vil ridicularizados no Brasil”, protestou.

Bonecos de Olinda

Se, por um lado, Bolsonaro criticou o “ataque” das escolas de samba, por outro, ele agradeceu ao “apoio” dado por foliões de Olinda (PE), que levaram às ruas no último domingo bonecos gigantes dele, do vice-presidente Hamilton Mourão e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para comemorar a folia.

“Obrigado pela consideração, Olinda-PE!”, escreveu o presidente, no Twitter. Ele também compartilhou a publicação de uma página bolsonarista intitulada Pau de Arara Opressor, que disse: “Presidente Bolsonaro e seus ministros são aplaudidos em alegoria de bonecos gigantes em Pernambuco no maior bloco do mundo”.

Mas, segundo relatos nas redes sociais de pessoas que compareceram ao desfile dos bonecos, houve quem vaiasse e xingasse as figuras de Bolsonaro e dos demais integrantes do governo federal.

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