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Correio Braziliense

Bolsonaro nega envio de vídeo sobre ato no próximo dia 15; jornalista diz que ele mente

Segundo Bolsonaro, vídeo divulgado diz respeito a manifestações chamadas em 2015. Jornalista Vera Magalhães mostra prints no Twitter diz ser "perigoso a um presidente mentir em rede nacional"


postado em 27/02/2020 21:29 / atualizado em 27/02/2020 21:37

Bolsonaro, durante live em negou envio de vídeo chamando para ato no próximo 15 de março(foto: Facebook/Reprodução)
Bolsonaro, durante live em negou envio de vídeo chamando para ato no próximo 15 de março (foto: Facebook/Reprodução)
O presidente Jair Bolsonaro negou, nesta quinta-feira (27/2), durante transmissão ao vivo em sua página no Facebook, que tenha compartilhado pelo WhatsApp vídeo que convoca a população para manifestação no próximo dia 15. Pouco depois da live feita pelo presidente, a jornalista Vera Magalhães, responsável pela notícia que Bolsonaro buscou desmentir, afirmou, pelo Twitter, achar "perigoso a um presidente mentir em rede nacional".

A declaração de Bolsonaro e a resposta de Magalhães dizem respeito a uma informação divulgada pela jornalista na última terça-feira (25/2). Segundo ela, o presidente transmitiu, naquele dia, para contatos no WhatsApp, um vídeo chamando para a manifestação em seu apoio e "contra os inimigos da nação".

"O presidente Jair Bolsonaro está disparando de seu celular pessoal um vídeo em tom dramático que mostra a facada que sofreu em 2018 em Juiz de Fora para dizer que ele "quase morreu" para defender o País e agora precisa que as pessoas vão às ruas no dia 15 de março para defendê-lo. O ato do dia 15 está sendo convocado por movimentos de direita em defesa do governo e contra o Congresso Nacional", escreveu a jornalista.

Em seguida, ela informava que, ao compartilhar o vídeo, Bolsonaro escreveu a seguinte mensagem: 

"- 15 de março.

- Gen Heleno/Cap Bolsonaro

- O Brasil é nosso,

- Não dos políticos de sempre."

Na live desta quinta-feira, Bolsonaro disse que compartilhou um vídeo, mas de uma manifestação ocorrida em 2015. "A Vera Magalhães teria — olha só, Vera, como eu sou legal contigo, você teria recebido um vídeo, eu pedindo, sim, o apoio para manifestação de 15 de março de... 2015! Então, esse vídeo deve tá rodando por aí, vou botar no meu Facebook daqui a pouco, é um vídeo que eu peço o comparecimento na manifestação de 15 de março de 2015, que, por coincidência, foi num domingo. E daí, pelo que parece, Vera Magalhães, você pegou esse vídeo, não posso afirmar que seja essa a história realmente, (porque) não sou da tua laia, então, em cima disso você fez a matéria que eu taria disparando WhatsApp pedindo apoio para o movimento do dia 15 de março agora (leia toda a fala do presidente abaixo e assista no vídeo, a partir dos 13 minutos).

Terminada a transmissão, a jornalista se manifestou pelo Twitter e postou prints do WhatsApp de Bolsonaro. "Aqui está o print que publiquei dos DOIS vídeos que o senhor enviou a seus contatos no WhatsApp neste feriado, e não em 2015. Veja que tem seu passeio de moto no Guarujá, depois seu texto, e os dois vídeos, presidente. Eles falam da facada que o senhor sofreu, que foi em 2018, e de sua eleição, também em 2018. Como podem ser de 2015?", questionou. "Portanto aqui está a minha vergonha na cara. O senhor foi aconselhado a fazer essa live nesses termos? Acho perigoso a um presidente mentir em rede nacional. Acrescenta mais uma à sua lista de condutas impróprias. Um abraço", acrescentou.



Leia o que disse o presidente Bolsonaro:

"Praticamente toda a mídia (afirmou que) eu disparei trilhões de zap pedindo o apoio de todos à manifestação de 15 de março. O que eu mandei para poucas pessoas do meu círculo de amizade; eu mando sem filtro. São ministros, algumas personalidades, talvez não passe de 50, 60 (pessoas).  

E a Vera Magalhães teria, olha só, Vera, como eu sou legal contigo, você teria recebido um vídeo, eu pedindo, sim, o apoio para manifestação de 15 de março de... 2015! Então, esse vídeo deve tá rodando por aí, vou botar no meu Facebook daqui a pouco, é um vídeo que eu peço o comparecimento na manifestação de 15 de março de 2015, que, por coincidência, foi num domingo. E daí, pelo que parece, Vera Magalhães, você pegou esse vídeo, não posso afirmar que seja essa a história realmente, (porque) não sou da tua laia, então, em cima disso você fez a matéria que eu taria disparando WhatsApp pedindo apoio para o movimento do dia 15 de março agora.

Depois, como ela não conseguiu, viu que tinha feito besteira, porque o vídeo é de cinco anos atrás, começou a ligar para algumas pessoas para saber se eu tinha mandado záp ou não. E uma pessoa teria confirmado que eu mandei um zap. Agora, esse vídeo ela não mostra. 

Mostra o vídeo, vê se eu estou lá atacando o Parlamento brasileiro, atacando o Poder Judiciário, atacando quem quer que seja. Veja. Ela não mostra isso ái. Ela printou o vídeo; essa pessoa que passou pra ela... ela printou o vídeo, não mostrou o vídeo em si. Até o vídeo que tá no print dela não tem nada a ver. É um vídeo que fala um pouco da minha vida, da facada, da campanha, nada mais além disso. 

Agora, com toda certeza, repito, não posso afirmar com toda certeza. Ela queria dar um furo de reportagem com aquele vídeo convocando o pessoal para 15 de março, domingo, mas ela, no seu afã de dar um furo jornalístico rapidamente, ela esqueceu de ver a data que era 2015, se bem que dava pra ver pela minha fisionomia, eu estava mais jovem.

Agora, mais um trabalho porco, que a mídia toda repercutiu. (...)

Por não gastar dinheiro com essa mídia podre que nós temos, sofremos ataques. (...)

Não vou mudar. Não estou atacando a mídia brasileira. Vocês são importantes quando vendem a verdade"


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