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Brasil e EUA fecham acordo

Cooperação vinha sendo alinhavada desde 2017, ainda no governo Temer, e foi acertado depois da visita de Bolsonaro à base americana

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 09/03/2020 04:33
Bolsonaro foi recebido pelo almirante Craig Feller, que o ciceroneou na visita às instalações do Comando Militar . Parceria foi fechado ao final


Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump assinaram, ontem, em Miami, o Acordo de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (RDT) militar, o principal resultado da viagem aos Estados Unidos e que pode dar ao Brasil acesso a um fundo de financiamento para desenvolvimento de tecnologia de defesa que chega a US$ 100 bilhões. Mas, para o acesso ao fundo ser sacramentado, o acordo necessita ser ratificado pelo Congresso dos dois países.

O acordo foi fechado durante visita de Bolsonaro ao Comando Militar do Sul, a unidade das Forças Armadas americanas responsável pela cooperação e segurança das operações militares nos países das Américas Central e do Sul. Essa foi a primeira vez que um presidente brasileiro visitou o complexo militar.

De acordo com o Ministério da Defesa, o objetivo do acordo é abrir caminho para que os dois governos desenvolvam projetos conjuntos, alinhados com o interesse de ambos países. Isso permitirá aperfeiçoar ou desenvolver novas tecnologias militares e civis.

O documento foi assinado por Bolsonaro, pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Brasil, tenente-brigadeiro Raul Botelho, e pelo comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, almirante de Esquadra Craig Feller. Os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; de Minas e Energia, Bento Albuquerque; e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, também participaram da cerimônia.

;O acordo poderá ampliar o acesso ao mercado americano, bem como a formalização de outros pactos no setor, reduzindo processos burocráticos no comércio de produtos do segmento entre Brasil e EUA;, informou um trecho da nota do Ministério da Defesa.

Ainda segundo a pasta, a classificação do Brasil como um aliado preferencial extra Otan (Oprganização do Tratado do Atlântico Norte) foi um passo fundamental para viabilizar o acordo. ;Além de ampliar a penetração brasileira no mercado dos EUA, o acordo poderá facilitar a entrada de produtos brasileiros em outros 28 países membros da Otan;, prosseguiu a nota.

Desde 2017
A combinação entre os dois países começou a ser negociada em 2017, no governo Michel Temer, e as tratativas saíram do papel depois da designação do Brasil como um aliado preferencial fora da Otan. A classificação foi anunciada pelos EUA em março do ano passado, no âmbito da visita de Bolsonaro ao presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca.

;Assinamos um acordo histórico, que abrirá caminho para compartilhamento ainda maior de experiências e informações;, afirmou o almirante Faller, da Marinha dos EUA. ;Trabalhamos muito próximos das nossas nações aliadas;.

O Brasil é o primeiro país da América Latina a integrar o acordo. ;Assinamos mais um acordo inédito com os EUA, que poucos países têm;, afirmou o ministro da Defesa do Brasil, Fernando de Azevedo e Silva. O país é ainda o primeiro do Hemisfério Sul a entrar para o clube de parceiros americanos, que inclui França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Índia, Suécia, Estônia, Finlândia, Noruega e Coreia do Sul.

Atualmente, o setor da indústria de Defesa no Brasil ;; estatal e privado ;; mantém 250 mil empregos diretos e indiretos, em áreas que vão desde fabricação de munição até a construção de mísseis e foguetes. Com o acordo, a indústria brasileira se candidataria a fazer parte dos fornecedores de armas e sistemas não só para os americanos, mas também para seus aliados.

O acordo assinado pelo Brasil com os EUA não envolve financiamento de projetos ou de aquisição de produtos. Para tanto, seria necessário que os dois países fechassem outro tipo de acordo, o RDT. Esta ampliação está em discussão entre os dois governos e pode ser o próximo passo para as relações militares entre os dois países.

Neste ano, o Orçamento do governo federal blinda os gastos do Ministério da Defesa, impedindo que o governo possa contingenciar investimentos do setor. Para oficiais generais, a medida garante segurança aos produtores e aos fornecedores, pois os projetos da área são complexos e seus produtos não estão disponíveis nas prateleiras. Em dezembro, o governo Bolsonaro destinou R$ 7 bilhões para a Emgepron, para a produção de quatro fragatas. Os militares realçam ainda a importância desses investimentos para o desenvolvimento de tecnologias novas, muitas das quais mais tarde são usadas no mundo civil.


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