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Coronavírus: caixa amplia oferta de capital de giro para blindar empresas

A oferta de capital de giro deste ano será para tentar ajudar as empresas brasileiras a lidarem com a ameaça de desaceleração que a pandemia de coronavírus vem impondo à economia mundial

Marina Barbosa
postado em 12/03/2020 13:03
Presidente da Caixa, Pedro Duarte GuimarãesA Caixa Econômica Federal (CEF) vai ampliar em R$ 50 bilhões a oferta de capital de giro deste ano para tentar ajudar as empresas brasileiras a lidarem com a ameaça de desaceleração que a pandemia de coronavírus vem impondo à economia mundial. A medida eleva, portanto, para R$ 150 bilhões a oferta desta linha de crédito e foi anunciada pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, nesta quinta-feira (12).

"Não vai ser por falta de capital de giro que o Brasil vai ter problema", garantiu Pedro Guimarães. Ele frisou, por sua vez, que o aumento da oferta é uma medida preventiva, porque a Caixa Econômica Federal, apesar do pânico que se instalou no mercado financeiro, ainda não vê impactos do coronavírus na economia real brasileira, nem no seu balanço de resultados.

"O que vai ampliar é capital de giro, porque o que temos hoje é crise de confiança. Como é uma crise de confiança, nosso grande ponto é prover liquidez. [...] Se secar a fonte de capital de giro, estrangula a empresa. Então temos que oferecer capital de giro num momento em que ninguém está oferecendo", afirmou Guimarães, que, por conta desse entendimento, ainda não prevê reduções de juros na Caixa.

Guimarães destacou ainda que esse capital de giro é voltado para as empresas que estão no foco da Caixa e, por isso, não será oferecido para todas as grandes empresas. Ou seja, é voltado para as micro, pequenas e médias empresas de qualquer segmento e para as grandes empresas que sejam ligadas às áreas de imobiliária e infraestutura.

Os agricultores e as pessoas físicas também estão no radar da Caixa, mas serão atendidos pelo crédito rural e pelo crédito consignado ou crédito imobiliário. Guimarães garante, por sinal, garante que esses segmentos seguem crescendo na Caixa Econômica Federal neste início de ano, mesmo com o coronavírus. "Infraestrutura e habitação também continuam muito fortes", afirmou.

Por conta desses números, Guimarães voltou a dizer que atual crise é "uma crise de pânico, não uma crise estrutural". "Vejo uma crise de expectativa financeira, não uma crise de economia real agora", afirmou.

O presidente da Caixa admitiu, por sua vez, que o coronavírus pode chegar a afetar a economia brasileira caso persista por um período mais longo, entre seis e 12 meses. Ele também reconheceu que o pânico instalado no mercado financeiro foge dos padrões e, por isso, pode causar uma crise financeira, de expectativa e confiança, até maior que a de 2008.

"A Bolsa caiu de uma maneira mais intensa do que 2008 ou está ali próximo. Mas o que impactou na economia real? Não impactou nada ainda. Existe uma diferença entre o pânico e a perda efetiva", alegou;

Ele garantiu, por sua vez, que a Caixa está preparada para ampliar em mais "dezenas de bilhões de reais" as suas linhas de capital de giro caso isso aconteça e as empresas brasileiras precisem de ainda mais liquidez para enfrentar o coronavírus. Segundo Guimarães, isso é possível, mesmo depois da oferta de R$ 50 bilhões desta quinta-feira, porque a Caixa "tem mais de R$ 300 bilhões de excesso de caixa". "É o banco de maior liquidez e maior solidez do Brasil", afirmou.

Bolsa


A crise no mercado financeiro, contudo, também levou a caixa a tomar medidas efetivas. O banco suspendeu a abertura de capital da Caixa Seguridade na noite dessa quarta-feira (11) por conta da "atual conjuntura de mercado".

"No meio dessa crise de confiança mundial, por que vamos continuar", afirmou Guimarães nesta quinta-feira, admitindo que a nova data da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade "depende de quanto tempo vai durar o coronavírus".

"Eu não vou voltar com ele antes disso aí baixar", afirmou Guimarães, indicando que, caso a pandemia persista por muito tempo, a abertura de capital da área de cartões da Caixa, que está prevista para o segundo semestre, também pode ser revista.

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