"Eu fiz sozinho", diz Bolsonaro sobre discurso em rede nacional

O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta quarta-feira (25/3), que não recebeu ajuda para escrever o texto do discurso feito na noite de terça-feira em rede nacional e que o teor do que disse representa suas ideias sobre a pandemia do novo coronavírus.


"Eu fiz sozinho. Vocês inventaram que o gabinete do ódio fez o discurso. Eu que fiz o discurso.
Eu que escrevi o discurso. Eu sou responsável pelos meus atos", afirmou.

Bolsonaro foi questionado sobre a repercussão negativa e as críticas que recebeu dos outros chefes dos poderes. "Ser criticado por quem? Por quem nunca fez nada pelo Brasil? Estou muito feliz com as críticas."

Crítica de Alcolumbre

Pouco depois do discurso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o vice-presidente da Casa, Antônio Anastasia (PSDB-MG), divulgaram uma nota em que classificaram como "grave" o posicionamento de Bolsonaro, que continha críticas às medidas de contenção da Covid-19 e à imprensa. 

Sobre a nota, Bolsonaro se limitou a dizer: "É um direito dele. Mas se eu falo um 'a' contra eles, é uma crise institucional. Quero solução.
Vou ligar para o Davi hoje, se bem que ele ainda está confinado. Vou ligar para ele", disse.

Bolsonaro ainda foi questionado se os dois nomes de pacientes com testes positivos para o novo coronavírus sonegados à Justiça pelo Hospital das Forças Armadas (HFA) fazem parte do governo. Nesse momento, o presidente se mostrou irritado. "Não sei rapaz. Quem omitiu? Está acusando o HFA de mentir, rapaz?", concluiu.

Discurso

Durante os quatro minutos em que discursou na noite de ontem (24), Bolsonaro defendeu a reabertura de escolas, o fim do confinamento e ainda culpou a mídia por "histeria".

Em outro trecho, ele defendeu a volta da "normalidade" no país. "O vírus chegou. Está sendo enfrentado por nós e brevemente passará.
Nossa vida tem que continuar. empregos devem ser mantidos, o sustento da família deve ser preservado. Devemos sim voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo têm mostrado que um grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?", questionou.

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