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Correio Braziliense

Ministro da Saúde ameniza o discurso e alinha-se ao presidente

Ministro da Saúde ameniza impacto do discurso do presidente, na noite de terça-feira, e considera que a preocupação com a paralisia da economia deve ser levada em conta. Aproveitou, ainda, para insinuar que houve exagero com as decretações de quarentena


postado em 26/03/2020 06:00

Apesar da boataria de que estaria para ser demitido, Mandetta garante que fica até quando o presidente quiser(foto: Marcos Correa/PR)
Apesar da boataria de que estaria para ser demitido, Mandetta garante que fica até quando o presidente quiser (foto: Marcos Correa/PR)
Um dia após o pronunciamento de Jair Bolsonaro, que contrariou recomendações de especialistas e do próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta amenizou a fala do presidente e endossou parte do discurso que foi ao ar, na noite da última terça-feira. As declarações foram feitas ontem, em coletiva de imprensa, na qual o ministro também afirmou que permanecerá no cargo, desfazendo boatos que davam sua saída como certa. Mandetta viu com bons olhos a fala de Bolsonaro, que classificou como uma “grande colaboração.”

“As questões econômicas são importantíssimas, e fizeram parte da linha da fala do presidente, na qual ele coloca que se não tivermos um cuidado com a atividade econômica, essa onda de dificuldade que a saúde trará vai virar uma onda de dificuldade maior ainda por causa da crise econômica”, pontuou. Para Mandetta, Bolsonaro fez um apelo para que a sociedade se preocupe também com a economia. “Vejo nesse sentido a grande colaboração da fala do presidente. Chamar atenção de todos que é preciso pensar na economia”, completou.

Apesar de não confirmar uma mudança de orientação em relação à quarentena da população, Mandetta criticou a forma como a restrição à circulação foi imposta ao país. “Temos que melhorar esse negócio de quarentena. Ficou muito desarrumado, não ficou bom. Foi precipitado, foi cedo. Ficou uma sensação de que entramos, mas como saímos?”, criticou.

Para o ministro, é normal que a haja erros ou “projeções questionáveis” quando se fala em quarentena, já que a última vez que o Brasil fez o uso dessa medida foi em 1917, em decorrência da gripe espanhola. “Saímos praticamente do início dos números para um efeito cascata de decretação de lockdowns em todo território nacional, em paralelo, como se estivéssemos todos em franca epidemia”, afirmou Mandetta.

Foco
 
Apesar de enfatizar que é preciso repensar o modo como as cidades adotaram o isolamento social no país, o ministro garantiu que não perderá o foco na proteção à vida. A pedido de Bolsonaro, o isolamento vertical pode ser implementado, caso o corpo técnico do Ministério da Saúde indique que este é o melhor caminho.

“O nosso presidente fez um apelo e nós vamos, sim, olhar. Tem duas maneiras de se fazer uma quarentena: horizontal e vertical. Isso tudo está sendo estudado. Temos epidemiologistas daqui e de fora. Nós não vamos fazer nada que a gente não tenha confiança de que a gente pode sugerir”, garantiu.

Mandetta assegurou que ele e toda a equipe da pasta estão focados no trabalho e que não está preocupado com boatos de que, por se chocar com as opiniões de Bolsonaro, estaria com os dias contados à frente do Ministério.

“Saio daqui na hora que acharem que eu não devo trabalhar, que o presidente achar”, afirmou, referindo-se a boatos sobre sua iminente saída do Ministério.

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