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Bolsonaro sobre morte de jovem por Covid-19: "Uma pessoa não é estatística"

Presidente volta a dizer que apenas idosos devem cumprir isolamento e afirma que %u201Cpara 90% da população, isso vai ser uma gripezinha ou nada%u201D

Augusto Fernandes
postado em 27/03/2020 23:07
Presidente volta a dizer que apenas idosos devem cumprir isolamento e afirma que %u201Cpara 90% da população, isso vai ser uma gripezinha ou nada%u201DEnquanto a quantidade de mortes pelo novo coronavírus cresce diariamente no Brasil, com a quantidade de óbitos tendo chegado a 92 nesta sexta-feira (27/3), o presidente Jair Bolsonaro não se mostrou combalido pelo diagnóstico da Covid-19 no país. Segundo ele, ;o povo tem que ir pra rua trabalhar e deixar o vovô e a vovó em casa;, pois ;o número de óbitos por pessoas abaixo de 40 anos é insignificante;.

;Será que uma pessoa, um jovem morreu na... Não sei aonde, qual o país, tenha 10 anos de idade... Uma pessoa não pode entrar em estatística. Ela podia ter outros problemas. É natural. Às vezes a pessoa já nasce com problema sério de saúde;, disse o presidente da República, em entrevista ao programa Brasil Urgente.

Durante a conversa com o apresentador José Luiz Datena, Bolsonaro apresentou os dados de quinta-feira (26/3) do Ministério da Saúde, quando a quantidade de mortes por Covid-19 era de 59. Ele destacou que não havia motivo para pânico entre jovens e adultos porque a doença é mais perigosa para os idosos. ;Dos 59 mortos, a grande maioria, quase totalidade, é na parte de cima de 70 anos. De 70 a 79 anos, foram 20 pessoas. Entre 80 e 89 anos, 23 pessoas. E acima de 90 anos, cinco. Então, temos aqui 48 pessoas acima de 70 anos num universo de 59 (mortos);, explicou.

;A realidade está aí e, para 90% da população, isso vai ser uma gripezinha ou nada. Nós vamos calcular 10% que vai ter algo um pouco mais grave, por assim dizer. É uma minoria, e naquele grupo de risco. E o que é o grupo de risco? Acima dos 60 anos;, acrescentou Bolsonaro.

[SAIBAMAIS]Na sequência, ele pediu o fim do ;clima de histeria, de pânico que levaram pra população;, e frisou: ;quem pode trabalhar, tem que voltar a trabalhar;. ;Não tô falando de agora. Tô falando isso desde o começo. Vamos tocar o barco. Nós, aqui, estamos fazendo a nossa parte, preparando leito de UTI, máscara, respirador, etc. Um montão de coisa pra que, se vier um número de infectados razoável, você tem como atendê-los. Agora, o Brasil não pode parar também, pensar só no coronavírus;, alertou o presidente.

Bolsonaro reclamou que a doença no país esteja sendo politizada. ;Se você for ver, ninguém mais, quase ninguém tá morrendo de H1N1. Todo mundo é Covid-19, Covid-19. Quase todo mundo é isso. Parece que há intenção de potencializar isso pra falar: ;Tá vendo? O que eu fiz, justificou. Morreram tantas pessoas. Se não tivesse feito, teria morrido cinco, dez, vinte vezes mais;. Então, o Brasil tem que voltar à normalidade imediatamente;, afirmou o chefe do Palácio do Planalto.

Novamente, ele criticou as medidas de isolamento social promovidas por alguns governadores pelo país e as classificou como ;exageradas;. ;Tá faltando consciência por parte de algumas autoridades para ter essa visão, essa virtude de, ao perceber que tá fazendo algo que foi além do esperado, voltar atrás;, comentou.

;Vamos trabalhar, o brasileiro quer trabalhar. Vamos deixar em casa o vovô e a vovó, tratar com o devido respeito. A gente tava decolando na economia. Criamos quase 1 milhão de empregos no ano passado, e agora perdemos. Perdemos por que? Porque alguns governadores estão agindo de forma açodada, fazendo concorrência. O vírus vai chegar, vai passar, infelizmente algumas mortes terão, paciência. E vamos tocar o barco, porque as consequências, depois dessas medidas equivocadas, vão ser muito mais danosas do que o próprio vírus;, reclamou o presidente.

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