Politica

Mourão: retomada do país será lenta, segura e gradual

Em entrevista, vice-presidente defende novamente o isolamento social para o achatamento da curva de infecção não impactar o sistema público de saúde. Considera ainda que o Brasil vive o período pré-pico da pandemia

postado em 03/04/2020 04:31
Professora acusou a imprensa de

O vice-presidente Hamilton Mourão, mais uma vez, se opôs ao que defende o presidente Jair Bolsonaro e defendeu, ontem, o isolamento social para o combate à pandemia de coronavírus. Ele destacou que o Brasil vive seu período de ;pré-pico; e o esperado é que os casos confirmados da doença aumentem exponencialmente nas próximas semanas. Com isso, segundo Mourão, é necessário tomar medidas para combater a disseminação da doença em todo o país antes de se pensar na retomada da atividade econômica. O general declarou que a retomada das atividades comerciais deve ser ;lenta, segura e gradual; ;; citando frase do ex-presidente e também general Ernesto Geisel sobre a abertura política.

Mourão explicou que é necessário achatar a curva de crescimento da infecção, de modo que o sistema de saúde seja reforçado para suportar a carga de pacientes que deve dar entrada no sistema, em decorrência do agravamento de sintomas.

;Nós ainda estamos naquele momento pré-pico. A avaliação é que nós temos que continuar com essa política de isolamento, no sentido de atravessarmos esse mês de abril, quando se espera que o pico da doença comece a ocorrer aí a partir do dia 20, 25, procurando aquilo que vem sendo chamado do achatamento da curva, de modo que o nosso sistema de saúde, e principalmente a chegada dos insumos que estão sendo comprados, permita que a gente supere esse momento;, destacou.

As explicações ocorreram em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, em evento do banco BTG Pactual. Mourão defendeu que os serviços não essenciais continuem fechados, até que se tenha uma ;análise constante da evolução da doença, das áreas que realmente estão sendo mais impactadas, para pouco a pouco haver uma liberação das atividades não-essenciais;.

A posição de Mourão se alia ao que pensam os governadores, que têm adotado políticas de isolamento, como o fechamento de escolas, universidades, e do comércio como medida para combater o avanço do vírus sobre a população.

O vice-presidente defendeu, no entanto, que a epidemia ;não é motivo de uma histeria total, como nós estamos vendo;. Observou que ;hoje você toma café, almoça, janta e faz a ceia ouvindo coronavírus;. Mourão acredita que logo esse cenário pandêmico vai passar, e a normalidade será tomada ;; mas com perdas para todos.

;Não nos aglomerarmos, não ficarmos irritados porque não estamos indo a festas, não estamos indo a bailes, não estamos comparecendo aos cinemas. Não. Vamos entender que esse é um momento e que tudo na vida passa. Serão 30 dias, 60 dias, mas logo logo a vida retornará ao normal. Todos perderemos alguma coisa nessa crise, mas vamos ganhar algo muito maior, que é o sentimento de união e de capacidade do povo brasileiro de superar desafios;, exortou.

Mourão falou sobre a pandemia na Amazônia cujo Conselho preside. Segundo o vice-presidente, o coronavírus ainda não é uma grande preocupação na região, pois apesar de afetar os grandes polos, ainda não ganhou força nas pequenas cidades

Assim como Mourão, o ministro da Justiça, Sergio Moro, também se manifestou favoravelmente ao isolamento social. Em uma rede social, disse: ;Pela manhã, dei entrevista à Rádio Gaúcha, defendi isolamento, quarentena, muita cautela na soltura de presos por juízes (não há infectados nas prisões), apoio aos necessitados, e muita calma. Juntos, sairemos mais fortes;.

Apelo

De manhã, Bolsonaro publicou o vídeo de uma apoiadora que se identificou como professora da rede particular e disse passar por dificuldades financeiras. Acompanhada do casal de filhos, ela pediu que colocasse o ;Exército nas ruas; e reabrisse à força os comércios.

;Professora em comovente depoimento para o Presidente da República. Peço compartilhar;, escreveu o presidente nas redes sociais, em nova crítica às medidas de restrições adotadas pelos governadores, seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde para o isolamento horizontal.

No vídeo, a apoiadora cobra de Bolsonaro: ;Vim aqui pedir para o senhor como mãe. Preciso voltar a trabalhar. Não tem condições de a gente viver nessa situação. Vai faltar coisa para os meus filhos dentro da minha casa. Estou aqui pedindo para o senhor: põe esses militares na rua, põe para esse governador (referindo-se ao do Distrito Federal, Ibaneis Rocha). Já decretou de novo mais um mês sem aula, sem nada;, disse.

A mulher também falou do auxílio emergencial de R$ 600, que o governo oferecerá aos trabalhadores informais para tentar amenizar os impactos econômicos da pandemia. ;Eu não quero dinheiro do governo. Eu quero trabalho, minha vida normal. Nós não queremos que o governo banque a nossa vida;, relatou.

Bolsonaro todo o tempo ficou calado, ouvindo a apoiadora, que aproveitou a oportunidade para atacar a imprensa.

;Eu sou mãe de família, sou separada, tenho meus filhos. Vim ontem (quarta-feira), estou aqui hoje (ontem) e venho pedir para o senhor porque a imprensa não ajuda a gente, (o que) a imprensa faz é acabar com a nossa vida. Eles (os jornalistas) não passam necessidade. Estão aí só para falar mentira, para acabar com a vida do povo. Não sabem a necessidade de cada um;.

E emendou: ;É difícil para o senhor porque só tem gente para derrubar. Mas o senhor tem o povo e eu faço parte dele. Eu estou aqui pedindo: põe esse Exército na rua, presidente, abre esse comércio. Sou professora e não estou podendo dar aula;, clamou.

Bolsonaro foi aplaudido ao dizer que as palavras da apoiadora traduziam o apelo de ;milhares de brasileiros;.

* Estagiária sob supervisão de Fabio Grecchi


Janaina avisa sobre militares
A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL) afirmou, por meio do Twitter, ontem, que caso Jair Bolsonaro continue ;fazendo graça; com a situação da pandemia da Covid-19, as Forças Armadas poderão tirá-lo do cargo. A deputada se referiu ao vídeo com o desabafo da professora, postado pelo presidente nas redes sociais, de manhã. ;Se o senhor não parar com essas postagens, os militares vão para a rua para retirar o senhor, com base no artigo 142 da Constituição Federal. Meu povo sofrendo e o senhor fazendo graça. Pelo amor de Deus, amadureça!”, cobrou a parlamentar, que chegou a ser cotada para assumir a vice-presidência, antes de Hamílton Mourão.





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