Politica

Risco de instabilidade com eventual demissão

postado em 04/04/2020 04:03
A deputada Carmen Zanotto: ministro tem apoio da Frente Parlamentar Mista da Saúde


Para evitar mais desgaste, a orientação interna no Ministério da Saúde é de concentração total nas tomadas de decisões técnicas, deixando de lado qualquer embate pessoal. Quem atua na linha de frente afirma que a liderança do ministro Luiz Henrique Mandetta tem agradado cada vez mais aos membros da equipe e se convertido em união de esforços. Segundo membros do gabinete estratégico ouvidos pelo Correio, esse alinhamento ecoa na sociedade.

Os apoios a Mandetta também surgem fora do ministério. Coordenadora da Frente Parlamentar Mista da Saúde (FPMS), a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) evitou avaliar que tipo de sinal o presidente Jair Bolsonaro emitiria se demitisse Mandetta. A parlamentar afirmou, entretanto, que ;não trabalha com a possibilidade; de saída do ministro. ;Ele tem todo o apoio da Frente Parlamentar;, enfatizou, ressaltando que o titular do ministério é necessário neste momento.

Sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília, Cláudio Maierovitch acredita que retirar Mandetta da pasta atrapalharia todos os esforços no combate ao coronavírus. ;Qualquer movimento de instabilidade neste momento no ministério, que é a única parte do governo que está conduzindo adequadamente a epidemia, ameaça o que está sendo feito;, ressaltou.

Para ele, o combate à pandemia depende muito de credibilidade e de três frentes: conhecimento, amplamente compartilhado pelos veículos de comunicação; medo, uma vez que as pessoas estão assustadas; e confiança. ;As pessoas acreditam em alguém que oriente e diga que o que elas estão fazendo, é prática de uma política de saúde pública que enfrenta a epidemia. No momento em que a equipe fica instável, essa credibilidade vai (embora) junto;, afirmou.

O sanitarista frisou, ainda, que trocar um ministro que tem seguido orientações técnicas, mesmo divergindo do presidente, pode significar colocar no seu lugar alguém sem divergências com o chefe do Executivo e que pode minimizar a doença; alguém que acredite que a economia deve voltar com força. ;E isso vai dar um baita impulso na transmissão do vírus;, ressaltou.

Cientista político da Arko Advice, Cristiano Noronha afirmou que a eventual saída de Mandetta e da equipe seria extremamente negativa para o governo em um momento de crise como este. Ele pontuou que o gestor e seus assessores estão familiarizados com as ações contra o coronavírus e sabem de todo o histórico de medidas. ;Uma eventual substituição dele poderia causar uma certa descontinuidade (das ações);, argumentou.

Outro ponto citado pelo cientista político é o que a substituição poderia significar, uma vez que o ministro tem se pautado em questões técnicas e científicas para tomar decisões. ;Poderia causar a impressão de que a postura mais técnica estaria sendo deixada de lado, e isso não seria muito bem-aceito. Poderia, inclusive, afetar a imagem do país no exterior;, enfatizou.

;Resista aos despreparados;
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez elogios ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. ;Queria prestar minha solidariedade ao ministro da Saúde. Mandetta tem sido dedicado, correto, fluido nas informações com os estados e, especialmente, com a área da saúde;, afirmou. ;Tenho certeza de que seu esforço é reconhecido por todos, pelo mundo da ciência, da medicina, de outros governadores também. Esperamos que o senhor resista aos despreparados. A sua resistência como ministro da Saúde está ajudando a salvar vidas de milhares de brasileiros, e os brasileiros estarão ao seu lado.;


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