Correio Braziliense
postado em 06/04/2020 04:33
Doutor em ciência política pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, o professor da Universidade de Brasília Lúcio Rennó faz uma crítica balanceada da situação. Para ele, os problemas não estão só no governo. Também falta consenso por parte dos parlamentares. E a grande dificuldade é assumir o ônus da crise em um momento em que o país já estava em uma situação fiscal ruim.
“O caminho é difícil, dada a nossa situação fiscal. Tanto parlamento quanto governo herdaram a situação desastrosa das nossas contas públicas. Vemos a necessidade de um Estado com reservas, que possa, em uma situação como essa, investir recurso para que a sociedade supere esse momento. Em um Estado que não tem dinheiro, é difícil fazer isso”, observa.
Ele acrescenta que “não cabe apontar o dedo e falar em incapacidade. De onde vai tirar? Temos um deficit primário enorme, dívida enorme. O impasse é grave, dada a herança de baixa capacidade fiscal”, avalia.
Segundo Rennó, o país não devia ter sido pego de surpresa pela crise do coronavírus.
“As pessoas estão tentando lidar com uma crise que não deveria nos ter pego de surpresa. O Estado tem que ter reservas para crises como essa. Temos bilhões de dólares de reserva internacional. Esse dinheiro é para quê? Precisamos dessas reservas neste momento, com vidas e a saúde extremamente ameaçadas. Temos que criticar as posturas irresponsáveis de menosprezar o tamanho da letalidade do vírus dado o que está acontecendo no mundo”, observa. (LC)
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