Politica

Câmara vota, amanhã, projeto que amplia direito à renda básica de informais

Rodrigo Maia afirmou que acredita que toda a rede bancária tem condições de ajudar para que o dinheiro chegue mais rápido na conta das famílias

Luiz Calcagno
postado em 07/04/2020 17:36
Rodrigo Maia afirmou que acredita que toda a rede bancária tem condições de ajudar para que o dinheiro chegue mais rápido na conta das famíliasA Câmara votará, nesta quarta (8/4), o projeto de lei do Senado que amplia os benefícios da renda básica para informais. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, em coletiva de imprensa, no início da tarde desta terça-feira, acreditar que toda a rede bancária tem condições de ajudar para que o dinheiro chegue mais rapidamente às famílias. "Vamos votar até amanhã a proposta do Senado. A maior parte do texto é muito positiva. Alguns deputados têm dúvidas sobre alguns temas", destacou.

Maia também criticou a iniciativa do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, de pedir que a população procure pela Caixa Econômica, e não pelos Centros de Referência em Assistência Social (Cras). "Acho que toda a rede bancária tem condição de ajudar para que o dinheiro chegue mais rápido na conta da família. Os bancos podem ser um instrumento importante. Queremos é que o recurso chegue. O ministro Onyx declarou que a população procurasse apenas casas lotéricas, excluindo municípios e Cras. A estrutura do cadastro único foi toda construída em uma relação de respeito federativo", afirmou.

"O governo fala muito em mais Brasil e menos Brasília, mas faz o contrário e desrespeita o trabalho de tantos profissionais na área de assistência social nos municípios e Cras, que têm atuado de forma importante. A integração desse trabalho com outros bancos e municípios é muito importante para que a solução seja mais Brasil e menos Brasília;, criticou.

Orçamento de guerra

Outro tema tratado na entrevista foi a proposta de emenda à Constituição 10/2020, mais conhecida como PEC do orçamento de guerra, que irá a plenário no Senado em 13 de abril. A matéria foi criada, principalmente, para dar liberdade de gastos ao governo no combate à epidemia de coronavírus no Brasil, garantindo que ações não interfiram no orçamento anual aprovado pelo Congresso. Maia disse que espera mudanças no texto.

;É natural que o senado analisem. Discutimos a matéria de sete a 10 dias. Se tiver que mudar, é da democracia, é legítimo que possa existir mudanças. Não há problema. O senado precisa de prazo para conhecer a proposta, avaliar, ouvir técnicos e decidir pela manutenção ou mudança. Mas, tenho certeza que o Senado tem quadro de experiência. Muitos passaram por governo estadual e sabem o que significa gestão pública;, afirmou.

Outro tema abordado foi a decisão do ministro do Supremo Tibunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, de dar poder aos sindicatos para interferir na negociação de trabalhadores e empresas para redução da jornada de trabalho e suspensão do contrato de trabalho. ;Cada um tem um ponto de vista. Os sindicatos vão dizer que é constitucional. O outro, que está superado. Vamos ter que esperar a decisão do plenário (do STF). O ideal é um intermediário, onde se pudesse ter preferência, mas respeitando acordos individuais. A decisão é dos Supremo e todos temos que respeitar;, destacou.

Polêmicas

Questionado sobre como vê a postura negacionista do médico e ex-ministro Osmar Terra, que é contrário ao isolamento social, única medida eficaz de redução da velocidade de contaminação por coronavírus, Maia destacou a importância do trabalho do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. ;Continuo respeitando e admirando o trabalho do ministro Mandetta, que tem cumprido um papel excepcional em defesa da vida dos brasileiros. O Congresso e o governo tem trabalhado para garantir emprego, renda e solvência das empresas. O que não queremos é que a gente passe pelo que a Itália, Espanha e Estados Unidos estão passando;, disse.

Maia também disse que não espera mais um pacote único de combate à crise por parte do governo. ;Já não foi feito da forma como eu acho que seria mais rápida. Não adianta criticar. Mas os bancos estão gerando dificuldade na garantia do crédito para as empresas. O BNDES tem dificuldade. Nós já dissemos. Se a dificuldade passar por mudanças na legislação, estamos prontos para ajudar. Outros bancos públicos e privados também. O presidente do Banco Central pediu e foi atendido, na possibilidade que pudesse atuar diretamente no mercado de crédito e títulos;, destacou.

[SAIBAMAIS];Não adianta crítica. É hora de ação. Falta agilidade em alguns setores que geram muitos empregos. Se não tiverem a condição de ter capital de giro, vaõ comear a demitir. E são as empresas grandes, com 5 mil, 10 mil demissões. Está na hora de, em conjunto, encontrar soluções e avançar. A do Banco Central foi uma medida. A outra do do BC com bancos privados para garantir salário até R$ 10 milhões de faturamento foi outra. Ainda está faltando microcrédito para empresas na área de saúde. Existe uma linha de crédito para santas casas. Grandes empresas tem fluxo de caixa. E tem um meio de redes de hospitais que precisam de ajuda urgente, de capital de giro para pagar os empregados. Seria importante os bancos darem celeridade;, afirmou o parlamentar.

Questionado sobre a postura de Jair Bolsonaro, de voltar atrás nas decisões e criticar a imprensa por noticiar seus movimentos, o presidente da Câmara elogiou a imprensa. ;Temos que agradecer a imprensa, o trabalho, a garantia da nossa democracia, da nossa liberdade de expressão passa pelo trabalho de vocês. É importante que continuem divulgando todas as informações. Em um momento, inclusive em que a audiência da TV aberta, fechada, redes sociais, jornais, tem aumentado muito, pois as pessoas tem ficado em casa. Tenho certeza que o papel vai ajudar a salvar muitas crises;, disse.

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