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Conversa "tranquila", diz Mandetta sobre reunião com Bolsonaro no Planalto

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o encontro com o presidente foi uma "reunião de trabalho"

Ingrid Soares, Renato Souza
postado em 08/04/2020 13:46
 (foto: Isac Nóbrega/PR)
(foto: Isac Nóbrega/PR)
O desgaste da relação de Mandetta e Bolsonaro vem chamando a atenção nos bastidoresO ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a reunião que teve com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (8/4), foi "tranquila" e "de trabalho". O encontro ocorreu pela manhã e constava na agenda oficial do chefe do Executivo. Ao chegar ao Planalto, Mandetta não falou com a imprensa e deixou o local pela garagem.

Questionada, a assessoria do Planalto não divulgou o tema tratado pelo dois, mas o Correio apurou que foram discutidos assuntos como a ocupação de leitos hospitalares no país. O ministro e o presidente também acertaram posicionamentos pessoais e de governo diante da pandemia de Covid-19.

Divergências e quase demissão

A reunião a portas fechadas ocorreu dois dias depois de o presidente ficar perto de demitir Mandetta. Ambos entraram em conflito por discordarem da melhor forma de agir diante do novo coronavírus.

Enquanto Bolsonaro defende a reabertura de comércios e o isolamento vertical (no qual apenas pessoas em grupos de risco permanecem em confinamento), Mandetta prega o isolamento e decisões com base nas evidências científicas que vão se formando ao longo da crise.

Outra divergência diz respeito ao uso da hidroxicloroquina, medicamento várias vezes citado por Bolsonaro como útil no tratamento da Covid-19. Mandetta, por sua vez, argumenta que ainda não há consenso científico para liberar a administração do fármaco no combate ao coronavírus.

Recuo no isolamento social

[SAIBAMAIS]Mesmo diante das divergências, o ministério sob o comando de Mandetta toma medidas que vão ao encontro do que pensa Bolsonaro. Após muita pressão, o uso da cloroquina acabou liberado aos pacientes no país caso o médico responsável pelo tratamento considere a medida necessária.

Além disso, no mesmo dia em que a demissão de Mandetta chegou a ser dada como certa, na última segunda-feira (6/4), o ministério passou a afirmar que municípios com grande quantidade de leitos hospitalares vagos podem relaxar nas medidas de confinamento social a partir do dia 13.

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