Correio Braziliense
postado em 18/04/2020 12:23
O "Conservador Liberal" pertence a Webert Florêncio, de 25 anos, morador de Ipatinga (MG), um militante de direita. Evangélico e estudante de Medicina, Florêncio passou a apoiar Bolsonaro em 2016 e fez parte de grupos como o "Direita Minas". Hoje é entusiasta do partido bolsonarista em gestação, o Aliança pelo Brasil. Na eleição de 2014, fez campanha para Aécio Neves (PSDB) A Justiça Eleitoral não registra filiação partidária dele.
À reportagem, Florêncio disse que jamais ocupou cargos comissionados ou recebeu dinheiro para manter as páginas.
Além do Instagram, onde possui 120 mil seguidores, o estudante administra mais três páginas no Facebook, todas com uma fotografia de Margaret Tatcher, a ex-premiê britânica conhecida como "Dama de Ferro". Uma delas é uma página oficial do Conservador Liberal, além de um grupo público e as páginas de notícias "Conservador Liberal News" e de sátiras "Conservador Liberal em Memes". São mais de 208 mil pessoas atingidas.
As páginas dele reproduzem ofensas a adversários políticos de Bolsonaro, como deputados do PSOL, e incentivos a manifestações pró-governo e contrárias ao Congresso e ao STF. Ele escreveu "chega de chantagem" e reproduziu o palavrão dito pelo ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) contra os demais poderes: "Foda-se". Nos últimos dias, fez coro às críticas ao ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta a forma de reação à pandemia do novo coronavírus. Apesar disso, Florêncio diz que apenas compartilha notícias e opiniões, sem difamar nas redes.
"A CPI é uma maneira de tentar calar, mas não adianta porque se eu parar outros vão falar. A rede social levou o povo para perto dos políticos, e a cobrança incomoda. Político tem que saber ouvir crítica em vez de processar", disse o estudante.
Saiba Mais
Filho do presidente
Os dados que levaram à identificação de Florêncio e Mariana chegaram à CPI em março, numa leva que também possibilitou aos investigadores estabelecer elo direto com o clã presidencial. A conta "Bolso_Feios" foi criada em Brasília por Eduardo Guimarães, assessor parlamentar do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. Ele alega que o perfil era apenas uma sátira à família, sem divulgar ataques a adversários políticos, o que contraria registros de publicações ofensivas da página.
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