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Correio Braziliense

"Não sou coveiro", diz Bolsonaro ao ser questionado sobre mortes por Covid

Presidente respondeu a uma pergunta de um jornalista sobre o aumento do número de mortes pelo novo coronavírus


postado em 20/04/2020 19:35 / atualizado em 20/04/2020 19:48

(foto: AFP / EVARISTO SA)
(foto: AFP / EVARISTO SA)
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, no fim da tarde desta segunda-feira (20/4), que não é coveiro. A resposta ríspida e irônica veio após o presidente ser questionado na entrada do Palácio da Alvorada sobre o número de mortes pelo novo coronavírus.

Um dos jornalistas perguntou a Bolsonaro, com base em dados inicialmente divulgados pelo Ministério da Saúde, sobre as "mais de 300 mortes" que teriam ocorrido nas últimas 24 horas. Posteriormente, a pasta corrigiu o número para 113 mortes de domingo para segunda.

"Ô, cara, quem fala de... Eu não sou coveiro, tá certo?". O repórter, então, insistiu na pergunta e Bolsonaro repetiu: "Não sou coveiro, tá?".

Pela manhã, Bolsonaro disse esperar que o isolamento horizontal termine ainda nesta semana.

"Meu papel é preservar a liberdade do brasileiro, se nós tivermos um quadro de caos a gente não sabe o que vai acontecer. O povo com fome, com dificuldade, com filho doente em casa, a gente não sabe o que vai acontecer. Ou melhor, até sabe. Mas não quero levar a um clima de incerteza. Dá para recuperar o Brasil ainda. Eu espero que essa seja a última semana dessa quarentena, dessa maneira de combater o vírus todo mundo em casa”, apontou.

Ainda mais cedo, Bolsonaro disse que 70% da população será infectada. "As medidas restritivas de alguns estados foram excessivas, não atingiram seu objetivo. Aproximadamente 70% da população será infectada. Não adianta querer correr disso."

O presidente disse ainda que a maior parte da população não tem mais condições de permanecer em isolamento social. "A massa não tem como ficar em casa porque a geladeira está vazia. Um tempo atrás, algum ministro meu queria que eu colaborasse com um decreto ou numa portaria para multar quem está na rua. Eu falei que não. Não. Quem vai na rua está atrás de emprego, atrás de um ganha pão para levar um prato de comida para o seu filho que está em casa. Não podemos tratar o povo dessa maneira. Devemos falar para o povo: calma, tranquilidade. 70% vão ser contaminados. Ou vocês querem que eu minta aqui? Vamos ficar em casa presos 10 anos que está tudo bem? Não está bem. Problemas têm aparecido por aí. Tem aumentado a violência dentro de casa. Onde falta pão todos brigam e ninguém tem razão. Essa é uma máxima verdadeira. Vamos encarar de peito erguido e eu sou presidente de peito erguido para decidir. Não vou pecar por omissão", concluiu.

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