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Governo anuncia plano para a economia se recuperar pós-pandemia

Na primeira entrevista com o novo ministro da Saúde, o governo foca na economia e apresenta o Pró-Brasil, projeto que visa a recuperação do país depois do momento mais crítico da Covid-19. Ninguém da equipe econômica estava presente no anúncio

Ingrid Soares, Augusto Fernandes
postado em 23/04/2020 06:00
Na primeira entrevista com o novo ministro da Saúde, o governo foca na economia e apresenta o Pró-Brasil, projeto que visa a recuperação do país depois do momento mais crítico da Covid-19. Ninguém da equipe econômica estava presente no anúncioAo assumir o Ministério da Saúde, Nelson Teich fez questão frisar que ;existe um alinhamento completo; entre ele e o presidente Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira (22/4), o ministro mostrou o porquê. Na primeira fala à imprensa desde que foi nomeado para o posto, defendeu o fim gradual do isolamento social e anunciou que o governo federal prepara uma diretriz para que estados e municípios possam retomar a atividade econômica. Em tom de alerta, disse que ;é impossível um país sobreviver um ano, um ano e meio parado;. Não teve a mesma convicção, contudo, ao falar sobre a Covid-19. Há uma semana no cargo, afirmou que ;a gente sabe muito pouco da doença;

A postura do oncologista acabou sendo um reflexo dos demais ministros presentes ao Palácio do Planalto para a coletiva diária que informa as ações do Executivo de enfrentamento à pandemia. Enquanto a saúde foi colocada em segundo plano, ficou nítida a preocupação dos comandados de Bolsonaro em recuperar a economia. Apesar de o país ainda não ter entrado na fase mais crítica da doença e já haver colapso no atendimento em hospitais de alguns estados, o governo tem preparado um programa de retomada econômica para quando a crise sanitária acabar.

Sem a participação de nenhum integrante da equipe econômica na entrevista, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, apresentou a iniciativa, que se chama Pró-Brasil e terá como foco a criação de postos de emprego mediante investimentos em obras públicas e parcerias com o setor privado. Segundo o governo, ao menos R$ 30 bilhões devem ser disponibilizados por meio de investimentos públicos e outros R$ 250 bilhões, via contratos de concessões e privatizações. A pretensão é de que mais de 1 milhão de postos de emprego sejam gerados no país com o programa.De acordo com a Casa Civil, o programa atuará com ênfase em dois eixos: ordem e progresso.

De acordo com o cronograma, o programa deve ser estruturado de maio a julho. Entre agosto e setembro, os projetos serão detalhados, e, a partir de outubro, haverá a implementação em larga escala. Após isso, o governo vai acompanhar a efetividade dos projetos.

Braga Netto apresentou o programa em encontro com Bolsonaro e outros ministros na manhã de ontem. Ele negou, na entrevista, que haja oposição da equipe econômica ao plano (leia reportagem ao lado). ;O ministro Paulo Guedes estava hoje (ontem) na reunião. Todos os ministros foram favoráveis ao programa, sem nenhum problema.; Amanhã, será feita a reunião inaugural do Pró-Brasil.

O ministro da Casa Civil também refutou que a iniciativa seja uma versão do Plano Marshall. ;Não existe nenhum plano Marshall. Existe o pró-Brasil. Plano Marshall é outra coisa. Isso não é um programa de recuperação econômica, é de crescimento econômico;, destacou.

Retomada

Enquanto o furacão da pandemia se aproxima, com o risco de um incremento exponencial das curvas de infectados e de mortes, o governo acredita ser necessário ;já pensar no dia seguinte;, como disse o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. ;Temos a compreensão de que será necessário já pensar no dia seguinte, no que vamos fazer para a retomada e, por isso, que surgiu o Pró-Brasil, que vai envolver todos os ministérios;, frisou.

O compromisso, segundo Tarcísio de Freitas, é de não fazer ;nenhuma pirueta fiscal, nenhuma cambalhota;. ;Vamos dar continuidade a coisas que já estavam andando. Como o vigoroso programa de concessões, e é por isso que tem a vertente do programa ;ordem;, que vai tratar da regulação, do suporte legislativo, para que a gente possa atuar no ambiente de negócios para trazer o investimento privado para cá;, disse. ;Já a vertente ;progresso; se divide em duas. Nós vamos ter aquilo que será feito com capital privado, serão investimentos em concessões. Só no Ministério da Infraestrutura serão contratadas R$ 250 bilhões de concessões e aquilo que será feito por meio de obras públicas e estimamos o valor de R$ 30 bilhões dentro de um horizonte plurianual.;

O ministro da Saúde, Nelson Teich, destacou que as informações sobre a doença são poucas e que ;quando você conhece pouco alguma coisa, realmente não consegue prever o que acontecerá;. O diagnóstico dele para a economia, contudo, foi enfático. ;É impossível um país sobreviver um ano, um ano e meio parado. O afastamento é uma medida absolutamente natural e lógica, mas não pode não estar acompanhado de um programa de saída. Isso é o que a gente vai desenhar e dar suporte para estados e municípios;, ressaltou.

Ajuda à Europa
O Plano Marshall foi um programa de ajuda milionária oferecida pelos Estados Unidos a países europeus para se recuperarem após a Segunda Guerra Mundial. O plano durou de 1947 a 1951, e os principais beneficiados foram Inglaterra, França e Itália.

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