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Correio Braziliense

Celso de Mello autoriza inquérito contra Bolsonaro após acusações de Moro

Ministro concedeu o prazo de 60 dias para que a Polícia Federal atenda pedidos de investigação feitos pelo Ministério Público


postado em 27/04/2020 22:48 / atualizado em 27/04/2020 22:52

(foto: AFP / Sergio LIMA)
(foto: AFP / Sergio LIMA)
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu abrir inquérito para investigar as declarações feitas pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, contra o presidente Jair Bolsonaro. Com isso, o chefe do Executivo passa a ser oficialmente investigado na Corte.



Na decisão, tomada na noite desta segunda-feira (27/4), o magistrado concede o prazo de 60 dias para que sejam realizadas diligências pedidas pelo Ministério Público Federal. "Sendo assim, em face das razões expostas, defiro, em termos, o pedido formulado pelo eminente Senhor Procurador-Geral da República e determino, em consequência — considerada a situação pessoal do Senhor
Presidente da República e do senhor Sergio Fernando Moro, então Ministro da Justiça e Segurança Pública —, a instauração de inquérito destinado à investigação penal dos fatos noticiados na peça de fls. 02/13. Assino ao Departamento de Polícia Federal o prazo de 60 (sessenta) dias para a realização da diligência indicada pelo Ministério Público Federal (fls. 12), intimando-se, para tanto, o senhor Sergio Fernando Moro para atender a solicitação feita pelo senhor procurador-geral da República", escreveu o ministro no despacho.



De acordo com a Constituição Federal, se for oferecida denúncia contra o presidente e o Supremo aceitar, Bolsonaro fica afastado do cargo. Sergio Moro também é investigado, já que pode ser enquadrado no crime de denunciação caluniosa se não conseguir provar as denúncias que fez.

O pedido de abertura de inquérito foi feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, na última sexta-feira (24/4) após um pronunciamento de Moro, no qual ele anunciou seu pedido de demissão e acusou o presidente de repetidas tentativas de interferência política na Polícia Federal. 

Na ocasião, Moro disse ainda que o presidente gostaria de ter alguém do seu convívio pessoal na PF, para quem pudesse ligar e obter acesso a relatórios de inteligência, e que o presidente estaria ainda preocupado com inquéritos que estão no STF. O ex-ministro acusou ainda a Presidência de falsificar sua assinatura digitalna exoneração do ex-diretor da PF, Maurício Valeixo.

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