Os partidos de esquerda tinham planejada, desde março, uma manifestação para a data. Por conta da pandemia, porém, o evento foi cancelado ainda naquele mês, para evitar a propagação do coronavírus. Nem todos os presentes mencionaram o nome de Bolsonaro, embora a maioria tenha tecido críticas diretas ou indiretas ao governo federal. “A comemoração do 1o de maio expressa a solidariedade dos trabalhadores. Esse ano, temos a pandemia e as rápidas mudanças econômicas provocadas pelas tecnologias, e o medo da pandemia e do desemprego”, afirmou FHC.
“Não é hora de nos desunirmos, mas de nos juntarmos para construir o futuro, a partir as condições do presente. São (condições) negativas, mas são as que temos. Temos que olhar pra frente, acreditar no futuro, olhar as pessoas e marchar juntos. Enfrentamos alguns problemas antigos e outros novos e temos que manter a democracia e a liberdade”, concluiu o ex-presidente.
O ex-presidente Lula destacou as transformações que o vírus causou ao planeta em poucos meses, cm o isolamento social na maior parte dos países e fortes impactos econômicos. Lula também falou em se preparar para o futuro e, perto do fim, disparou contra Bolsonaro, mas falou o nome do presidente apenas uma vez. Disse que o chefe do Executivo “debochou com a memória da morte de mais de 5 mil brasileiros”. “A economia deixou o capitalismo nú. Foram necessários 300 mil cadáveres para a humanidade ver uma verdade que os trabalhadores conhecem que desde que nasceram. O que sustenta o capitalismo não é o capital, mas as pessoas, os trabalhadores”, afirmou.
Já a ex-presidente Dilma Rousseff dedicou parte razoável de sua fala para criticar o atual presidente. Disse que Bolsonaro é um político “que não se envergonha de promover a desordem e destruição da ordem apoiando protestos contra as instituições democráticas”. “A pandemia ganha contornos ainda mais graves no Brasil. O presidente deixa de atuar como um líder que deveria salvar vidas humanas. É triste que tenhamos que atravessar uma situação tão ruim em pleno séc 21, tendo à frente um líder que elogia torturadores, desrespeita a vida das pessoas, despreza a ciência e trata governadores e prefeitos como inimigos, e se omite de uma crise econômica que se avizinha com desemprego em massa”, criticou.
Outro rival de Lula, mas do campo da esquerda, Ciro Gomes (PDT), destacou que o país já vivia um cenário ruim antes da pandemia. “O Brasil já contava com 13 milhões de desempregados ainda antes do coronavírus. Temos que aproveitar a dura ocasião e estar à altura desses heróis do passado. Temos que refletir o que aconteceu para chegar onde chegamos, e construir um novo projeto de desenvolvimento, com trabalhadores e famílias no centro, e não a destruição do nosso país”, disse.
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Participaram da live, também, os ex-presidenciáveis Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da educação, a ex-ministra do Meio Ambiente (Rede), Marina Silva, e a ex-deputada federal Manuela D'Ávila. Entre os parlamentares, marcaram presença o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), a deputada e presidente do PT, Gleise Hoffmann, além do presidente da Ordem dos Advogados do brasil, Felipe santa Cruz.