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Sem protestos, oposição faz live para marcar Dia do Trabalhador

O encontro online foi a primeira vez em que os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso se uniram por motivos políticos desde a eleição de Collor, em 1988, quando FHC apoiou o petista no segundo turno

Para celebrar o Dia do Trabalhador, partidos de oposição fizeram uma live de mais de seis horas, reunindo deputados, senadores, presidentes de legendas e ex-presidentes. O encontro também contou com diversos artistas nacionais e internacionais, incluindo o ator Danny Glover e o músico e ex-Pink & Floyd Roger Waters. O encontro online foi a primeira vez em que os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso se uniram por motivos políticos desde a eleição de Collor, em 1988, quando FHC apoiou o petista no segundo turno.

Os partidos de esquerda tinham planejada, desde março, uma manifestação para a data. Por conta da pandemia, porém, o evento foi cancelado ainda naquele mês, para evitar a propagação do coronavírus. Nem todos os presentes mencionaram o nome de Bolsonaro, embora a maioria tenha tecido críticas diretas ou indiretas ao governo federal. “A comemoração do 1o de maio expressa a solidariedade dos trabalhadores. Esse ano, temos a pandemia e as rápidas mudanças econômicas provocadas pelas tecnologias, e o medo da pandemia e do desemprego”, afirmou FHC.

“Não é hora de nos desunirmos, mas de nos juntarmos para construir o futuro, a partir as condições do presente. São (condições) negativas, mas são as que temos. Temos que olhar pra frente, acreditar no futuro, olhar as pessoas e marchar juntos. Enfrentamos alguns problemas antigos e outros novos e temos que manter a democracia e a liberdade”, concluiu o ex-presidente.

O ex-presidente Lula destacou as transformações que o vírus causou ao planeta em poucos meses, cm o isolamento social na maior parte dos países e fortes impactos econômicos. Lula também falou em se preparar para o futuro e, perto do fim, disparou contra Bolsonaro, mas falou o nome do presidente apenas uma vez. Disse que o chefe do Executivo “debochou com a memória da morte de mais de 5 mil brasileiros”. “A economia deixou o capitalismo nú. Foram necessários 300 mil cadáveres para a humanidade ver uma verdade que os trabalhadores conhecem que desde que nasceram. O que sustenta o capitalismo não é o capital, mas as pessoas, os trabalhadores”, afirmou.

Já a ex-presidente Dilma Rousseff dedicou parte razoável de sua fala para criticar o atual presidente. Disse que Bolsonaro é um político “que não se envergonha de promover a desordem e destruição da ordem apoiando protestos contra as instituições democráticas”. “A pandemia ganha contornos ainda mais graves no Brasil. O presidente deixa de atuar como um líder que deveria salvar vidas humanas. É triste que tenhamos que atravessar uma situação tão ruim em pleno séc 21, tendo à frente um líder que elogia torturadores, desrespeita a vida das pessoas, despreza a ciência e trata governadores e prefeitos como inimigos, e se omite de uma crise econômica que se avizinha com desemprego em massa”, criticou.

Outro rival de Lula, mas do campo da esquerda, Ciro Gomes (PDT), destacou que o país já vivia um cenário ruim antes da pandemia. “O Brasil já contava com 13 milhões de desempregados ainda antes do coronavírus. Temos que aproveitar a dura ocasião e estar à altura desses heróis do passado. Temos que refletir o que aconteceu para chegar onde chegamos, e construir um novo projeto de desenvolvimento, com trabalhadores e famílias no centro, e não a destruição do nosso país”, disse.

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O governador do maranhão, Flávio Dino (PCdoB), falou sobre os planos para depois da pandemia, e ressaltou a necessidade de fortalecer os serviços públicos, incluindo o Sistema Único de Saúde, e uma reforma administrativa que tribute grandes fortunas. Dino falou na defesa da economia brasileira e na “necessidade de retomada econômica para preservar empresas e empregos”. “O grande indutor do desenvolvimento é o poder público, o financiamento público, bancos e fundos públicos que devem advir de uma tributação mais justa, com reforma tributária sobre grandes fortunas, lucros e dividendos.

Participaram da live, também, os ex-presidenciáveis Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da educação, a ex-ministra do Meio Ambiente (Rede), Marina Silva, e a ex-deputada federal Manuela D'Ávila. Entre os parlamentares, marcaram presença o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), a deputada e presidente do PT, Gleise Hoffmann, além do presidente da Ordem dos Advogados do brasil, Felipe santa Cruz.