Politica

Apelo a empresários e ataque a governadores

Bolsonaro instiga representantes da indústria a %u201Cjogarem pesado%u201D contra gestores estaduais que estariam %u201Ctentando quebrar a economia para atingir o governo%u201D ao adotar isolamento social. Presidente da Fiesp diz que setor %u201Cestá alinhado com a política econômica%u201D do Planalto

postado em 15/05/2020 04:12
Na reunião remota com empresários, Bolsonaro pregou que %u201Cnós devemos buscar cada vez mais rápido abrir o mercado%u201D e disse que o Brasil está em %u201Cguerra%u201D


Na ânsia pela retomada das atividades econômicas no Brasil em plena pandemia da covid-19 ; que já matou quase 14 mil pessoas no país ;, o presidente Jair Bolsonaro apelou a empresários para que eles ;joguem pesado; contra os governadores que têm adotado medidas de isolamento social mais rígidas. Em videoconferência com cerca de 50 representantes da indústria, o chefe do Executivo equiparou o momento do país a uma ;guerra; e reclamou de gestores estaduais que estariam ;tentando quebrar a economia, para atingir o governo;. Ao pedir ajuda à classe, ele ouviu dos empresários a promessa de ;começar a abrir o comércio com responsabilidade;.

Como de costume, Bolsonaro usou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), como principal alvo e reclamou que boa parte dos líderes dos estados estejam ;partindo para a desobediência civil; por não seguirem os decretos do governo federal que definem quais atividades são essenciais em meio à crise sanitária. Enfaticamente, o presidente pregou que ;nós devemos buscar cada vez mais rápido abrir o mercado; e voltou a defender que vida e desemprego são assuntos ;que deviam ser tratados da mesma forma, com a mesma responsabilidade;.

;O que parece que está acontecendo é uma questão política, tentando quebrar a economia para atingir o governo. E essa medida sobre São Paulo, ameaça de ;lockout; (ele quis se referir a lockdown), ou seja, um apagão total, é inimaginável;, disparou. ;Um homem está decidindo o futuro de São Paulo, está decidindo o futuro da economia do Brasil. Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra. É o Brasil que está em jogo.;

Bolsonaro também comentou que, se dependesse da vontade dele, nunca teria implementado medidas de isolamento social. ;O governo federal, se depender de nós, está tudo aberto com isolamento vertical, e ponto final. Os governadores assumiram cada um a sua responsabilidade, houve uma concorrência entre muitos para ver o que fechava mais;, criticou, alertando que ;nós estamos vendo o navio chamado Brasil indo em direção ao iceberg e um esperando o outro fazer alguma coisa;.

Na reunião virtual, também houve ataques ao Congresso. Bolsonaro chegou a dizer que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ;parece que quer afundar a economia para ferrar o governo e, talvez, tirar proveito político lá na frente;, sobretudo por ele ter entregado ao deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) a relatoria da Medida Provisória (MP) 936, que permitiu a suspensão do contrato de trabalho e a redução da jornada de trabalho, com a redução proporcional do salário. ;Quando se bota alguém do PCdoB... Só no Brasil mesmo, o Partido Comunista do Brasil falar em democracia e liberdade do trabalho. Então, a tendência é a gente afundar mesmo.; Horas depois desse ataque, Maia encontrou-se com o presidente e disse que eles precisam ;encontrar pontos que os unem; (leia reportagem na página 4).

;Alinhamento;
Responsável por promover a reunião, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, colocou à disposição de Bolsonaro ;todas as forças produtivas do país; e garantiu que os empresários vão atender aos pleitos do governo federal. Ele destacou que o setor ;está alinhado com a política econômica do governo;.

O empresário se comprometeu em ;conversar com as lideranças do Congresso e as presidências das Casas para que as coisas que interessam ao Brasil sejam aprovadas;. ;Talvez, a gente tenha de encontrar um caminho de entendimento, de um alinhamento, de uma harmonia em torno de toda as cautelas da saúde, mas haver uma retomada (da economia) com toda a responsabilidade. Em momentos de guerra e atípicos como este, não basta fazer o máximo. Tem de fazer mais do que o máximo;, disse o apoiador de Bolsonaro, filiado ao MDB e já concorreu três vezes ao governo de São Paulo.

Em mais um aceno ao presidente, Skaf condenou que ;pessoas radicais de alguns estados; estejam travando a atividade produtiva e que há uma ;descentralização e falta de alinhamento; entre os entes federativos. ;Nós vamos nos empenhar ao máximo em encontrar caminhos com criatividade;, ressaltou. ;Vamos procurar ajudar o Brasil a sair desta situação o mais rapidamente possível com o menor prejuízo possível aos brasileiros. A sua vontade é a nossa vontade também, presidente.;

Doria rebate
O governador de São Paulo, João Doria, emitiu nota, ontem, na qual afirma que o presidente Jair Bolsonaro ;despreza vidas;. ;Hoje (ontem), mais uma vez, o presidente da República perde a chance de defender a saúde e a vida dos brasileiros. São Paulo está lutando para proteger vidas. O presidente Jair Bolsonaro despreza vidas. Ele prefere fazer comícios, andar de jet ski, treinar tiros e fazer churrasco;, disparou. ;Enquanto isso, milhares de brasileiros estão morrendo todos os dias. Acorde para a realidade, presidente Bolsonaro. Saia da bolha de ódio e comece a ser um líder, se for capaz;, afirma o tucano no texto.

;Se a crise econômica fosse causada pelos governadores, por que ela existe em outros países? Quem está causando a grave crise econômica é o coronavírus. Incrível que Bolsonaro finja ignorar isso. E a responsabilidade da gestão econômica é dele. Se não sabe o que fazer, renuncie;

Flávio Dino,
governador do Maranhão


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