Politica

Troca de ministro causa insegurança sobre próxima escolha de Bolsonaro

Senadores dizem que há o receio de que a troca possa prejudicar o combate ao coronavírus

Luiz Calcagno
postado em 15/05/2020 16:27
Vice-líder do Cidadania, senador Alessandro Vieira (SE) destacou justamente a busca de bolsonaro por um ministro que seja contrário ao isolamento social e favorável ao medicamento cloroquinaEntre senadores, a saída de Nelson Teich repercutiu mal. Além da mensagem de instabilidade política que perdura no governo, há o receio de que a troca possa prejudicar o combate ao coronavírus. E tanto no Senado quanto na Câmara, há uma ideia geral de que Jair Bolsonaro demitiu dois chefes de pasta que se recusaram a aderir a uma postura anticientífica, e fica o receio de que o chefe do Executivo procure por um soldado que o obedeça cegamente e que assuma a postura negacionista.

O vice-líder do Cidadania, senador Alessandro Vieira (SE) destacou justamente a busca de bolsonaro por um ministro que seja contrário ao isolamento social e favorável ao medicamento cloroquina, que é apontado como possível tratamento para o coronavírus, mas ainda sem respaldo científico. ;O grande sinal é de que o Jair Bolsonaro está procurando um médico fanático, um charlatão disposto a endossar protocolos não aceitos pela ciência, ou um cumpridor de ordens que pode ser um militar fardado ou integrante do centrão;, criticou.

O vice-líder destacou que a legenda pretende acompanhar, de forma ativa, a escolha do próximo ministro da Saúde, para evitar políticas negacionistas. ;Estamos discutindo, no Senado, quais mecanismos dispomos para acompanhar isso de forma ativa. É claro que o presidente não tem ideia do que é urgente fazer pelo cidadão. Ele perde todo o tempo que tem criando teorias conspiratória de internet ou protocolos milagrosos que não são aceitos pela ciência;, completou Vieira.

Ex-aliado de Bolsonaro, o líder do PSL, senador Major Olimpio (SP), lembrou que já tinha previsto a saída do ministro, caso ele adotasse uma postura científica no combate ao coronavírus. ;Eu não sou pitonisa, mas no dia que ele tomou posse, eu disse que para que ele pudesse ficar mais de 30 dias, teria que rasgar o diploma. Hoje, só constatei que ele optou pela ciência e pela medicina. Para comungar da postura do presidente sobre isolamento e cloroquina, eu dúvido que alguém que não seja um lunático ou curandeiro vá topar assinar cegamente essas posições em relação à pandemia;, avaliou.

Ele considerou a troca de chefia como ;lamentável;. ;Em um cenário muito ruim, teremos três ministros no espaço de um mês. Isso passa mais insegurança para a população. O ministro nunca foi considerado pelo presidente, e ele, na sua humildade, tomou conhecimento do decreto liberando salões, barbearias e academias pela imprensa. Mas, fez opção pela história de vida e pelo diploma. E o próximo que vier, ou vai ser um burocrata para fazer ipsis litteris, ou será trocado também;, criticou Major Olimpio.

[SAIBAMAIS];Quando o estrategista erra o soldado morre. A estratégia do governo, a partir do presidente, ainda pode piorar a nossa situação. E a corda arrebenta do lado mais fraco, que é o da população, e da parte menos assistida, que depende do SUS para ter um atendimento de saúde adequado. É lamentável;, completou.

Por meio de nota, o senador José Serra (PSDB-SP) afirmou que a saída do ministro expôs uma crise institucional que atinge o Brasil. ;A saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde, menos de um mês após assumir a pasta, expõe a gravidade da crise institucional que atravessamos no país. Bolsonaro nega a ciência, ignora todas as recomendações da academia e a experiência mundial, colocando em risco a vida de milhões de brasileiros. De fato, o presidente é hoje a maior ameaça à saúde pública do Brasil;, divulgou.

Vice-líder do governo no Senado e líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), defendeu o direito de Bolsonaro de trocar o ministro, e destacou que foi uma iniciativa voltada para solucionar problemas, e não para causá-los. ;Eu vejo como uma troca de ministros que é prerrogativa do presidente. E a decisão do ministro tem que ser respeitada. Ele não quis continuar no cargo. É uma troca importante em um momento decisivo, mas que temos que encarar com espírito de solução. É partir pra cima e resolver;, argumentou.

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