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Teich alertou Bolsonaro sobre ter que mostrar controle da covid-19

No encontro com outros ministros, Teich explicou que é necessário mostrar que o governo tem uma estratégia para trabalhar a doença e mostrar que o governo não é um ''barco à deriva''

Maria Eduarda Cardim
postado em 22/05/2020 21:08
No encontro com outros ministros, Teich explicou que é necessário mostrar que o governo tem uma estratégia para trabalhar a doença e mostrar que o governo não é um ''barco à deriva''No vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado nesta sexta-feira (22/5) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro da Saúde Nelson Teich alertou ao presidente Jair Bolsonaro a necessidade de mostrar a população que o governo tinha controle da covid-19. Teich tomou posse cinco dias antes da reunião, em 17 de abril.

;A saúde ela é fundamental porque enquanto a gente não mostrar para a sociedade que a gente tem o controle da doença, da saída dela, qualquer tentativa econômica vai ser ruim, porque o medo vai impedir que você trate a economia como uma prioridade. Então controlar a doença hoje é fundamental;, afirmou em sua primeira e única participação na reunião com os ministros de Bolsonaro.

No encontro com outros ministros, Teich explicou que é necessário mostrar que o governo tem uma estratégia para trabalhar a doença e mostrar que o governo não é um ;barco à deriva;. ;Controlar a doença não significa que a gente vai curar a doença em uma semana, mas que a gente não é um barco a deriva e que a gente tem uma estratégia para trabalhar essa a doença, né?;, afirmou o ex-ministro.

Em outro momento, o ministro do Desenvolvimento, Rogério Marinho, pergunta se Teich tem perspectivas para apresentar um plano de transição para saída do isolamento. "Na verdade a gente tá correndo contra o tempo. Enquanto a gente não conseguir controlar a percepção que a gente hoje tem condição de cuidar das pessoas, vai ser difícil, né?", respondeu o médico oncologista.

Demanda reprimida

[SAIBAMAIS]Durante a reunião, Nelson Teich ainda fez um alerta ao presidente sobre um ;problema adicional;, que seria a demanda reprimida de outras doenças que não estão recebendo a atenção por causa do foco à covid-19.

;O que que tá acontecendo hoje? Vamos botar em número. Hoje, (imagine) que a gente tenha quatro milhões de pessoas com a covid. Brasil hoje tem 212 milhões de pessoas. Tem 208 milhões que não estão tendo atenção necessária. É câncer, cardiovascular. Isso tudo tá represado, é demanda reprimida. Quando você controlar a covid, o ;não covid]; vai chegar com tudo, e você pode pegar uma estrutura sucateada. Ai você só vai transferir o problema de medo. [...] A gente tem que preparar pra essa segunda fase que vai chegar também;, disse.

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