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Correio Braziliense

Cloroquina: Bolsonaro diz preferir derrota a 'vergonha de não ter lutado'

Apesar da falta de comprovações científicas sobre eficácia do medicamento, presidente quer arriscar na droga como forma de tratamento à covid-19


postado em 22/05/2020 21:36

(foto: SERGIO LIMA/AFP)
(foto: SERGIO LIMA/AFP)
A favor da utilização da cloroquina no tratamento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro disse que vai continuar defendendo a aplicação do medicamento, mesmo que ele não tenha eficácia cientificamente comprovada no combate à covid-19. Para o mandatário, “pior que a dor da derrota, é a dor da vergonha de não ter lutado”.

Nesta sexta-feira (22/5), em entrevista à Rádio Jovem Pan, ele disse saber da carência de resultados efetivos da droga em pessoas diagnosticadas com a doença. Mesmo assim, o presidente não pretende desistir da propaganda à cloroquina. 

“Assim como na guerra do Pacífico. O soldado americano chegava ferido e não tinha como fazer transfusão de sangue porque não tinha doador. Ele começou a meter água de coco na veia do cara. Se fosse experimentar comprovação científica da água de coco na transfusão, teria morrido centenas milhares de pessoas. Aqui, é a mesma coisa. Temos que tentar”, disse Bolsonaro.

O presidente acrescentou que, se daqui a dois anos se chegar à conclusão de que a cloroquina salvou a vida de muitos contaminados pelo novo coronavírus, ele “não vai ficar com a consciência pesada por conta disso”. Entretanto, caso seja constatado que o medicamento é teve um “efeito placebo” ou que é uma “pílula de farinha de trigo”, ele não vai lamentar a escolha.

“Pior que a dor da derrota, é a dor da vergonha de não ter lutado. Eu me expus há dois meses pela cloroquina. Era o que nós tínhamos. Se aparecer agora em qualquer país do mundo tal remédio comprovado cientificamente, a gente vai fazer de tudo para buscar esse remédio para dar para o nosso povo aqui. Enquanto isso não acontece, cloroquina na turma”, afirmou.

Nesta sexta, foi divulgada uma pesquisa realizada com 96 mil pacientes que revelou que a hidroxicloroquina e a cloroquina não combatem a covid-19. O estudo mostrou ainda que o uso do medicamento pode causar arritmia cardíaca e morte em pacientes hospitalizados diagnosticados com o novo coronavírus.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, observou 96.032 pacientes internados em 671 hospitais de seis continentes, e mostrou que as pessoas tratadas com os medicamentos apresentavam maior risco de morte quando comparadas àquelas que não receberam a substância. A idade média dos pacientes, internados entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020, é de 53,8 anos. 



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