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Correio Braziliense

Weintraub cita isolamento e volta a comparar inquérito do STF com nazismo

Ministro da Educação voltou a fazer comparação, mesmo após manifestação de entidades judaicas. Ele usou imagem do Levante do Gueto de Varsóvia, na Polônia


postado em 28/05/2020 11:40 / atualizado em 28/05/2020 11:57

(foto: Divulgação/Portal do MEC)
(foto: Divulgação/Portal do MEC)
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, voltou a comparar a ação da Polícia Federal no âmbito do inquérito das fake news, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o nazismo. Na manhã desta quinta-feira (28/5), o ministro comparou também o genocídio de judeus com medidas restritivas de isolamento durante a pandemia do novo coronavírus.

"Primeiro, nos trancaram em casa. Depois, brasileiros honestos buscando trabalho foram algemados. Ontem, 29 famílias tiveram seus lares violados! Sob a mira de armas, pais viram suas crianças e mulheres assustadas terem computadores e celulares apreendidos! Qual o próximo passo?", escreveu.

Junto com o texto, Weintraub publicou uma imagem famosa do Levante do Gueto de Varsóvia, na Polônia, em 1943. Ato foi uma revolta armada de judeus que buscaram resistir à ocupação nazista em uma região considerada como a de maior quantidade de judeus na Europa durante o período de ocupação alemã.

A manifestação de Weintraub acontece mesmo depois de associações judaicas manifestarem seu repúdio a uma publicação feita por ele na última quarta-feira (27/5). Na ocasião, o ministro publicou também em seu Twitter. "Hoje foi o dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? Sieg Heil!". 



'Sieg Heil' trata-se de uma saudação nazista e Noite dos Cristais foi uma onda de agressões a judeus na Alemanha e na Áustria. Sobre isso, o Comitê Judaico Americano publicou em seu Twitter: "Chega! O reiterado uso político de termos referentes ao Holocausto por oficiais do governo brasileiro é profundamente ofensivo para a comunidade judaica e um insulto às vítimas e aos sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente". 

A afirmação do comitê se dá pelo fato de esta não ser a primeira vez que um ministro do governo Bolsonaro faz uma referência ofensiva ao genocídio de judeus. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comparou as medidas de isolamento com os campos de concentração nazistas. O ministro também defendeu que o nazimo foi um fenômeno de esquerda.

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