Publicidade

Correio Braziliense

Embaixada da China fala sobre relação bilateral entre o país e o Brasil

Yang Wanming realizou uma live sobre comércio bilateral entre Brasil e China para mandar um recado aos críticos do país asiático


postado em 05/06/2020 16:44

(foto: RomuloSerpa/CNJ)
(foto: RomuloSerpa/CNJ)
O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, dedicou parte do tempo de uma live sobre comércio bilateral entre Brasil e China para mandar um recado aos críticos do país asiático. Ele tocou no assunto após ser interpelado por jornalistas sobre os ataques de membros do governo federal contra o maior parceiro comercial do país. Entre esses críticos, está o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que tem disparado contra os asiáticos com frequência e chegou até mesmo a ser acusado por adversários de racismo. 

Yang Wanming começou a resposta afirmando que não gostaria de fazer comentários a respeito. Em seguida, destacou que existem críticas, mas que existem muito mais histórias comoventes de solidariedade e ajuda mútua entre as duas nações, bem como “apelos de vários setores da sociedade brasileira para vencer as dificuldades do momento”.  “É um consenso amplo e sólido entre os dois grupos que devemos preservar e desenvolver da melhor forma as relações de cooperação amistosas entre China e Brasil. Ao mesmo tempo, aconselhamos aos crítico contumazes a considerarem mais os sentimentos dos dois povos e os interesses gerais da parceria e amizade entre os dois países”, destacou. 

O embaixador também pediu que esses críticos tenham um olhar a longo prazo, tanto para o passado, pois as relações entre os dois países são históricas, quanto em direção ao futuro, pois há espaço para desenvolvimento e cooperação entre os países. “Com olhar amplo e vista longa é que se mede a passagem do tempo. É importante uma perspectivas de longo prazo. A pandemia é problema transitório. Temos uma parceria robusta com enorme potencial e a amizade e cooperação dos dois países são fruto do esforço de várias gerações. Em vez de prejudicar, temos que fazer nossa parte para favorecer esses laços de amizade entre os dois povos”, afirmou.

O maior representante da China no Brasil destacou, ainda, que o país, o maior país asiático está pronto para aprofundar as relações bilaterais. “A parte chinesa está pronta para trabalhar com o governo brasileiro e os diversos setores da sociedade a fim de aumentar a confiança mútua e expandir as cooperações bilaterais, aprofundá-las e crescer de maneira contínua, com benefício aos dois povos. A parte chinesa, temos a confiança de que vamos ver com uma vista longa. Para manter a amizade e cooperação entre China e Brasil, aprofundando e consolidando”, disse.

Relação pós pandemia

O debate online contou com a participação de economistas, pesquisadores e da imprensa, e tratou das relações Brasil-China pós pandemia. O embaixador chinês começou o evento falando da capacidade da China de se recuperar da pandemia. Destacou, inclusive, que o consumo no país asiático voltou a crescer. “A pandemia não vai mudar as características básicas da economia chinesa. A China tem capacidade de neutralizar os riscos. Graças aos amplos esforços do governo e do povo, conseguimos controlar a propagação do coronavírus no país. Atualmente, mais de 99% das principais empresas mundiais já retomaram a produção, e 95% dos funcionários já voltaram ao trabalho. O índice de transferência e de compras permaneceu acima do limiar da expansão”, afirmou.

Na sequência, Yang Wanming passou a falar sobre os planos internacionais do país, em fortalecer as relações com outras nações e garantir a contuinuidade do paradigma de um mundo mais aberto. “A custa de muitas vidas humanas, a pandemia nos mostrou que vivemos em uma aldeia global. É hora de superar as diferenças de história e cultura para construir um futuro compartilhado para a humanidade. Estamos colocando esse conceito em prática com ações concretas . Nos últimos meses fornecemos capacidade técnica para mais de 160 países, entre elas, videoconferência para profissionais da saúde brasileiros no combate ao covid. Enviamos 26 equipes médicas para 24 países. 250 milhões de roupas de proteção e milhões de máscaras”, elencou.

“Vamos continuar com nossas cooperação com o Brasil e toda a comunidade internacional. Não buscamos vantagens geopolíticas ou geoeconômicas. O objetivo é fazer o que estiver ao nosso alcance para salvar mais vida e ajudar a humanidade a vencer a pandemia o mais rápido o possível. A China vai avançar no desenvolvimento pacífico e cooperação ganha-ganha. A China vai persistir nos princípios da paz, desenvolvimento, cooperação, e continuará empenhada em desenvolver a amizade e parceria com os países na defesa dos objetivos da paz mundial”, acrescentou.

Sobre a relação com o Brasil, o embaixador destacou que ainda existe muito espaço para aprofundar o comércio bilateral, incluindo a criação de um livre comércio entre as duas nações ou com o Mercosul. “No tocante ao comércio bilateral, a China vem se mantendo, nos últimos 15 anos, maior parceiro e destino de exportação do Brasil. O Brasil é o único país cda América Latina com comércio de US$ 7 bilhões. Em 2020, o comércio bilateral registrou alta de 3,5%, e o Brasil vendeu quase 11% a mais que no mesmo período que o ano passado, incluindo soja, minério de ferro, celulose e outros”, afirmou o representante.

“Não foi fácil conseguir esse resultado, mas demonstra que a pandemia não abalou o fato que nosso comércio é complementar e tem enorme potencial. Haverá mais espaço na china para a compra de produtos e serviços de qualidade do Brasil. Vai crescer de forma estável nossa demanda por produtos brasileiros. Frutas, laticínio, proteína animal e café”, garantiu. Yang Wanming também lembrou que as duas nações tem elaborado estudos propositivos para aprofundar as relações.

Outro tema abordado foi a relação entre China e Estados Unidos e como isso pode afetar as relações do país asiático com o Brasil. O embaixador destacou que as disputas comerciais entre as duas nações caminham para a estabilidade, o que, por si só, seria positivo para o brasil, e que os EUA não atendem o comércio chinês na mesma extensão que as commodities brasileiras.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade