Politica

Rodrigo Maia volta a descartar impeachment de Bolsonaro

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado afirmou que é momento de unificar o país e combater o coronavírus

Luiz Calcagno
postado em 10/06/2020 19:14
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado afirmou que é momento de unificar o país e combater o coronavírusO presidente da Câmara, Rodrigo (DEM-RJ), voltou a descartar a possibilidade de um impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado afirmou que é o momento de unificar o país e combater o coronavírus. Ele também se disse contrário a qualquer tipo de manifestação quando a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é o isolamento social. Sobre sua relação com Bolsonaro, disse que ;melhorou muito;, e que as reuniões com o presidente "são sempre muito positivas". "Tem conflitos e cada um precisa defender sua instituição, a Constituição e trabalhar com harmonia", afirmou.

O parlamentar destacou ainda que lidar com o tema exige isenção e equilíbrio. ;Não é hora de discutir impeachment, mas a união do Brasil, salvar vidas e empregos. Sempre fui contra aglomeração nesse momento que vivemos e não posso se a favor de manifestações, que aceleram a contaminação e a perda de vidas. Primeiro, temos que tratar da pandemia, das vidas e dos empregos. E é uma posição que eu tenho que ter muito cuidado, isenção e equilíbrio;, afirmou.

;Nesse momento, temos que unir esforços. Estamos chegando a perda de 40 mil vidas. E esse número ainda vai crescer nos próximos meses. O seguro desemprego passou de 1 milhão de beneficiários, e vamos chegar a uma taxa de 18% (de desempregados). Temos um mundo polarizado. Todos aqueles que entende que o diálogo e respeito ao contraditório, que são a maioria da população, é fundamental, precisam estar focados nesse objetivo, para termos menos mortes e perda menor desempregos no nosso país;, acrescentou.

Ainda no tema, Maia diz que sofre pressões diversas de diferentes setores da sociedade, mas reiterou a necessidade de focar no combate ao coronavírus. ;Eu me sinto pressionado. Acompanho redes sociais, telejornais, rádios. Tem pressão para todos os lados. Talvez por ter passado por momentos tão difíceis como esse, talvez eu tenha a experiência que eu não tinha em 2017;, analisou.

;Pressão precisa existir. Não o radicalismo. E vou filtrando as informações e criando o meu convencimento, ouvindo deputados, deputadas, assessores, a sociedade, vendo notícias. Como o Ciro (Gomes) falou, eu concordo, nosso objetivo é o enfrentamento à pandemia. E as questões políticas ficam para um segundo momento. Precisamos unificar, convergir. É muito importante buscar o que nos une. Em um segundo momento, um movimento contra ou pró Bolsonaro pode crescer ou não. Isso é outro momento. A gente não pode olhar 2022 no meio de uma pandemia que matou quase 40 mil pessoas e o número ainda vai crescer nos próximos meses;, alertou.

Maia também comentou a polêmica da divulgação dos dados de mortos e contaminados por coronavírus. Disse que o governo tem o direito de mudar o modelo, mas não pode sumir com os dados. ;Falei com o ministro. Da forma que ficou colocada, a impressão é que havia interesse de se manipular os dados. O ministro voltou a usar os dados anteriores. Isso nos dá conforto. O governo pode mudar e mostrar porque um modelo é melhor que o outro. Agora, desaparecer com um modelo e aparecer com outro, corre o risco, como disse a deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), de parte dos números sumir, e isso gerar um problema de comunicação e de insegurança;, disse.

Outro tópico tratado na entrevista foi a interferência entre os poderes. Maia tocou no assunto pela primeira vez ao comentar a necessidade de união do país, também, para enfrentar a crise econômica pós coronavírus. ;Precisamos de uma coordenação através da presidente da República. Não somos um país rico e vai ser importante conseguir essa união. No julgamento do Supremo, dos limites de cada poder, ficou claro que o poder de coordenar é do governo federal. Ninguém pode suprir o papel do governo federal;, refletiu.

Posteriormente, questionado sobre as ações do STF e a fala do vice-presidente, Hamilton Mourão, de que os ministros estariam extrapolando suas funções, Maia voltou ao tema. ;Do ponto de vista concreto, todos estão respeitando (os demais poderes). No discurso, alguns estão derrapando. Falando além do que deveriam do que é o seu papel. Se há por parte do vice Mourão o ponto de vista que o STF está passando dos limites, cabe recurso. Cabem duas vias, o recurso ou as leis. O recurso ao Supremo de uma decisão do ministro é legítimo, democrático e pode acontecer;, apontou.

;Se há, do ponto de vista do governo, algum limite ultrapassado pelo sSupremo, é muito simples. Se recorre ao plenário e resolve esse conflito, para saber qual é a posição da maioria dos ministros no caso de qualquer ação ou decisão do STF. O poder moderador no Brasil é feito nessa organização dos freios e contrapesos. Se o governo acha que tem uma lei que está distorcendo, gerando desemprego, tem o poder de modernizar a lei, de mudar a lei com apoio majoritário do parlamento. Esse são os caminhos;, elencou.


Batalha pelo Centrão

Questionado sobre a aproximação de Bolsonaro com o chamado Centrão, Maia destacou a função que exerce como presidente da Câmara. ;O presidente da Câmara não tem o papel de ser o contraponto do presidente. Os poderes tem que ter harmonia. No ano passado, quando o governo quis impor a pauta, eu disse que não, que a pauta da Câmara é feita ouvindo o governo, mas, uma coordenação entre o presidente da Casa e os líderes, deputados e deputadas;, argumentou.

;No que cabe ao parlamento, estamos trabalhando. Fizemos a CPMI das fake news. Votamos projetos, muitos do governo, muitos que o governo diverge, é temos feito as críticas corretas. Nesse mundo radical, a gente não vai ganhar nunca, e quem vai perder são a maioria dos brasileiros, preocupados com a saúde de suas famílias, e com empregos, renda, melhoria da qualidade do SUS. É disso que a maioria dos brasileiros estão preocupados;, destacou.

Nesse ponto da entrevista, Maia passou a falar também sobre a polarização política. ;Nesse mundo radical, a gente respeita e avalia o ponto de vista de todos, mas é uma briga entre extrema direita e extrema esquerda, e que não tem levado o Brasil a um bom caminho. O caminho que gera unidade é do diálogo, equilíbrio e centro democrático, para que possamos reformar as instituições, melhorar qualidade de serviço e do gasto público. A desigualdade é grande, a qualidade da educação pública está aquém do preciso para competir com o filho de uma família da elite. Tenho certeza que o equilíbrio é o caminho correto, ouvir a todos, senadores, governadores, Supremo e a sociedade;, opinou.

;A maioria da sociedade está na agenda de passar por esse momento difícil e construir, unidos, o caminho para a retomada do desenvolvimento. Não vejo problema que tenhamos gastos públicos. Mas não podemos continuar vendo a diferença de escola pública para privada, do hospital público para o privado. Esse é o objetivo de toda uma nação, e é disso que temos que nos preocupar. O debate do radicalismo não leva o Brasil, os Estados Unidos, a Itália, a lugar nenhum. O ambiente das redes sociais, nos próximos anos, vai ser muito mais de convergência que de divergência;, avaliou.


Fake news

Maia demonstrou apoio ao combate às fake news, mas não quis comentar sobre o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral contra a chapa do presidente da República e na investigação do Supremo Tribunal Federal. ;Como alvo das fake news nos últimos 12 meses, tanto a CPI quanto o inquérito do STF tem papel fundamental para a nossa democracia. Não dá pra ter uma estrutura de financiamento de informações falsas. Há um ambiente de pessoas financiando a desqualificação das pessoas em todos os campos, e esse enfraquecimento gera na sociedade uma posição, gerou mais no passado e menos agora, mas isso enfraquece os sistema democrático e instituições democráticas;, disse.

[SAIBAMAIS];Sempre defendi que a CPMI volte a funcionar e cumpra o seu papel. Nós precisamos organizar o futuro e cabe ao Supremo julgar o passado, e não cabe a mim discutir se o TSE deve, ou não, aceitar as provas, mas em relação ao inquérito das fake news, sempre defendi e vou continuar defendendo o trabalho do Congresso. O mundo radical faz ameaças. Mas a polícia tem investigado. Por enquanto, esses radicais ficaram nos conflitos nas redes sociais. O que acontece comigo, eu mando pra Justiça. Por isso é importante compreender o caminho e o recurso que chega para viralizar as notícias falsas no brasil;, afirmou.


Rio de Janeiro

Maia também comentou a briga entre o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e o presidente da República, e a operação da Polícia Federal contra Witzel, que foi anunciada pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) que, em tese, não deveria ter conhecimento da ação. Para o deputado, ou a informação vazou, ou Zambelli tem uma ;bola de cristal;. ;Eu sempre disse aos governadores que o papel deles não é ser oposição ao presidente. Isso nunca funcionou no Brasil. O correto é que quem ganhou para ser executivo tenha uma relação de harmonia e independência entre poderes e entes federados. O ideal é reduzir esses conflitos e trabalhar com um único objetivo que é o fim da pandemia;, insistiu.

;Eu acho que é natural que uma operação que envolva um governador, o presidente da República receba a informações, não do conteúdo, mas do que pode acontecer. E certamente, entre o diretor da PF, o ministro e presidente, alguém vazou a informação para a deputada. É ruim para o investigador ter uma operação antecipada. O investigado pode sumir com provas. Não é o correto. Uma operação que vá atingir o governo, o presidente, algumas horas antes, recebe a info. Isso (que aconteceu) foi muito ruim. A PF executa ordens do STJ, mas na hora de montar a informação, eles passaram a para alguém do governo e o MP deve investigar esse vazamento. Se não houve vazamento, ela tem bola de cristal. Uma coisa ou outra;, ironizou.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação