Politica

Bolsonaro manda recado ao Supremo: "Estou sendo complacente demais"

O presidente ainda fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF que apura a produção de notícias falsas e ofensas contra magistrados da Corte

Augusto Fernandes
postado em 16/06/2020 06:00
Jair Bolsonaro, presidente da República: O presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar do Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão da Corte que impediu a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal. De acordo com o chefe do Palácio do Planalto, isso representou ;mais uma brutal interferência do STF no Executivo, não podemos concordar com isso;.

Em um recado à Suprema Corte, Bolsonaro disse estar ;sendo consciente e complacente demais;. ;Não quero dar soco na mesa e afrontar ninguém, mas peço que não afronte o Poder Executivo;, enfatizou, em entrevista à BandNews. ;Não queremos medir força com ninguém. Nós queremos administrar e conduzir o Brasil a um porto seguro. Afinal de contas, têm muitas incertezas no ar;, acrescentou.

Bolsonaro ainda fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF que apura a produção de notícias falsas e ofensas contra magistrados da Corte. No fim de maio, Moraes pediu que apoiadores do chefe do Executivo e parlamentares pró-governo fossem investigados.

;É um inquérito que serve para o interesse apenas dele. Ele é vítima, ele interroga, ele julga e ele condena. Isso não é justo, no meu entender, porque está à margem da legislação brasileira. Isso é um foco de atrito;, protestou. ;Até busca e apreensão foram realizadas na casa de 29 simpatizantes meus, nenhum da oposição. Isso não soa muito bem no Estado democrático de direito. Isso, obviamente, é um foco de atrito que o Supremo tem que superar.;

O chefe do Planalto também reclamou do ministro Celso de Mello, relator do inquérito que investiga se o comandante do Planalto interferiu politicamente na Polícia Federal. Mais uma vez, ele disse que o decano do STF não deveria ter divulgado a íntegra do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

;É inadmissível se externar, publicizar uma reunião de ministros quando se tratava de assuntos específicos. E eu disse nos autos que poderia explicitar o que eu falei, e não os outros. Lamentavelmente, o ministro Celso de Mello entendeu errado, e uma pequena crise está instalada no Brasil, que espero que seja mais rapidamente resolvida;, afirmou Bolsonaro, ao citar a polêmica criada pela fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que, por ele, ;botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF;.

Intervenção militar
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que ;não existe intervenção militar; no Brasil. ;Como darei um golpe se sou presidente da República e chefe supremo das Forças Armadas?;, questionou. De acordo com o chefe do Executivo, ;nós, os militares, jamais cumpriríamos ordens absurdas, mas também jamais aceitaríamos um julgamento político para destituir um presidente democraticamente eleito;. ;Nós, militares das Forças Armadas, que eu também sou, somos os verdadeiros responsáveis pela democracia neste país;, disse, na entrevista à BandNews. Para o presidente, a interpretação do ;artigo n; 142 (da Constituição Federal) não precisava que o ministro (do Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, monocraticamente, atendesse ao pedido do PDT, um partido que tem ligação com o Partido Comunista Chinês, para dizer qual é o papel das Forças Armadas;.

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