Politica

Queiroz pagou escola de filhas de Flávio e plano de saúde, segundo MP

Promotores investigam outros 116 boletos de escola e plano de saúde que somam R$ 261,6 mil pagos de origem alheia aos rendimentos do senador e sua esposa

Sarah Teófilo
postado em 19/06/2020 12:41
Flávio Bolsonaro com o seu ex-assessor Fabrício Queiroz.O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apontou em investigação que o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), pagou despesas pessoais do então chefe na época em que era deputado estadual. Alguns detalhes da investigação que resultou na prisão de Queiroz na última quinta-feira (18) estão na decisão judicial da 27; Vara Criminal do Tribunal de Justiça do RJ.

O documento foi obtido e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo. O juiz Flávio Itabaiana pontua que segundo investigação, além de pegar parte dos vencimentos de funcionários do gabinete, na prática conhecida como ;rachadinha;, Flávio também depositava valores na conta do chefe de forma fracionada, em valores menores, e fazendo ainda pagamentos de despesas pessoais de Flávio e de sua família.

[SAIBAMAIS]Segundo investigação, no dia 1; de outubro de 2018, Queiroz fez pagamentos em espécie de R$ 6.942,55 referentes às mensalidades das duas filhas do então chefe, e não foi identificado na conta de Flávio ou de sua esposa saques compatíveis aos valores.

O MP observou ainda uma diferença na mensalidade das meninas correspondente a 53 boletos bancários, cerca de R$ 153 mil, que foram pagos em dinheiro e que não foram oriundos das contas do casal. Neste caso, não foi apontado que Queiroz fez os pagamentos.

O mesmo se repetiu em relação ao plano de saúde da família de Flávio. Investigadores observaram valores correspondentes a 63 boletos (cerca de R$ 108,4 mil) pagos em dinheiro e de origem alheia aos rendimentos lícitos do casal. Somando os pagamentos da escola e do plano, chega-se a 116 boletos de R$ 261,6 mil.

O ex-assessor parlamentar é apontado como operador financeiro do esquema na Assembleia Legislativa do Rio entre abril de 2007 e 17 de dezembro de 2018 - data inclusive posterior a sua exoneração, que foi em outubro daquele ano. Segundo investigação, pelo menos 11 dos ex-assessores do gabinete tinham relações de parentesco, vizinhança ou amizade com Queiroz.

Em nota, a assessoria de imprensa do senador afirmou que ;trata-se de mais uma ilação de alguns promotores de ;injustiça; do Rio. ;O patrimônio do senador é totalmente compatível com seus rendimentos e isso ficará inequivocamente comprovado dentro dos autos;, pontuou.

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