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Correio Braziliense

PF prende secretária de Saúde do Amazonas por desvio de recursos

Operação do MPF e da PF mira também o governador do estado, Wilson Lima, mas não mandado de prisão contra ele


postado em 30/06/2020 11:13 / atualizado em 30/06/2020 12:02

(foto: Diego Peres/Secom)
(foto: Diego Peres/Secom)
A Polícia Federal prendeu temporariamente na manhã desta terça-feira (30/6) a secretária de Saúde do estado do Amazonas, Simone Papaiz, por suspeita de envolvimento em fraude no setor durante a pandemia do novo coronavírus.

A investigação aponta desvio de verbas federais por meio de contratação de empresa para fornecimento de respiradores, com compras superfaturadas com uma diferença que chegava a 133% do maior preço praticado no país durante a pandemia. 

 

Em um dos contratos, foi encontrada suspeita de superfaturamento de, pelo menos, R$ 496 mil. A Operação, chamada Sangria, cumpriu outras sete prisões temporárias, sendo uma delas em São Paulo. Também foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, sendo um deles no palácio do governo. 

 

O governador Wilson Lima (PSC) também é alvo da operação, tanto com busca e apreensão quanto com bloqueio de bens. Conforme investigação, o esquema tinha sua participação direta. Ele estava em Brasília, mas já retornou ao estado. 


Superfaturamento

Nas investigações, foi observado ainda que o estado comprou, com dispensa de licitação, 28 respiradores de uma importadora de vinhos. Conforme apurado, uma fornecedora de equipamentos de saúde, que havia firmado contrato com o governo estadual, vendeu respiradores à importadora de vinhos por R$ 2,480 milhões. Ela, por sua vez, no mesmo dia, revendeu os respiradores para o estado por R$ 2,976 milhões. 

 

Depois de receber o valor da venda, esta adega repassou integralmente o valor à organização de saúde em uma conta no exterior. O esquema é conhecido como "triangulação". A investigação conseguiu apurar ligação entre servidores públicos e empresários envolvidos na fraude. Foi identificado, ainda, direcionamento de contratação de empresa, lavagem de dinheiro e montagem de processos para encobrir os esquemas.

 

Segundo investigação, o superfaturamento dos respiradores totalizaram uma quantia de quase R$ 2 milhões sob suspeita de desvio. Além disso, os ventiladores mecânicos entregues ao estado não possuíam as especificidades técnicas necessárias para que fosse utilizado no tratamento médico.

 

Está sendo apurada suspeita de organização criminosa, corrupção, fraude de licitação, desvio de recursos públicos federais e lavagem de dinheiro. A ação é da PF em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), e apoio ainda da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB).

 

Em nota, o governo do Amazonas informou apenas "que aguarda o desenrolar e informações mais detalhadas da operação que a Polícia Federal realiza em Manaus para, posteriormente, se pronunciar sobre a ação". 

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