Politica

Secretário de Cultura de Bolsonaro evita deputados e foge de reunião

A reunião na Câmara estava marcada para a manhã desta terça-feira (30/6)

Luiz Calcagno
postado em 30/06/2020 15:31
 (foto: Reprodução/Instagram)
(foto: Reprodução/Instagram)
Mario FriasO secretário de Cultura do governo Bolsonaro fugiu da reunião com deputados federais marcada para a manhã desta terça-feira (30/6). A assessoria de imprensa do Ministério do Turismo, pasta que abriga a secretaria, informou que o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) ;foi notificado na última segunda-feira (29);, que Mario Frias não poderia comparecer. Porém, tanto Frota quanto a presidente da Comissão de Cultura, Benedita da Silva (PT-RJ), negam que tenham sido notificados até o fim da reunião. Pelo contrário. Dizem que não receberam e-mails e, sequer, uma mensagem de Whatsapp. A ausência foi ainda mais sentida pois o encontro de comissões por via remota está suspenso, e este precisou de autorização do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) para ocorrer.

;O secretário Mario Frias foi convidado. Desde o dia 25 ele deu o ok, inclusive no meu Whatsapp. Nós oficializamos ele via Câmara, com autorização do Rodrigo Maia, via Secretaria de Cultura. Cai por terra a desculpa que a Secretaria de Cultura está dizendo que ele não tinha agenda e que haviam informado, porque, nos quatro emails oficiais da Comissão de Cultura, no meu e-mail e no e-mail do meu chefe de gabinete, desde às 6h, até às 22h30 de ontem, não tem nenhuma notificação oficial, extra-oficial, recado, dizendo que o secretário não iria comparecer;, afirmou Frota à reportagem do Correio.

Frota mostrou prints de Whatsapp, em que chega a enviar o convite da reunião a Frias, que visualiza a mensagem. ;Hoje, pela manhã, enviei o link da reunião. Ele viu o link e não mencionou absolutamente nada. Não disse que não poderia e nem mandou email. Ele simplesmente sumiu;, criticou o deputado, que foi o responsável pelo convite e presidiu o encontro. Os integrantes da comissão de cultura tinham uma extensa pauta para debater com o novo secretário de Cultura.

;A gente não achou isso interessante, haja vista que ele precisava falar sobre diversas coisas, reforma na Lei Rouanet, o que ele pretende na gestão dele durante e pós pandemia, apresentar o plano nacional de cultura, falar sobre a Lei Aldir Blanc, aprovada, e que precisa de data para começar a atender a classe artística, o veto número 62, crise na Ancine, o que está acontecendo com a Ancine, como ele vai resolver, como ele vai resolver o problema na Fundação Palmares, porque existe um problema com a fundação. Como ele pretende organizar isso? Ele simplesmente sumiu;, elencou.

;A gente lamenta isso, e não foi, ao contrário do que a secretaria informou, não existe nenhum tipo de notificação nem no meu celular, nem no meu e-mail, nem no e-mail do chefe de gabinete e nem nos quatro e-mails da Comissão de Cultura, que foi quem organizou, insistiu Frota. ;O deputado federal Alexandre Frota foi notificado na última segunda-feira (29) da impossibilidade de comparecimento do secretário Mário Frias em virtude da incompatibilidade de agenda;, informou o Turismo por e-mail.


Na função de parlamentar


A presidente da comissão, Benedita da Silva, por sua vez, destacou que a intenção do parlamento não era fazer oposição, mas ouví-lo, que é uma função inerente à Casa. Diversos secretários passaram pelo governo e poucos compareceram ao Congresso, ela explicou.

;O que eu tenho a dizer é que o deputado Alexandre Frota fez um requerimento à mesa da presidência (para a sessão). Para que funcione qualquer reunião em comissão remotamente, é só com autorização do presidente da Casa. O presidente autorizou, pois entendeu de importância. Estaríamos conversando com o novo secretário as demandas da comissão de cultura do que temos pleiteado junto à secretaria. Houve mudança sucessivas de secretaria, e não dava nem tempo de falarmos, entendemos, e Frota, por ter uma relação de proximidade, disse que chamaria o secretário e faríamos o diálogo que já fizemos com todos os ministros, que nos atendiam, e colocamos a nossa posição e o ministro a dele. Não se trata de uma oposição;, afirmou.


Guerra de prazos


Um dos temas em debate seria a agilização do pagamento do auxílio para a classe artística durante o coronavírus. O governo afirma que não poderá pagar em 15 dias, e vetou o trecho do projeto que dá um prazo. Os parlamentares querem negociar. Ou o governo edita uma MP referendando o prazo, ou o tentarão derrubar o veto no plenário do Congresso. Outro veto é o de número 62 de 2019, que estende o prazo para utilização do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine) para 2024.

;Esse recurso não vai para Roberto Carlos, Ivete Sangalo, que tem recursos, mas para produtores, os que estão na coxia. O camarim não tem que estar funcionando? E a maquiadora? E você vai para o circo e não tem palhaço? Então há pressa para o repasse para a classe artística;, ressaltou a deputada.

Benedita insistiu na situação de Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares. O órgão existe para defender a cultura negra no Brasil, mas Camargo se mostra avesso à função e, dentre outras coisas, chamou o movimento negro de ;escória maldita;. ;Como o presidente da Fundação Cultural Palmares, que é negro, a fundação é para cuidar da cultura do povo negro, e ele é contra, e as conquistas têm sido colocadas para escanteio;, questionou Benedita.

[SAIBAMAIS];Nosso objetivo era cumprir o papel do parlamentar da Câmara. Ele não compareceu. Além de não comparecer, até a hora que concluímos o trabalho, pois aproveitamos a o encontro para falar de outros assuntos da comissão, ele não comunicou oficialmente para o Frota, que estava convidando, que não estaria. O que nos restou foi, a cada instante, comunicar que estávamos aguardando. A maioria da comissão estava esperando por ele, e solicitamos que fosse registrado em ata;, explicou a presidente da Comissão.

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