Publicidade

Correio Braziliense

Bolsonaro deve escolher novo ministro da Educação nesta semana

Avaliação é de que há urgência para definição de um nome, com cuidado redobrado para evitar mais desgastes


postado em 05/07/2020 18:15 / atualizado em 05/07/2020 18:35

(foto: Marcos Corrêa/PR)
(foto: Marcos Corrêa/PR)
O presidente Jair Bolsonaro deve escolher um novo ministro da Educação ainda nesta semana. A avaliação é de que desta semana, não pode passar. Neste domingo (5/7), o secretário da Educação e do Esporte do Paraná, Renato Feder, anunciou por suas redes sociais que estava rejeitando o convite que, segundo ele, foi feito pelo presidente na última quinta-feira (2). 

Segundo uma pessoa próxima ao presidente, no entanto, Bolsonaro já havia descartado o nome do secretário no final da semana. Ele sofria forte resistência da ala ideológica e militar. Feder também já pensava em não aceitar o convite, justamente devido às críticas que vinha sofrendo por governistas. O secretário é visto por pessoas destas alas como pouco conservador e destoante demais do perfil do presidente. 

Bolsonaro, então, estaria sendo orientado a buscar alguém conservador, alinhado com suas pautas. Mas, ao mesmo tempo, moderado, que saiba debater e não gere polêmicas a todo momento - como era o caso do ex-ministro Abraham Weintraub, que apesar de ser bem avaliado por esses grupos ideológicos do governo, passou a ter a permanência insustentável principalmente após a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. Na ocasião, ele disse que "botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”.  

Antes de descartar Feder - e ser ‘descartado’ por ele -, o presidente iria se reunir com o secretário do Paraná na segunda-feira. Agora, ele deve continuar a análise de currículos e se reunir com mais alguns nomes. Após a viagem a Santa Catarina no último sábado (4), onde sobrevoou áreas atingidas pelo “ciclone bomba”, um novo nome passou a ser avaliado: Aristides Cimadon, reitor da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). Outras pessoas também estão sendo analisadas. 

Cimadon informou em seu currículo na plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que possui graduação em Filosofia, Pedagogia, mestrado em Educação, Direito e doutorado em Ciência Jurídica. 


Militares


A avaliação é de que o presidente não deve escolher um militar desta vez. Ele analisa os currículos com cuidado, para evitar desgastes, como foi o caso de Carlos Decotelli, que ficou cinco dias no cargo e não chegou a ser empossado. Ele, indicado pela ala militar, disse que tinha doutorado e pós-doutorado, o que foi negado pelas universidades. 

Depois, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou uma nota dizendo que o ex-ministro, que não chegou nem a ser empossado, não era professor efetivo da instituição. No mesmo dia,  Decotelli foi demitido. Ele disse que a nota da FGV foi a gota d'água, e em diversas entrevistas a chamou de 'fake', apresentando imagens de prêmios de reconhecimento por seu trabalho concedidos pela própria Fundação.


Críticas


Diante de tantos ataques sofridos pela ala ideológica, Feder divulgou neste domingo, três horas antes de anunciar que havia recusado o convite do presidente, um texto em suas redes sociais com oito pontos, para esclarecer, segundo o secretário, informações falsas sobre ele. 

Dentre as questões, ele afirmou que “é falso que tenha havido divulgação de livros com ideologia de gênero no Paraná”. “Não existe nenhum material com esse conteúdo aprovado ou distribuído pela secretaria”, relatou. Feder disse, ainda, que nunca foi filiado a nenhum partido político, mas que respeita “a política como instituição legítima de discussão e resolução das questões da sociedade”. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade