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Correio Braziliense

Entenda o que a tomografia mostrou sobre o estágio da covid-19 em Bolsonaro

Apesar de ter testado positivo para o novo coronavírus, o presidente afirmou estar com os 'pulmões limpos'


postado em 07/07/2020 19:28

(foto: Agência Brasil/Divulgação)
(foto: Agência Brasil/Divulgação)
Depois de sentir os sintomas de COVID-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contou que fez uma “chapa no pulmão”, na última segunda-feira (6). “O médico da Presidência apontou para contaminação por COVID-19, fomos fazer uma tomografia (pulmonar) no hospital das Forças Armadas aqui em Brasília. Os pulmões estavam limpos. Ou seja, não tinham nada de opaco", relatou o presidente. Porém, na manhã desta terça-feira (7), Bolsonaro anunciou que testou positivo para o novo coronavírus. Afinal, o que esse resultado quer dizer?

Segundo o diretor médico da Axial em Belo Horizonte, Lenio Gavio, o resultado mostra que Bolsonaro está numa forma não complicada de contaminação. “O COVID-19 tem um dos principais acontecimentos relacionados ao pulmão. Na maioria dos pacientes que evoluem de forma grave, é recorrente o acometimento pulmonar. As formas leves de contaminação não geram uma alteração no pulmão”, explica.

A tomografia pulmonar é feita a partir de um equipamento de Raio-X onde a imagem resultante permite que o médico analise o pulmão e as estruturas que estão ao redor. No caso da COVID-19, o exame mostra uma imagem padrão que os médicos chamam de ‘vidro fosco’. “Você pede para o paciente segurar a respiração durante 20 segundos, então o ar, no resultado da de tomografia, é mostrado em preto dentro do pulmão. O vidro fosco, que é o caso da COVID-19, são essas pequenas áreas mais claras no meio dessa região escura”, explica Gavio.

“Na verdade, o ‘pulmão limpo’ traz a ideia de não haver as manchas brancas na hora do exame de tomografia pulmonar. Então, o caso do presidente seria um caso mais leve no contexto de que ele testou positivo para COVID-19 mas não teve um acometimento pulmonar”, completa o médico.

Gavio lembra da importância da tomografia pulmonar na hora de tratar o paciente. Segundo ele, o paciente que não tem o acometimento pulmonar, ou seja, que não está em um estágio avançado da doença, não precisa iniciar o tratamento contra a COVID-19. Entretanto, o presidente afirmou que começou o tratamento com utilizando hidroxicloroquina e azitromicina na última segunda-feira.

Apesar de a doença não parecer estar em um grau avançado, o médico afirma que o presidente precisa continuar com o acompanhamento médico para analisar sua evolução. “Uma testagem logo nos primeiros dias pode mostrar que o paciente não tem um acometimento pulmonar, o que pode vir, ou não, a acontecer ao longo da evolução”, afirma.

O médico lembra que o COVID-19 pode a baixar a imunidade e uma deficiência no mecanismo de defesa pulmonar. “Quando você identifica, na tomografia, essa situação específica de COVID-19, está sendo recomendado o uso de um antibiótico que tenha alguma ligação com o acometimento pulmonar, para evitar uma infecção secundária”, diz o médico.

Além disso, Gavio explica que os outros exames fazem uma análise da presença ou não do COVID-19. “A tomografia tem ajudado a identificar a gravidade da doença no paciente, como o caso do presidente. Outro objetivo é comprovar o estágio da COVID-19 naquele paciente, já que o resultado fica pronto em cerca de 10 minutos." Entretanto, o médico lembra que a tomografia é recomendada como forma de identificar a presença do vírus somente quando não há a possibilidade de fazer o teste RT-PCR. 

A tomografia pulmonar pode ser feita pelo Sistema de Saúde Único (SUS) ou em uma clínica particular, pelo valor médio de R$ 200. Segundo o médico, esse exame será realizado nos hospitais de campanha de Belo Horizonte.

*Estagiária sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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