Politica

Toffoli liga para militares e tenta conter crise após declarações de Gilmar

Presidente do Supremo entrou em contato com integrantes do núcleo militar do governo e ressaltou o apreço em relação às Forças Armadas

Renato Souza
postado em 13/07/2020 19:26
 (foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
(foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
Presidente do Supremo entrou em contato com integrantes do núcleo militar do governo e ressaltou o apreço em relação às Forças ArmadasO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, ligou, nesta segunda-feira (13/7), para o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e para o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, com a finalidade de apagar o incêndio que teve início com declarações do ministro Gilmar Mendes a respeito do Exército Brasileiro.

No sábado à noite (11/7), Mendes disse que o Exército se "associa" a um "genocídio", fazendo referência ao fato de integrantes das Forças Armadas comandarem o Ministério da Saúde, em meio à pandemia do novo coronavírus, que avança no país e matou já mais de 70 mil pessoas. Toffoli atua nos bastidores para tentar conter a escalada da crise.

No telefonema a Fernando Azevedo, Toffoli ressaltou que a visão do ministro Gilmar Mendes não representa o pensamento do STF, que atua, com os demais poderes, para amenizar os impactos da pandemia de covid-19.

A iniciativa de Toffoli foi bem recebida no Executivo. No entanto, interlocutores do governo e dos militares ainda esperam um pedido de desculpas e não desistiram de acionar o procurador-geral da República, Augusto Aras. Nesta segunda-feira, Azevedo falou da intenção de enviar uma representação à PGR contra Gilmar Mendes.

Mendes demonstra tranquilidade

Nos bastidores, Mendes tem demonstrado que está tranquilo quanto à legalidade das declarações, embora saiba que são polêmicas. Após a fala do ministro, houve várias reações da ala militar, todas com o aval do presidente Jair Bolsonaro.

Além de Azevedo, manifestaram-se o vice-presidente Hamilton Mourão, para quem Mendes "forçou a barra" ao falar em associação a genocídio, e o ministro Augusto Heleno, que considerou o episódio uma "injusta agressão".


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