Politica

Augusto Aras bate boca com procuradores durante reunião no MPF

Membro do Conselho Superior tentou ler uma manifestação em crítica ao procurador-geral por recentes declarações em relação à Lava Jato, mas foi interrompido por Aras

Sarah Teófilo, Renato Souza
postado em 31/07/2020 17:48
Membro do Conselho Superior tentou ler uma manifestação em crítica ao procurador-geral por recentes declarações em relação à Lava Jato, mas foi interrompido por ArasO procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, discutiu com o subprocurador Nicolao Dino em sessão virtual do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), na tarde desta sexta-feira (31/7). No início da sessão, Dino pediu o uso da palavra para ler uma manifestação elaborada por ele em conjunto com outros subprocuradores, que criticava o PGR por recentes declarações que criticaram a Operação Lava Jato, mas foi interrompido por Aras.

;Vossa excelência, com o peso da autoridade do cargo que exerce, e evocando o pretexto corrigir rumos ante a supostos desvios das forças-tarefas, fez graves afirmações em relação ao funcionamento do Ministério Público Federal em debate com advogados;, disse Dino, imediatamente interrompido pelo procurador-geral. Aras afirmou que a sessão foi convocada para discutir orçamento, e que a manifestação deveria ser feita depois da sessão.

Os dois começaram a discutir. Aras afirmou: ;Isso aqui não será um palco político de vossa excelência e de ninguém;. O subprocurador, por sua vez, afirmou que o PGR estava cerceando o direito de manifestação do membro do conselho, e disse em diversos momentos que o regimento interno lhe garantia o uso da palavra no início da sessão. Aras foi irredutível, e reiterou que não iria aceitar, dizendo que iria assegurar a Dino o direito de se manifestar, mas após a discussão e votação do orçamento.

;Após a sessão do orçamento, vossa excelência terá a palavra e eu irei replicar os pretextos de vossa excelência e o farei com documento de que disponho em mãos para acabar com qualquer dúvida acerca dos fatos;, afirmou, ao que Dino respondeu: ;Terei o prazer de ouvir vossa excelência como sempre tive, e debater com vossa excelência. Mas o regimento interno me assegura a palavra no início da sessão;.

Aras, então, falou: ;Não aceitaria ato político em uma sessão de orçamento. Após a sessão, teremos a sessão ordinária, e vossa excelência poderá falar à vontade;.

Outros integrantes do conselho, então, interviram na discussão. A subprocuradora Luiza Frischeisen ressaltou a importância de se ler a manifestação para que fosse debatida pelo colegiado, seja no começo ou no final da sessão. ;Que possamos debater com vossa excelência, como vossa excelência tem debatido com outros profissionais do direito;.

Também se manifestou favorável a Dino o subprocurador José Adonis Callou. ;Não vejo qualquer impedimento para que o conselheiro manifeste a sua opinião sobre temas caros à instituição e que estão na pauta, que foram objeto de manifestações públicas de vossa excelência em debate com outras instâncias;, relatou.

Na última terça-feira (28), em uma transmissão ao vivo com advogados, Aras fez duras críticas à Lava-Jato e disse que "é hora de corrigir os rumos para que lavajatismo não perdure". O procurador afirmou que a força-tarefa era como uma "caixa de segredos" e que iria atuar para acabar com o "punitivismo" no MP.

;Vossa excelência quer estabelecer um monólogo, e não um diálogo;

Depois da manifestação de José Adonis, que é o relator da proposta do orçamento, Aras criticou os colegas, dizendo que as manifestações político-institucionais eram ;amplamente e vazadas nas redes e na imprensa;. ;Normalmente, sob anonimato de colegas, todas as manifestações levadas a imprensa e que nós conhecemos as origens;, alfinetou.

Dino, então, respondeu: ;Vossa excelência quer estabelecer um monólogo, e não um diálogo;. O subprocurador disse ainda que o cerceamento da palavra por parte de um membro do conselho ;nunca aconteceu na história deste colegiado;.

A discussão só se encerrou quando o subprocurador José Elaeres pediu a palavra, e sugeriu que a discussão seguisse sobre o orçamento, com a votação, e que ao final os conselheiros, a começar por Nicolao Dino, realizasse manifestações sobre outros assuntos.

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