Politica

Deputados cogitam CPI sobre espionagem de servidores antifascistas

Em uma nota na quinta-feira, o Ministério da Justiça alegou que a atividade foi ''de inteligência e não de investigação''

Luiz Calcagno
postado em 01/08/2020 07:00

vista do congresso nacionalO presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Helder Salomão (PT-ES), passará o fim de semana em conversas com parlamentares. A intenção é estudar a viabilidade de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a ação do Ministério da Justiça, que usou a Secretaria de Operações Integradas (Seopi) para monitorar 579 servidores opositores do governo e integrantes de movimentos antifascistas.


Salomão comparou a ação do Ministério da Justiça a perseguições a oposicionistas durante a ditadura militar. ;Se a gente não se posiciona, virão outras ações ainda mais duras. Há uma tentativa de interromper o regime democrático. Isso é prática de regimes totalitários, que não admitem o divergente;, afirmou. ;Estamos discutindo abrir uma CPI. Temos de alinhar entre os parlamentares. A ideia é fazer um movimento de todo o Parlamento.;


Advogada especialista em direito constitucional, Beatriz Sena acredita que o Ministério da Justiça terá dificuldades para explicar o que fez. ;O movimento antifascista é composto de pessoas que manifestam apreço e vontade de proteger a democracia, a liberdade de expressão. É um movimento, em sua maioria, pacífico;, frisou. ;Com tantos assuntos importantes, gastar recursos públicos fazendo essas investigações? E o que vão fazer com essas informações? Vão perseguir? É uma coisa que causa espanto e, por qualquer ângulo que se possa analisar, não encontramos explicação razoável.;


Em uma nota na quinta-feira, o Ministério da Justiça alegou que a atividade foi ;de inteligência e não de investigação; e que as informações se destinam, exclusivamente, ;às autoridades públicas que efetivamente necessitem prevenir situação de risco para a segurança pública;. O Ministério Público Federal deu prazo de 10 dias para Executivo explicar o uso de um aparelho estatal para rastrear opositores.

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