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Correio Braziliense MEDICINA

Plástica sem riscos

Observar as condições do hospital é uma das medidas necessárias para evitar infecções hospitalares. No pré-operatório, atenção aos exames que detectam as taxas de imunidade


postado em 10/06/2010 15:43 / atualizado em 11/06/2010 22:48

Vivian sentiu os sintomas causados por uma bactéria 10 dias após o implante de silicone. Tratamento rápido, à base de antibióticos, evitou a retirada da prótese (foto: Marcelo Ferreira/CB/DApress)
Vivian sentiu os sintomas causados por uma bactéria 10 dias após o implante de silicone. Tratamento rápido, à base de antibióticos, evitou a retirada da prótese (foto: Marcelo Ferreira/CB/DApress)
O cantor mexicano Luis Miguel foi assunto em revistas e sites de fofoca em abril deste ano. Ele ficou 10 dias internado para combater uma bactéria que contraiu após fazer uma lipoaspiração. O hospital Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles (Estados Unidos), não quis divulgar o tipo de micro-organismo que causou o problema, mas o caso dele chama a atenção para um tema pouco falado sobre a cirurgia plástica: o risco de infecção hospitalar.

A assessora de comunicação Vivian Danielle Silva, 26 anos, passou por um sufoco parecido ao do cantor Luis Miguel. Em janeiro, depois de muito pensar e pesquisar sobre médicos, decidiu pôr prótese de silicone nas mamas. Cuidadosa, seguiu todas as orientações. Mas, por volta do décimo dia do pós-operatório, apareceram sintomas semelhantes ao de uma gripe, além de um inchaço no seio esquerdo.
Assustada, Vivian procurou imediatamente a médica, que, ao fazer um dreno da mama esquerda, constatou a presença de pus. No hemograma, constava a baixa dosagem de leucócitos, um sinal de infecção. O material recolhido deu como resultado a presença da bactéria Staphylococcus aureus, um germe típico do ambiente hospitalar. “A minha médica levantou a possibilidade de retirada da prótese para o tratamento da infecção e eu quase morri de tristeza”, conta Vivian. Mas, depois de 14 dias de tratamento com antibiótico, a contaminação foi controlada e Vivian não precisou retirar a prótese. “As pessoas falam e pensam muito em erro médico. Acho que elas também devem se preocupar com o risco de uma infecção”, afirma.

O cirurgião Fausto Bermeo acredita que Vivian fez a coisa certa ao procurar imediatamente a sua médica. “O risco de infecção é baixo, mas, quando ocorre, exige uma terapia imediata, à base de antibióticos”, garante o médico. No caso de implante de silicone, Bermeo recomenda a retirada da prótese e uma nova cirurgia depois da erradicação da bactéria causadora do problema. Devido à agilidade de procurar ajuda médica, Vivian conseguiu manter o implante.

 

Antes e depois da cirurgia
  • Faça todos os exames pré-operatórios. Eles medirão sua capacidade imunológica. Pessoas com diabetes, doenças autoimunes e crises de estresse têm baixa imunidade.
  • Conte ao médico possíveis casos de infecções não curadas. Às vezes, um foco infeccioso em um dente pode ser a porta de entrada para bactérias.
  • Siga todas as orientações pós-operatórias, como confecção de curativo, banhos e produtos a serem usados na área do corte.
  • Procure imediatamente o cirurgião se sentir febre ou inchaço e vermelhidão no local da cirurgia.

Fonte: cirurgiões plásticos Fausto Bermeo e Ognev Cosac, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Risco baixo


O médico Ognev Cosac, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, avalia que o risco de infecção hospitalar em cirurgias plásticas de fato existe, mas o índice é baixo. As estatísticas internacionais indicam uma taxa 3%. “Ou seja: em cada 100 pessoas operadas, três podem desenvolver uma contaminação por bactéria”, detalha Ognev. A mais comum delas é a micobactéria, que afeta pacientes que fizeram lipoaspiração.

Segundo a portaria do Ministério da Saúde nº 2616, de 1998, todos os hospitais devem ter uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, e é de responsabilidade do médico a escolha do local a ser realizada a cirurgia, que deverá seguir as normas do controle de infecção. “Além disso, no pré-operatório é feita a prevenção por meio do uso de antibióticos para evitar os riscos do corpo contrair qualquer quadro infeccioso”, acrescenta Ognev. Segundo ele, o paciente pode conhecer antes da cirurgia o hospital onde será internado para observar como é feito o atendimento, a higiene do lugar e o tratamento que os profissionais dão aos seus pacientes.

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