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Correio Braziliense CAPA

"A pressão é um antitesão"

A busca pelo orgasmo levou a jornalista norte-americana Mara Altman a uma série de aventuras, de acampamento de orientação sexual a sadomasoquismo. A jornada foi descrita no livro Thanks for coming, ainda não fui publicado no Brasil.


postado em 08/07/2010 18:50 / atualizado em 09/07/2010 21:42

(foto: Mara Altman/Divulgação )
(foto: Mara Altman/Divulgação )
Por que e quando você decidiu escrever esse livro?
Eu tinha 26 anos e um amigo sugeriu o tema para mim. Ele sabia das minhas dificuldades para atingir o orgasmo. No primeiro momento, fiquei extremamente defensiva e chateada. Não falei com ele por alguns dias. Mas então a ideia cresceu em mim e percebi que poderia matar dois pássaros com uma pedra – colocar o meu interesse jornalístico para trabalhar e fazer uma viagem pessoal para resolver algo que me deixou perplexa e frustrada durante toda a vida.

Como foi sua viagem para finalmente ser capaz de conseguir um orgasmo?

Foi incrível! Escrever um livro sobre o seu orgasmo lhe dá uma ótima desculpa para fazer um monte de coisas malucas. Entre outras coisas, eu fui para o acampamento do orgasmo, tive minha própria prostituta sagrada e entrevistei os meus avós sobre sexo. Mas o mais importante é que eu tenho muito mais do que o meu orgasmo. Eu descobri como me amo. Aprendi a conhecer meus desejos e a cumpri-los. Eu também aprendi que se você não pode amar e conhecer seu próprio corpo, é realmente difícil ter intimidade com outra pessoa.

Quando você alcançou o clímax, era exatamente como você esperava ou você ficou um pouco desapontada?
Eu ainda estou trabalhando meus orgasmos. Depois de 26 anos sem eles, tenho muita coisa para aprender. Fisiologicamente, o corpo tem que se acostumar com os orgasmos. Alguns cientistas e profissionais do sexo com quem eu falei afirmaram que qualquer atividade cria caminhos neurais no cérebro, e quanto mais você a pratica, mais fácil ela se tornará para você. Então, sim, em alguns aspectos, os primeiros orgasmos foram um pouco decepcionantes. Eles não eram os clichês — vulcânicos, explosivos, eruptivos etc. Porém quanto mais eu pratico, melhor recebo os meus orgasmos. Além disso, eu acho que é importante não ter expectativas.

Porque você acha que tantas de nós lutam com o orgasmo?
Eu acho que é impossível generalizar aqui. Cada mulher é diferente — fisiologicamente e emocionalmente — e ela leva sua personalidade para a cama com ela. Há mulheres que se sentem desconfortáveis com seus corpos e não fazem a exploração adequada. Para mim, quando vou experimentar o orgasmo, tenho a certeza de que meu corpo e mente estão no mesmo lugar. É muito fácil para a minha mente vaguear longe do presente. Eu acho que essa é uma praga para muitas mulheres, mas de nenhuma maneira é a única questão. Se fôssemos mais abertas, poderíamos discutir os nossos problemas com mais facilidade. Não deixar que a indústria pornô defina nossa experiência sexual, senão veremos uma vasta gama de experiências sexuais serem incluídas em normas. É importante lembrar que existem infinitas maneiras de sentir prazer... nem todas elas têm de incluir um final orgástico. A pressão é um anti-tesão.

Você acha que as mulheres se sentem obrigadas a fingir o orgasmo?
Novamente, não posso generalizar, apesar de ter conhecido um monte de mulheres que se sentem assim. Elas querem a aprovação dos homens. Pensam que é o orgasmo faz parte de uma “norma” e, portanto, querem se encaixar nela. Também existe uma grande pressão da sociedade. Até o momento, ser anorgásticas não é uma tendência quente. Se abrirmos um diálogo sobre esse tema, veremos que muitas mulheres têm problemas com o orgasmo. Então poderíamos começar a participar com maneiras de ajudar umas às outras.

Leia mais sobre prazer feminino na edição 269 da Revista do Correio

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