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Pele tratada: quanto vale?

A escolha do aparentemente inofensivo hidratante também exige alguns cuidados

Carolina Samorano, especial para o Correio

Se você mora em Brasília dificilmente consegue passar pela seca sem fazer uso de um bom hidratante amigo, seja para a pele do rosto, das mãos, do corpo, dos lábios ou de tudo ao mesmo tempo. Mesmo nas épocas em que o clima não está assim tão hostil, esquecer o hidratante um único dia já pode ser suficiente para ficar com a sensação de que a pele está terrivelmente desidratada. "Isso pode acontecer com peles que são naturalmente secas e sensíveis. Um dia sem aplicar o creme piora a situação, mas não significa que a pele esteja viciada" explica a cosmetóloga Joyce Quenca, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Biodiversité do Brasil. Maurício Pupo explica que essa sensação pode ser mais comum em pessoas de pele mais madura. "Depois dos 40 anos a pele perde um pouco da capacidade de auto-hidaratação e talvez a pessoa tenha essa sensação se não usar o creme todos os dias", explica.

Mesmo para escolher o hidratante ideal é preciso alguns cuidados. Segundo os cosmetologistas, melhor ficar longe dos à base de óleo mineral, como a vaselina. Como eles não tem nenhum a afinidade com a nossa pele, não são absorvidos e, portanto, embora criem a sensação de maciez, não hidratam a pele. "Como não é absorvido, o óleo vegetal entope os poros e pode causar cravos e comedões", explica Joyce Quenca. "O óleo mineral é muito parecido com a gasolina. O ideal é o óleo vegetal. Esse sim, precisamos para manter o corpo saudável e também a pele, com os ômegas 3,6 e 9", completa Maurício Pupo.

Outra substância muito usada em cremes hidratantes por causa da sua eficiência e do baixo custo é a ureia. No entanto, como ela tem um alto poder de penetração na pele, acaba levando junto outras substâncias presentes na composição do produto que podem não ser benéficas para o organismo. "Por isso mulheres grávidas devem ficar longe de produtos que contenham ureia. Ela vai penetrando e pode até atravessar a placenta, trazendo danos ao feto. As consequências ainda são pouco conhecidas, por isso é melhor evitar", explica Maurício Pupo. Quando for comprar um hidratante à base de ureia, fique atenta ao rótulo: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária permite concentração máxima de 10%, desde que realizados testes de segurança.

A lista de químicas que se deve evitar na rotina diária de higiene e beleza não para por aí. O maior perigo talvez esteja numa substância presente em mais de 80% dos cosméticos: os parabenos. Estudos recentes mostram que esse tipo de conservante está associado a vários tipos de câncer em seres humanos, principalmente o câncer de mama, por causa das suas propriedades estrogênicas, assim como o bloqueador solar oxibenzona. Outro veneno presente nas formulações de cosméticos, principalmente para futuras mamães é o ftalato, comum em esmaltes e sprays fixadores de cabelo.

"Já foi comprovado que fetos do sexo masculino expostos ao ftlato na gravidez podem ter má-formação das genitais e problemas nos receptores de testosterona", explica Maurício Pupo. Fique longe também de desodorantes que prometem axilas cheirosas por longos períodos, como 24 ou 48 horas. De acordo com Pupo, a maioria dos desodorantes contém alumínio, que são potencialmente cancerígenos. E, quanto maior a eficácia, maior a quantidade de sais de alumínio. Daí a recomendação de alguns médicos para que mulheres que tenham ou já tiveram câncer de mama não usem antitranspirantes. "Eu sempre recomendo desodorantes de 8 a 12 horas de duração. Aqui no Brasil tomamos dois banhos por dia mesmo. Para quê mais que isso?", observa.

Leia a íntegra desta matéria na edição 279 da Revista