Publicidade

Correio Braziliense BICHOS

Dieta neles!

A obesidade pode reduzir a expectativa de vida do animal e causar outros problemas de saúde. O ganho de peso também pode ser sintoma de algum distúrbio ou doença


postado em 25/10/2010 15:00 / atualizado em 29/10/2010 19:47

Flor precisa emagrecer 3kg: ração light e exercícios na esteira e na água(foto: Marcelo Ferreira/DA/CBpress)
Flor precisa emagrecer 3kg: ração light e exercícios na esteira e na água (foto: Marcelo Ferreira/DA/CBpress)
Flor é uma cadelinha da raça daschund que chegou ao centro de fitness para animais pesando 12,4kg. Sua meta é alcançar os 9kg na balança. Ela passa 30 minutos na esteira, faz abdominal sobre uma bola de borracha, musculação, exercícios na água e sua dieta se baseia exclusivamente na ingestão de produtos light. De tempos em tempos, mede-se a circunferência de sua cintura para saber a quantas anda sua silhueta. Tal descrição seria cômica, mas é real e plenamente justificável devido ao crescimento exponencial de casos de animais domésticos obesos. O assunto vem preocupando profissionais da medicina veterinária.

Assim como acontece com os humanos, a qualidade de vida e a saúde dos bichos fica seriamente comprometida com o sobrepeso. Segundo Luciana Lima, médica veterinária que atua na área de endocrinologia, no caso dos cães, por exemplo, o problema diminui em até dois anos a expectativa de vida deles (o que corresponde de 10% a 20% de sua expectativa total, em média). Isso porque problemas nas articulações, diabetes, cardiopatias, problemas circulatórios e colesterol alto são diretamente relacionados a quadros de obesidade animal.

O perigo existe, mas a atenção voltada para a questão ainda é pequena. Para o veterinário e fisioterapeuta, Marcelo Nemer, a mania de humanizar os animais é quase sempre a responsável pelos quadros de obesidade. “Os donos acham que tratar os bichos como humanos é tratar bem. Então, dão a comida da família para o cachorro, deixam o pote cheio de ração o dia inteiro à disposição e estimulam o comportamento preguiçoso. Claro que ninguém faz isso por maldade, mas os danos à saúde podem ser grandes”, afirma Marcelo. Luciana Lima endossa as palavras do fisioterapeuta. Ela explica que a combinação do sedentarismo, em especial dos cães que vivem em apartamentos, e a ausência do controle da qualidade e da quantidade de alimentos ingeridos pelo animal são os principais desencadeadores da situação.

Mas nem sempre os donos levam a culpa pelos quilos extras de seus bichos. Predisposições genéticas ou mesmo alguma doença podem propiciar o ganho de peso. “Alguns cães engordam com muito mais facilidade, como o daschund, o basset hound, o retriever, o labrador, o rottweiller e o beagle”, explica Luciana. Disfunções como o hipotireoidismo e o hiperadreno também podem justificar o ganho repentino de peso. O primeiro leva o animal a um quadro de letargia. Ele procura ficar sempre ao sol, come pouco, engorda e pode apresentar problemas de pele. Já o hiperadreno deixa a barriga do animal inchada. O apetite aumenta, ele bebe muita água e, consequentemente, faz muito xixi.

Ambas as doenças são mais comuns em cães e gatos mais velhos (idosos ou de meia idade), porém podem afetar bichos mais novos. “Os animais castrados também têm mais chances de ganhar peso, pela natural diminuição da atividade física, consequente da cirurgia. O indicado é que se qualquer mudança brusca de comportamento ou ganho de peso repentino for observada, o animal seja encaminhado a uma clínica veterinária para avaliação”, acrescenta Marcelo Nemer.

 
Quase um spa


Desde que começou sua dieta e um programa de exercícios, há 2 meses, a cadelinha Flor já conseguiu perder 1,5kg. Seu caso é especialmente delicado, pois ela passou por uma cirurgia de hérnia que a deixou praticamente paraplégica. Flor fez um ano de fisioterapia, mas os resultados estavam aquém do esperado. Até que a equipe percebeu que o atraso no progresso era culpa do sobrepeso.

Flor estava tão gordinha que, mesmo recuperando boa parte da força das pernas, não conseguia sustentar seu próprio peso. O veterinário sugeriu uma dieta e a melhora foi instantânea. Quanto mais perdia peso, melhor ela se locomovia. “Antes, a gente deixava a comida à vontade, agora é só três vezes ao dia, na quantidade indicada pelo veterinário. A gente sente pena, mas se é pelo bem dela, é o que importa”, detalha João Batista, dono de Flor.

Mesmo impondo uma rotina saudável de alimentação, João preferiu não adotar a ração diet por acreditar que seria maldade. “Ficamos com a light mesmo, que sacia mais. Ela vai perder peso mais lentamente, mas não vai passar fome”, defende.

O veterinário Marcelo, que atende Flor, explica que esse tipo de pensamento é comum, mas justifica que as rações diet, que só devem ser oferecidas com prescrição médica, são compostas por muitas fibras, justamente para dar ao cão a sensação de saciedade.

A professora Gisele Cunha pensa da mesma forma. Dois de seus quatro gatos são obesos. “Tentamos a ração diet, mas eles pareciam muito esfomeados. Como eles são totalmente ativos e vivem bem, resolvemos esfriar a cabeça. Eles são gordinhos felizes”, diz Gisele. De fato, os gatos são tão ágeis quanto os outros dois, que são magros. Sobem na árvore, correm atrás dos calangos do jardim, brigam entre si. Mas como explica a veterinária Luciana Lima, às vezes a conta do sobrepeso só é cobrada mais tarde. Com juros altos, por sinal.

 
Tratamento

- O ideal é que o cão obeso tenha acompanhamento veterinário. O indicado é que, para evitar a obesidade, ou mesmo freá-la, o dono faça pelo menos três caminhadas com o cão, de 10 a 40 minutos. Os exercícios devem ser incorporados à rotina do animal gradativamente.
- Quando o cão parecer muito ofegante, interrompa o exercício. Evite também caminhadas nas horas mais quentes do dia. É importantíssimo que a alimentação seja oferecida de forma regrada: apenas a quantidade indicada pelo veterinário, ou na embalagem do produto. O ideal, é que essa quantidade diária de ração seja dividida em 5 partes (no mínimo, 3) e oferecida ao longo do dia.
- As guloseimas e comidas humanas devem ser completamente abolidas para que os resultados apareçam. Se o dono não tiver tempo, pode procurar clínicas que ofereçam circuitos de fitness para o animal, ou mesmo o serviço de passeadores profissionais.

Fonte: Marcelo Nemer

Agradecimentos: Physical Dog

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade