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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Unidos venceremos

Amantes (e amadores) da gastronomia, os membros da Confraria da Chefe se irmanam em torno de receitas familiares ou consagradas. A única regra é compartilhar do pão nosso de cada dia


postado em 11/11/2010 15:33 / atualizado em 12/11/2010 19:45

Os integrantes da Confraria da Chefe: culinária é pretexto para encontros(foto: Maria Fernanda Seixas/CB/DAPRESS)
Os integrantes da Confraria da Chefe: culinária é pretexto para encontros (foto: Maria Fernanda Seixas/CB/DAPRESS)

Na cozinha de mais ou menos 8m², uma dúzia de pessoas fala sem parar enquanto exerce funções mais ou menos aleatórias. Uma que estava cortando o alho, para o serviço no meio e começa a lavar a louça. Rapidamente alguém assume a tarefa enquanto o mais habilidoso prepara o molho na panela. Já o dono da casa abre um espumante e o serve à amiga, que tempera as berinjelas. Alguém lê em voz alta os ingredientes listados no livro que está sobre a mesa: A Itália de Jamie. Os de dote culinário limitado se limitam a passar a pasta no pães e a comê-los, até que os pratos principais saiam do forno. Não é para menos, o almoço de domingo marcado para meio-dia só será servido e degustado lá pelas cinco da tarde. Com a barriga vazia ou não, o clima é de total descontração. Os filhos dos membros da confraria que, naturalmente, não se interessam muito pelo coelho que está sendo cozinhado (tampouco pelo espaguete de berinjela ou pela salada de pera), ganham um menu especial: massa congelada. Eles devoram a lasanha à bolonhesa e o rondelli quatro queijos e começam a jogar Banco Imobiliário. A cozinha esvazia de repente: os homens foram para a sala ao lado ver a largada da Fórmula 1. Dez minutos depois, a “bagunça”, como eles mesmo costumam chamar os encontros, retorna à copa, e se estende até a hora de se sentar à mesa.

A história desses 16 amigos começou em um curso de pós-graduação. “Acabávamos saindo para almoçar juntos e, de vez em quando, íamos à casa um do outro para almoçar. Como nos dávamos superbem, surgiu essa ideia de montar uma confraria. Virou a Confraria da Chefe, porque na época, a Evelise (Moraes) era chefe de alguns dos participantes”, explica Ary Pacheco, um dos mestre cucas da turma (ele foi o tradutor e colaborador do livro Não é verdade que tudo acaba em pizza, recém-lançado por aqui). “Os encontros são sempre uma farra e a comida, sempre maravilhosa. Mas na verdade a refeição é apenas uma desculpa que arrumamos para nos reunir”, opina Beatriz Gomes. A comida pode até não ser o principal fator motivador para organizar os encontros da confraria mas, certamente, quando todos estão juntos e o cheiro dos temperos refogados invade a casa, ela se torna a protagonista.

A dinâmica deles é mais ou menos igual a das centenas de confrarias de amigos existentes em Brasília. Bebe-se e come-se bem, em geral, no esquema de rodízio de casas e cozinheiros. A frequência de encontros varia. “Nos encontramos nos aniversários dos membros e quando bate a saudade. Já passamos um réveillon no sítio do Ary. Lembro da gente abrindo massa de pizza com garrafa de vinho vazia. Teve até um grupo de oito pessoas da confraria que foi à Europa”, conta Marisa Alho. Para cada encontro sair, dezenas de e-mails são enviados. Entre papo sério e gozação, é por mensagens virtuais que se decide o local, o cozinheiro da vez e a receita escolhida para o encontro — quase sempre tirada de grandes livros de culinária de chefs mundialmente conhecidos, como Jamie Oliver, o eleito da vez pela turma. “Também rolam muitas receitas de família. Como a pizza do Ary, ou a torta de nozes do André (Pacheco)”, lembra Beatriz.

Nesse vaivém de encontros, quem não sabia cozinhar acabou aprendendo e, quem já sabia, se aperfeiçoou — seja pela observação do que acontece na cozinha, seja pela inevitável ajudinha mútua. Juntos, eles também participaram de alguns cursos de gastronomia, o que alavancou a qualidade do cardápio. “Até dança de salão a gente fez”, conta Renata Mesquita. Os custos das farras não são matematicamente divididos, mas cada um leva o que pode e, no caso de alguém fazer as compras sozinhos, eles rateiam depois. Hoje, ninguém imagina a vida sem os companheiros da confraria. Ou mesmo sem as deliciosas experiências gastronômicas, sempre regadas por um bom vinho, por espumantes, ou pela infalível cerveja. “Uma confraria foi exatamente o empurrão que algumas pessoas precisavam para vestir o avental e por a mão na massa”, disse um membro anônimo, em meio à saborosa confusão.

Spaghetti alla Norma do chef Jamie Oliver

(foto: Maria Fernanda Seixas/CB/DAPRESS)
(foto: Maria Fernanda Seixas/CB/DAPRESS)


Ingredientes

  • 2 berinjelas grandes e firmes
  • óleo de oliva extravirgem
  • 1 colher (sopa) de orégano seco
  • 4 dentes de alho descascados e fatiados finamente
  • 1 punhado grande de manjericão fresco, talos picados finamente e folhas reservadas
  • 1 colher (chá) de um bom vinagre de ervas ou de vinho branco
  • 2 latas (400g) de tomates vermelhos de boa qualidade (picados) ou 550ml de purê de tomate (polpa)
  • Sal marinho e pimenta do reino moída na hora
  • 450g de espaguete seco
  • 150g de ricota salgada, parmesão ou pecorino ralado


- Pegue as berinjelas e corte-as em quatro pedaços compridos
- Se elas tiverem um centro mole e cheio de sementes, remova-o e jogue fora
- Pegue uma panela grande antiaderente, esquente-a e adicione um pouco de óleo
- Frite os pedaços de berinjela em duas porções, acrescentando um pouco de óleo extra se precisar (mas deixe-os bem oleosos)
- Mexa-os de modo a cobrir com óleo cada pedacinho
- A seguir, polvilhe com o orégano seco — isso fará com que fiquem com um sabor fantástico
- Com um par de pinças, vire os pedaços até que fiquem dourados por inteiro
- Então, prepare a primeira, coloque-a em um prato e faça o mesmo com a segunda
- Quando as berinjelas estiverem totalmente fritas, leve a primeira porção de volta à panela
- Abaixe o fogo para médio e acrescente um pouco de óleo, o alho e os talos de manjericão
- Misture para que tudo fique cozido uniformemente, depois coloque um gole de vinagre de ervas e as latas de tomate, que você pode picar ou processar para ficarem sem pedaços grandes
- Cozinhe em fogo brando por 10 a 15 minutos, então prove e ajuste o tempero com sal e pimenta-do-reino
- Rasgue metade das folhas de manjericão, adicione ao molho e misture.
- Coloque o espaguete em uma panela de água fervente salgada e cozinhe de acordo com as instruções do pacote
Quando a massa estiver al dente, passe-a por um escorredor, reservando um pouco da água do cozimento, e leve-a de volta à panela
- Adicione o molho de tomate e um pouco da água do cozimento reservada e misture de novo sobre o fogo
Prove a massa e ajuste o tempero, depois divida entre os pratos, enchendo uma concha para formar cada porção
- O molho que sobrar na panela pode ser derramado por cima
- Polvilhe com as folhas de manjericão restantes e o queijo ralado e regue com azeite

Rendimento: 4 a 5 porções
Tempo de preparo: 40 minutos

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