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Correio Braziliense ENTREVISTA // CARLOS PAZZETO

O homem do luxo

Importante nome da moda nacional, ele comanda o Minas Trend Preview e tem um monte de outros projetos


postado em 11/11/2010 15:59 / atualizado em 12/11/2010 19:45

Por Olívia Meireles

Enviada especial

(foto: Márcio Madeira/Divulgação)
(foto: Márcio Madeira/Divulgação)
Belo Horizonte — Se você gosta de moda, com certeza conhece Carlos Pazzeto como o diretor de cena do programa de TV Brazil’s next top model, o programa fashionista transmitido pelo canal pago Sony Entertainment Television. É ele quem toma conta das modelos e dirige as sessões de fotos das participantes. Poucos sabem, entretanto, que Pazzeto já era grande antes do programa. Aliás, bem grande. Ele é um dos nomes mais importantes nos bastidores do mercado de moda e luxo no Brasil. À frente da agência Pazetto Events Consulting, atendeu as maiores grifes de luxo nacionais e internacionais: Marc Jacobs, Louis Vuitton, Nk Store, Chanel, Hermés, Carolina Herrera, Shopping Cidade Jardim, Shopping Iguatemi, Ricardo Almeida, Cartier.

Mas o seu mais novo projeto é o Minas Trend Preview, o único evento de prévia de inverno e verão do Brasil. A semana de moda mineira aconteceu entre os dias 2 a 6 de novembro, propôs coleções para o inverno 2011 e arrancou suspiros de quem passou por lá. Festa organizada, bonita, com desfiles de alta qualidade e conforto para as 12 mil pessoas que passaram por lá. É um evento de moda diferenciado: “São três meses focados nesse projeto. Na primeira edição, sofremos muito, mas nessa nós conseguimos implementar uma nova maneira de fazer. Que é focar em qualidade e conteúdo”, resumiu. Em entrevista exclusiva para a Revista, Pazzeto fez um panorama da moda brasileira atual, contou sobre planos para o futuro, o segredo do seu sucesso e sobre o seu mais novo amor: Brasília.

Programas como o Brazil’s next top model e o Esquadrão da moda ajudam a popularizar a moda pelo país?
Ajuda muito. Pois é uma representação correta da indústria. É como você ver um desfile em um canal de televisão, mas quando você faz um desfile, aquela representação parece uma mentira. Nesses dois formatos, a representação para o grande público é real. O desfile e o camarim são daquele jeito mesmo. Não é uma montagem ou uma ilusão. Ele tem a realidade dos fatos. Pois mostram para as pessoas como realmente é. É a mesma história com a representação dos personagens gays. Só agora começaram a representar os gays como eles realmente são. Mas durante muito tempo os gays na televisão eram bichinhas caricaturais. A televisão tem um papel cultural muito importante. Tem que existir verossimilhança.

Quando vai sair a terceira temporada do Brazil’s next top model?

Eu ainda tenho contrato com a Sony para mais uma temporada. Então, até o meu contrato acabar, eu estou esperando eles resolverem sobre a próxima edição. Eles ainda não me passaram nada sobre datas e programações. Eu amo fazer televisão! É muito legal, é uma experiência humana. Eu achei que eu ia me dar mal, ficar muito inseguro, mas eu fiz um trabalho de voz e funcionou para mim.

Você tem vontade de fazer canal aberto?
Eu tenho duas propostas para analisar e uma delas é de canal aberto. Eu adoraria fazer um programa relacionado a moda, homem e luxo para esse público. Mas isso é para o futuro. Meu compromisso agora é com a Sony.

Existe uma cultura de moda no Brasil?
Já! A moda brasileira tem um DNA próprio. Essa sempre foi uma grande luta da gente. A velha e boa história da cópia não foi resolvida ainda. Mas já está bem melhor. Estamos longe de conseguir um grande número estilistas com um trabalho realmente autoral, mas já temos alguns. Mas o maior número desses profissionais ainda vem das cópias. Isso é uma das coisas que temos que resolver.

É isso que falta para a moda brasileira virar uma grande indústria?

A moda brasileira já é uma grande indústria. Os números comprovam isso. O Brasil está bem no mundo inteiro. O mercado de luxo está mandando cada vez mais no país. Nossos números são impressionantes e, por isso, a indústria tem que se fomentar e buscar apoio. Pois, sem o apoio governamental, a gente já faz uma loucura. É de cima para baixo que vamos melhorar e desenvolver a nossa cadeia.

O Brasil está em alta no mundo, mas ainda não domina o mercado externo. O que falta para o Brasil deslanchar?
Falta apoio. Precisa de leis de incentivo. Faltam projetos que liguem a moda à cultura. Se tivéssemos essas duas medidas, seria muito positivo. O Brasil só não foi além porque quem comanda tem que realmente falar e fazer por nós. A moda trabalha muito, já está muito melhor do que era. A gente só vai conquistar o mundo quando o governo disser: a nossa moda é f.... Sem o apoio deles é muito difícil. Hoje em dia a gente só depende dos empresários e de algumas empresas como a FIEMG (organizadora do Minas Trend Preview), que acreditam nesse projeto. Mas as leis de incentivo tem que vir de cima para baixo. A presidente tem que colocar para revolucionar.

O que você acha que falta hoje no calendário da moda brasileira?
Falta o outro lado da cadeia: uma semana de moda para o alto inverno e o alto verão. Eu adoraria fazê-las. Teria a prévia, o verão e depois o alto-verão, por exemplo. Falta essa temporada para quem cria essas coleções. Acho que o restante está coberto. Mas existe um grande buraco no calendário da moda brasileira, dá até medo de falar porque alguém pode ir na nossa frente e fazer: é moda masculina. Nós temos grandes marcas masculinas brasileiras. O que é aquele moleque Akihito Hira (estilista brasiliense de moda masculina)? Ele tem roupas com conceito, elegância. É um nome que merece toda a nossa atenção. Sérgio K é uma marca bacana. Tem vários nomes bacanas que não têm espaço para mostrar.

Você acredita que a moda masculina tem força para segurar uma semana de moda sozinha?

Sou o produtor que mais trabalhou com moda masculina. Tive parcerias com o Ricardo Almeida durante muitos anos. Acho que a moda masculina fica prejudicada quando trabalhada com a feminina. A moda masculina merece o salão dela. Pequeno, com três desfiles por dia e com marcas bacanas. Mas isso é reflexo da nossa cultura de moda. A cultura de moda no Brasil infelizmente não olha para a moda masculina e a moda masculina infelizmente não olha para o calendário. Então, marcas superfortes, como o Ricardo Almeida, ficam sem espaço. Esse é o meu próximo passo: organizar a moda masculina brasileira. Mas isso ainda é um projeto embrionário. Nunca contei isso para ninguém. Isso é um plano pessoal meu e da minha empresa de consultoria. Só vou realizar esse projeto quando tiver empresários que se envolvam com o mercado masculino comigo.

Como os eventos do tipo preview se encaixam nesse panorama?

A moda é uma cadeia que vai desde o conceito até a venda. O Minas Trend é um salão de negócios e agora ele tem uma tenda de conceito onde acontecem os desfiles. Por que fazer o Preview? Ele já nasceu com o talento de ser o primeiro de todos. Ele é antes do São Paulo Fashion Week, Fashion Rio e Fashion Business. Quando você trabalha com tanta antecedência você consegue prever um monte de coisa. Dá para sentir uma coleção antes de ir para o show room. Você tem mais tempo para sentir o que você vai soltar e vender com mais segurança. Dá para entende o que deu e o que não deu certo.

Então, o salão de negócios é o diferencial?
Em números, o Minas Trend é o maior sucesso de venda de todos os salões do Brasil. Como ele que abre a temporada você consegue sentir com muita antecedência como o seu produto está funcionando. Dá para experimentar, trocar informação, sentir o que o jornalista está achando do seu produto. Tem gente que desfila aqui e nas outras semanas de moda. É uma experiência que não tem só a ver com o sentido conceitual, mas também no sentido da venda. A ideia é que o Minas Trend seja sempre um preview. Queremos organizar mais o momento da compra antes que comece a loucura toda de show room. Para que os comerciantes possa conseguir produzir a tempo. No Minas Trend, você consegue sentir uma coleção bem mais forte e completa. O lojista sempre compra mais consciente, sabendo o que vai funcionar. Essa é a grande função do evento preview.

As semanas de moda fora do eixo Rio-São Paulo não têm espaço no universo da moda, você acredita que fazer um evento de prévia é uma maneira de se diferenciar?
O primeiro é vir antes de todo mundo. Ele é fresh. Ninguém viu nada de inverno ainda. Só nós mostramos. Somos os primeiros. Eu acho que é uma maneira de você fazer parte do calendário e não tem problema não ser no eixo Rio-São Paulo. A iniciativa de trazer marcas de todo o Brasil não somente do Rio-São Paulo. Ano que vem vou trazer gente de Salvador, Brasília. O que importa é a visão da moda brasileira em si. O Minas Trend não é local. Ele é feito em Minas Gerais, ele é feito em Belo Horizonte, obviamente ele tem um grande número de talentos que são daqui, mas ele se permite circular nas outras semanas de moda. Então, a gente traz essas estilistas de fora. Esse intercâmbio é importante para ele deixar de ser regional e fazer parte do calendário definitivamente.

Quais projetos da Pazetto Events Consulting estão a caminho?

Uma série de coisas ligadas ao mercado de luxo, que é uma área que nós trabalhamos bastante. Mas este ano temos um plano de ação muito ligado a cultura. Tudo que liga a cultura à moda: artes plásticas, música. Nosso foco tem sido cada vez mais nos aproximarmos da arte, para que essa seja mais uma das abas do nosso trabalho.

Que tipo de exigências essas marcas internacionais fazem?

Antigamente, a gente recebia um roteiro e tínhamos que segui-lo. Mas tenho passado por uma experiência muito positiva. Quando conversamos, eu aceito o que eles querem, mas faço sugestões para incrementar os eventos. Isso já aconteceu três vezes e foi aprovado direto em Paris e fizemos um evento diferente do resto do mundo. Eu recebo as instruções, traduzo para a realidade do Brasil e faço um evento inspirado no que eles me propuseram. Não faço tudo fechadinho como eles querem, eu apresento um projeto e, às vezes, eles dizem: “Muito legal, não precisamos fazer igualzinho como fizemos em Paris”.

Qual o seu diferencial desses outro consultores de eventos internacionais?

Criatividade, entender perfeitamente a marca, corresponder com uma leitura muito emocional, fazer com que esses evento mexam com os corações das pessoas e que as pessoas saiam de lá com o sentimento que viveram uma experiência. O segredo é usar a criatividade para atender os desejos daquele grupo que foi convidado. E a entrega.

Essas marcas são encantadas com o mercado do Brasil?

Muito. Comercialmente estamos muito bem, crescemos muito nesses últimos quatro anos. Fui para Barcelona agora, conheci pessoas incríveis que vinham falar comigo porque eu era do Brasil. Fiquei bem nervoso. Desde uma editora famosa, até um superempresário que tem uma marca de moda. É impressionante como o Brasil é o foco da vez.

Recentemente você abriu um escritório em Los Angeles. O projeto é trazer marcas de lá para cá?

Não. Quero levar as marcas brasileiras para lá. É levar cultura, música e moda para lá. Quero fazer esse serviço de inteligência brasileiro, que é o falta hoje lá fora. E mostrar a nossa maneira de fazer desfile. Fazer um evento mais quente e levar o que é bom que a gente tem. Levar o que eles pedem da gente, um tipo de evento mais emocional.

Você tem sido visto com regularidade em Brasília. O que no nosso mercado te interessa tanto?
É um mercado que me atrai muito. Acho que é um mercado muito criativo e pouco visto. Os olhares para Brasília são muito preconceituosos. Eu estou nessa vibe. Quero conhecer profundamente não só os estilistas, mas os designers, arquitetos, as artes plásticas. Estou com vontade de olhar para Brasília. É quase como se fosse um roteiro: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte. Eu acho que eu posso descobrir talentos e reverberá-los nacionalmente. Eu acho que em Brasília tem muita gente legal. Espero que eu consiga fazer o Brasil enxergar vocês com um outro olhar. Eu estou sendo muito bem recebido por aí. Quero explorar o mercado fazendo eventos e descobrindo talentos. Quero importar e exportar coisas da capital.

Esses projetos são concretos ou ainda é um namoro?
Estou indo totalmente informal, a minha primeira visita mais certa é daqui a uma semana. É a minha primeira reunião. Mas eu conheço algumas pessoas, a Cleuza e a Juana Ferreira, donas da Magrella, têm me ajudado e me apresentado a algumas pessoas. Só agora que está virando um namoro sério.

A repórter viajou a convite do evento

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