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Correio Braziliense BICHOS

Pequenos valentes

Como proceder quando a mãe rejeita os filhotes? Conheça algumas histórias de bichinhos que superaram a falta da genitora


postado em 26/11/2010 18:04 / atualizado em 26/11/2010 18:13

Recém-nascido, Cosmo estava abandonado em uma tubulação. A sorte do bichano é que pôde contar com o empenho e proteção de Jackson (foto: Marcelo Ferreira/CB/DApress)
Recém-nascido, Cosmo estava abandonado em uma tubulação. A sorte do bichano é que pôde contar com o empenho e proteção de Jackson (foto: Marcelo Ferreira/CB/DApress)
O gatinho Cosmo foi encontrado, no dia do seu nascimento, abandonado no subsolo da Universidade de Brasília. Seu corpo ainda estava coberto pela placenta quando uma aluna o resgatou. “Eu estava ouvindo uns barulhos, mas não conseguia identificar o que era. Ele estava dentro de um cano, pedi ajuda a um funcionário e conseguimos resgatá-lo”, relata a estudante Jackeline Lima, 20 anos. Ao ser retirado da tubulação, Cosmo acabou caindo de uma altura de dois metros, mas, apesar da fragilidade, conseguiu sobreviver. Para isso, contou com a dedicação do biólogo Jackson, 23, amigo de Jackeline que adotou o bichano.

Para crescerem fortes e saudáveis, os filhotes precisam dos cuidados da mãe. É ela quem fornece o insubstituível leite materno, com todas as substâncias necessárias para a formação do sistema imunológico. Além disso, segundo a diretora do Hospital Veterinário da UnB, Dra. Christine Martins, nos primeiros 21 dias de vida, eles precisam de uma fonte de calor ativo, porque ainda não têm controle de temperatura. “A mãe também é responsável por estimular a micção e a defecação da ninhada, lambendo a barriguinha deles,” ensina.

E quando a mãe rejeita os filhotes, o que fazer? Segundo a veterinária, quanto mais jovem o animal, mais cuidados inspira. Jackson sentiu na pele essa dificuldade. “Eu tinha que alimentá-lo de hora em hora. Acordava durante a madrugada. A cada barulhinho dele, despertava com um pulo,” lembra. Hoje, aos 10 meses, o gato está saudável. “Nós o resgatamos antes do carnaval. Durante o feriado, eu o levei comigo para um acampamento e, na volta, conversei com o meu chefe, que me deixou sair do trabalho sempre que eu precisava dar comida, trocar a água da bolsa térmica e passar o algodão na barriguinha dele.”

As duas primeiras semanas foram de sufoco. “Após esse período, dava para esperar umas três horas entre cada mamada.” O biólogo revela que o plano inicial era cuidar de Cosmo só até que Jackeline conseguisse uma família para ele, mas acabou se apegando ao animal. “Não tive coragem de entregar para outra família. Como eu poderia me certificar de que ele seria bem cuidado?”
Segundo Christine Martins, ambientes muito estressantes favorecem a rejeição por parte da mãe. “Entre gatas e cadelas, esse tipo de comportamento normalmente acontece quando o parto foi cesariana ou quando o ambiente é agressivo”, detalha. Ela explica que, nesses casos, é importante levar a fêmea ao veterinário — que prescreverá um remédio para secar o leite. “Se você tentou aproximar a mãe dos filhotes e viu que não tem jeito, além dos cuidados com a ninhada, tem que dar atenção à mãe,” explica.

Os filhotes que não tiveram a chance de se alimentar com leite materno, precisam de dieta reforçada. A veterinária Bárbara Lopes explica que o leite de vaca sozinho não garante os nutrientes necessários. “Muita gente se engana e acha que leite puro é suficiente. Os filhotes acabam ficando desnutridos. Hoje, existem produtos específicos para esses casos,” ensina. Para aqueles que não têm condições de comprar o leite em pó, ela dá uma receita que mistura leite integral, creme de leite, gema de ovo e complexo vitamínico para suprir a falta de nutrientes. “Mas é importante manter esse leite na geladeira e fazer uma nova mistura a cada 24h, porque os ingredientes estragam com muita facilidade.”
O cãozinho Jatobá foi o único renegado de uma ninhada de cinco filhotes. A dona de casa Elsa Silva explica que a vira-lata Catita não dava a mesma atenção a ele. “Ele sempre ficava mais afastado. Quando um dos outros filhotes ficava para trás, Catita o abocanhava e trazia para junto da ninhada. Com Jatobá, ela não tinha esse cuidado,” recorda.

Elsa percebeu que ele era o que menos mamava, tinha a respiração ofegante e ainda estava com os olhinhos fechados. “Os cães viviam na chácara, então decidi trazer o Jatobá para casa. Ele era mais fraquinho, tive medo que pudesse morrer.” Ao levar o cão ao veterinário, Elsa descobriu que ele era cego. “Ele recomendou o sacrifício e deu, no máximo, três meses de vida,” relembra.

Jatobá viveu por um ano, e apesar de não enxergar, segundo D. Elsa, reconhecia todo mundo pelo cheiro e parecia um cãozinho feliz.

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