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Estado de Minas ENCONTRO COM O CHEF

Racletes, conhece?

Popular entre os suíços, mas ainda pouca difundida em Brasília, a refeição é um verdadeiro ritual. Para segui-lo, basta reunir os amigos em torno de uma mesa, munidos de minifrigideiras, uma chapa quente e comidinhas deliciosas


postado em 17/03/2011 16:47 / atualizado em 18/03/2011 17:52

(foto: Bruno Peres/CB/D.A.Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A.Press)
Dizem que foi na região do Cantão de Valais, em pleno frio suíço, que alguns camponeses começaram a derreter queijos em pedaços de ferro, a fim de se alimentar e de se aquecer com o calor da refeição. Eles raspavam todos os restinhos levemente queimados, que ficavam grudados, e os comiam com pedaços de pães, batatas e outras iguarias. A prática de “derreter e raspar” o queijo virou mania suíça e a refeição foi batizada de raclete (em francês, raspar é racler), assim como o queijo especialmente desenvolvido para a prática — o tipo raclete é menos gorduroso para que, quando comece a derreter, não solte tanto óleo quanto os queijos comuns.

Depois de um début formal em uma feira de Sion, no próprio Valais, em 1909, os invernos europeus caíram de amores pelo prato. Com o tempo, a raclete perdeu a rusticidade e ganhou, além de fama, novos contornos. O ritual, hoje, é basicamente formado por minifrigideiras (parecem pás), uma chapa quente, potinhos com diversas delícias (azeitona, cenourinhas, geleias, vegetais…), pães, batatas assadas e queijos. É preciso também tempo livre para saborear as delícias, bater papo em volta das frigideirinhas, e criatividade para inventar combinações — cada um monta sua própria raclete, na sua minifrigideira, do jeito que preferir.

Sucessos e delícias à parte, mesmo depois de inventado, em Brasília, ele continua com ares de pseudo-celebridade. Porque se uma minoria já comeu racletes e é apaixonada pelo prato, a maioria nunca nem ouviu falar nesse nome. A boa notícia é que alguns estabelecimentos já começaram a se interessar pelo assunto e já é possível — finalmente — comer racletes de verdade (em minifrigideirinhas e com queijo raclete suíço) na capital.

Quem se diz pioneiro no ramo é Raphael Pinho, barista e proprietário do espaço Art Café et Chocolat. Por lá, a raclete, servida sob reservas, já vem acumulando fãs. “Desconheço quem faça a verdadeira raclete. Tem uns que até fazem diretamente numa chapa, com queijos comuns. Mas do jeito que deve ser, acho que só aqui mesmo” orgulha-se. Seu primeiro contato com o prato se deu em Minas Gerais, na cidade de Guaxupé. Foram conhecer uma fazenda com a qual fechariam negócios e o dono os convidou para jantar. “Quando chegamos lá, fomos apresentados às racletes. Achamos maravilhoso. Na hora quisemos trazer para Brasília. Pesquisamos e descobrimos um suíço que mora no Brasil e fabrica o queijo raclete”, conta.

No mercado, já é possível encontrar aparelhos de raclete — também conhecidos como racleteiras — com certa facilidade. Eles são elétricos e vêm com uma chapa e compartimentos para aquecer as pequenas frigideiras. Na falta do aparelho, dá para improvisar com uma chapa comum. Se não tiver queijo raclete (bem difícil de encontrar) vá de gruyère, fontina, tilsit ou ementhal. Outros queijos até funcionam, mas fazem mais sujeira. Por fim, prepare um ambiente agradável, reserve um dia frio para a ocasião (no calor, a experiência pode ser torturante), abra um bom vinho e faça como os suíços do Valais. A seguir, dicas para montar sua raclete, e uma opção de sobremesa prática e deliciosa para a ocasião.

Raclete

(foto: Bruno Peres/CB/D.A.Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A.Press)

Sugestão de ingredientes (as quantidades variam conforme o número de convidados)
4 tipos de queijo (queijo raclete ou gruyère, ementhal, tilsi, fontina, entre outros)
Batata cozida
Salame italiano
Presunto
Peito de peru
Linguiça
Calabresa defumada
Picles
Cenoura em conserva
Cebolinha
Abobrinha pepino
Couve flor
Brócolis
Azeitona
Ovo de codorna
Tomate seco
Champignons
Pasta de berinjela
Geleia de morango com pimenta
Geleia de abacaxi
Requeijão

Como fazer
Ligue a racleteira, disponha as batatas sobre a chapa e os queijos nas minifrigideiras. Quando o queijo derreter, misture com os demais ingredientes, que estarão dispostos na mesa em potinhos separados. Coma também com a batata assada (ela pode assar, embrulhada no papel alumínio, na própria chapa da racleteira) e com os pães. Na ausência da racleteira, você pode usar uma chapa elétrica comum.

Drink de café
(foto: Bruno Peres/CB/D.A.Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A.Press)

Ingredientes
2 colheres de sobremesa de doce de leite
2 bolas de sorvete de chocolate ou creme
60ml de café (de preferência café expresso)
Chantilly
Raspas de casca de limão

Como fazer
Coloque o doce de leite no fundo do copo ou caneca.
Sobre o doce de leite, coloque as duas bolas de sorvete.
Derrame sobre o sorvete o café.
Por último, preencha o copo com chantilly e salpique casca ralada de limão por cima.
Sirva na hora.

Rendimento: 1 porção
Tempo de preparo: 5 minutos

Serviço:
Art Café et Chocolat
CLSW 105, bloco C, loja 104 – Sudoeste
3234-0206

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