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Estado de Minas BICHOS

Movimentos limitados

São vários os motivos que podem levar os pets a desenvolver paralisia. Muitas vezes, porém, o problema é reversível


postado em 25/03/2011 13:04 / atualizado em 26/03/2011 14:51

Faz um ano que o yorkshire Bóris, 4, desenvolveu paralisia nas patas traseiras. A dona do cachorrinho, a aposentada Maria Isabel da Silva, 57, encarou o quadro com resignação. Aceitou que ele precisaria, doravante, de cuidados especiais e não cogitou abandoná-lo. “Animal não é descartável. Vou cuidar do Bóris até o fim da vida dele”, declara.

A deficiência de Bóris foi constatada em uma manhã de sábado. Sem nenhum sintoma précio, ele simplesmente passou a se arrastar. Preocupada, Maria Isabel o levou diretamente ao veterinário, que não conseguiu saber exatamente a causa da paralisia, mas identificou um traumatismo na lombar. O cão foi submetido a uma cirurgia. “Mesmo após o procedimento, Bóris não voltou a andar. Mas se adaptou rapidamente a essa nova situação”, diz a dona.

Maria Isabel dispensa tratamento especial a Bóris, que já está completamente adaptado à sua nova condição(foto: Marcelo Ferreira/CB./D.A Press)
Maria Isabel dispensa tratamento especial a Bóris, que já está completamente adaptado à sua nova condição (foto: Marcelo Ferreira/CB./D.A Press)

O yorkshire é alegre e interage muito bem com os outros cachorros da casa. Maria Isabel conta que troca a fralda dele cinco vezes ao dia e está sempre alerta quanto ao risco de infecção urinária. “O que ajuda muito é o fato de ele ser pequeno — fica mais fácil carregá-lo quando é para subir escada ou passar qualquer obstáculo. Mas ele sabe se virar muito bem”, conta.

 A atitude do dono é sempre importante nesses casos. “É importante que o dono do cachorro não busque ajuda somente quando o animal se encontra em um quadro de paralisia, muitas vezes irreversível”, alerta o cirurgião veterinário Sandro Alex Stefanes, especialista em ortopedia e em neurocirurgia. Quando se trata de doenças compressivas, como hérnia de disco, o único tratamento é o cirúrgico. O uso de medicamentos apenas atenua a dor.

Quando a intervenção é feita em um tempo hábil, a chance de sucesso é muito maior. “Se o animal tiver uma lesão grave, quanto mais rápido tratar, melhor o resultado. Às vezes, o animal já tinha o problema há 30 ou 60 dias, mas ainda não era grave”, diz o médico. Agora, quando o pet chega ao consultório já sem sensibilidade nos membros ou com dor profunda, o prognóstico não é favorável. “A grande responsabilidade está no clínico-geral, que recebe o paciente e que tem a missão de detectar logo o problema e encaminhar ao especialista”, esclarece.

O dono tem que ficar atento a mudanças de comportamento. Perder a disposição para exercícios é um mau sinal. Melhoras súbitas desse quadro são de se desconfiar, já que os pets podem interpretar um alívio passageiro como uma licença para brincar à vontade. “O ser humano quando percebe um início de um problema ou de dor, já procura ajuda. O animal vai se adaptando até o limite”, alerta Stefanes.

Ajude o seu amigo
- A qualquer mudança de comportamento, como relutância a atividades habituais, procure um veterinário imediatamente.
- Agir com presteza. Não tente nada em casa. Quanto mais rápido identificar o problema, mais efetivo será o tratamento.
- Nunca medicar o animal sem orientação veterinária. O remédio pode mascarar o problema.
- Existem cadeiras de rodas próprias para animais. Pesquise antes de improvisar.
- O procedimento cirúrgico não garante resultados. O pós-operatório é tão ou mais importante para reabilitar o seu pet. Procurar um fisioterapeuta veterinário é a melhor opção.
- Toxinas presentes em enlatados mal conservados ou ração estragada podem levar a quadros de paralisia.

Agradecimentos: Hospital Veterinário da Upis

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