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Estado de Minas CAPA

A maternidade na era Google

Como a internet tem difundido uma face mais real das mães, com todas as dúvidas, alegrias e dores. Em blogs e redes sociais, elas trocam experiências e conversam sobre os mais variados assuntos, sem nenhum pudor


postado em 06/05/2011 16:31 / atualizado em 06/05/2011 21:54

Luíza, com o filho Benjamin, tem 2 mil acessos diários em seu blog(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
Luíza, com o filho Benjamin, tem 2 mil acessos diários em seu blog (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)

Olívia Meireles
Carolina Samorano — Especial para o Correio

Quem vê de longe pode acreditar que a maternidade é igual a uma propaganda de margarina. Uma mãe linda e sorridente, que consegue equilibrar a vida pessoal, os filhos e o trabalho sem suar ou reclamar. Ao longo dos últimos anos, esse modelo vem sendo desmistificado e a figura da mãe perfeita está ficando para trás. Assim como seus filhos, as mães da geração 2000 estão conectadas à internet. Escrevem e compartilham todos os seus dilemas em blogs e redes sociais. Mas, afinal, quem são essas mulheres, o que elas pensam e como a comunidade de mães on-line tem transformado a experiência da maternidade?

“Se eu não tivesse o blog, eu não sei que tipo de mãe eu seria. Por meio dele, converso com outras mães, troco ideias e aprendo várias coisas. A pediatra me disse que eu e meu marido não parecemos pais de primeira viagem, porque nós somos muito seguros”, confessa Luíza Diener, o nome por trás do blog Potencial Gestante (www.potencialgestante.com.br), uma das páginas para mães mais lidas do Brasil.

O alto número de blogs, redes sociais e mulheres interessadas em ler sobre crianças e maternidade na internet tem uma explicação. Quem busca essas informações são as filhas da geração baby boomers (que nasceu no pós-guerra). “Essas mulheres não foram criadas para serem mães, mas para serem profissionais”, explica Carolina Longo, criadora da rede social Mulher&Mãe. Por isso, elas só foram — e vão — engravidar quando se consolidarem no mercado de trabalho e casarem. “Ter um filho é uma coisa distante para essas mulheres”, acrescenta Carolina. Por isso, quando elas se veem grávidas não sabem o que fazer, nem como lidar com os filhos. Elas buscam e trocam informações onde pesquisam sobre outras coisas: nos sites de busca e comunidades virtuais.

Mas essa camaradagem não existia antes da internet? É claro que sim. Mas as mães dessa geração não têm a rede de apoio que as mulheres tinham antigamente. Hoje, as avós estão no mercado de trabalho e não podem ajudar tanto. “Esse companheirismo foi se perdendo com as milhões de funções e papéis que as mulheres foram acumulando ao longos das décadas”, analisa Maria Clara Machado, no blog Meu Menino Tigre (http://meumeninotigre.blogspot.com).Essa lacuna seria preenchida pelos livros, argumentam alguns. Mas as blogueiras acreditam que os manuais são muito técnicos, a maioria é traduzida de outras línguas e não tem as especificidades culturais do Brasil.

Os blogs complementam as informações dos livros, ajudam as mulheres a adaptarem as dicas ao contexto de cada família e falam mais sobre como é a maternidade do ponto de vista das mães. Essa troca rende tópicos de discussão comuns às mulheres modernas.

Potencial de mãe
Luíza Diener, 26 anos, sempre teve um sonho: ter um filho. Desde criança, planejou como ia criá-lo, que estilo de roupa ele ia vestir, tinha selecionado possíveis nomes e já estava decidida a largar o emprego quando ele nascesse. Quando ela casou com o publicitário Hilan Diener, Luíza viu o seu sonho se tornar cada vez mais real. Por isso, há dois anos, ela resolveu criar o blog Potencial Gestante (www.potencialgestante.com.br). “Eu queria apenas compartilhar com as pessoas as coisas que eu pesquisava sobre crianças e gravidez. Não tinha muita pretensão com ele”, explicou a blogueira.

A ideia era divulgar fotos e links interessantes de decoração, roupas e outras coisas de criança. Além de discutir as ideias que ela — ainda sem filhos — tinha sobre a maternidade. A blogueira dividiu a dor de receber inúmeros testes negativos de gravidez. Ganhava leitoras que estavam na mesma situação que ela ou que já tinham filho. O blog continuava nesse ritmo, até que há pouco mais de um ano, finalmente, postou a notícia que sempre quis dar: “Gravidíssima”, com oito semanas.

Luíza descreveu como contou ao marido que estava grávida, a emoção ao ver primeira imagem do seu filho Benjamin na ultrassonografia. Mostrou os convites charmosos do chá de bebê. Descreveu com detalhes — e sem censura—todos os passos do parto normal. Acompanha com charme o crescimento do pequeno Benjamin. E desvenda — para quem é e para quem não é mãe — o que é a maternidade no século 21. “Tudo o que eu escrevo é sentimento. Compartilho aquilo que eu acho que vai ajudar outras mães. Às vezes, abro um pouco mais da minha intimidade porque eu sei que outras passam pelas mesmas situações”, explica. Foi com essa sinceridade que ela conquistou um público fiel de todo o Brasil e hoje tem mais de 2 mil acessos diários no blog.

Luíza garante que sua ocupação principal é ser mãe. Dedica-se com afinco ao blog, mas só à noite, depois que o Benjamin dormiu. Chega a passar cinco horas escrevendo, respondendo os comentários e desenvolvendo ideias para os próximos posts. “No dia que isso atrapalhar a minha vida com a família, eu paro”, garante. Mas, por enquanto, isso não é preocupação, pois o marido incentiva o blog. Além de dar uma consultoria no layout da página, ele acha informações para postar, sugere assuntos e, às vezes, se arrisca a assinar um ou outro texto — já contou, por exemplo, a sua linda versão sobre quando recebeu a notícia que seria pai.

O casal se preocupa, entretanto, em preservar tanto a intimidade do casal quanto a vida do filho. “Eu sempre estou ponderando e equilibrando o que escrever”, garante Luíza. “Por exemplo: não gosto de falar de sexo no casamento. Muita gente me pede. Mas isso é uma intimidade minha e do meu marido. Não costumo falar de doenças e de algumas preocupações que tenho com o meu filho”, conclui.

No fim, a fórmula de Luíza deu certo. Como consequência dos 14 mil visitantes que leem o blog toda semana, ela começou a receber propostas para colocar publicidade no site. Marcas de artigos para bebê compram banners e posts — tudo devidamente explicado. O próximo passo do Potencial Gestante é abrir uma loja com artigos desenvolvido pelo casal. Mas isso é mais para frente.

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