Jornal Correio Braziliense

Revista

Artigo: A pureza que ainda nos resta

Por Maria Paula


O Brasil é uma joia rara! Não é à toa que os olhos do mundo estão voltados para as belezas daqui; Além de um povo alegre e hospitaleiro, que consegue manter o sorriso no rosto apesar de tantas dificuldades, temos as florestas mais incríveis, o litoral mais exuberante, sem falar nas chapadas mais suntuosas, e por aí segue uma lista interminável de riquezas naturais inigualáveis.

Pesquisadores descobriram recentemente que o Rio Madeira tem o maior número de espécies de peixes do mundo: são cerca de 800 e vão de piramboias a arraias, de peixes-gatos a acarás-bandeiras, de bagres a piabas, de lambaris a peixes-elétricos; E o mais curioso e extraordinário é que tal posto de campeão pode a qualquer momento mudar, já que o Madeira foi apenas o primeiro rio a ser alvo de tal pesquisa, seguido futuramente por outros gigantes, como o Tocantins, o Tapajós e o Xingu!

Nossos tesouros ainda nem foram descobertos e já enfrentam ameaças violentas. A Hidrelétrica de Belo Monte é um exemplo e põe em risco a diversidade de espécies mais fantástica do planeta, isso sem falar no novo Código Florestal, que promete dar aos desmatamentos criminosos o respaldo da lei!

Como ainda não percebemos que nosso maior patrimônio é a natureza? Temos água potável, terras cultiváveis e ecossistemas, cuja diversidade é incomparável, e, mesmo assim, não conseguimos entender o enorme valor dos bens que possuímos.

Que país é esse que não dá a devida importância ao fato de ter em suas origens a sabedoria do povo indígena? Ao contrário do que deveríamos, estamos destruindo a herança que nos é de direito. A pureza da forma com que as sociedades indígenas se organizam, elegendo o respeito ao coletivo como objetivo máximo, deveria ser idolatrada e não desprezada por nós.

Gostaria que estivéssemos preocupados em preservar as centenas de etnias que ainda habitam a vastidão de nossas terras, interessados na sofisticação que existe por trás de culturas que se reúnem para sonhar seu futuro e prontos para reconhecer o privilégio que é carregar tal história em nosso sangue. No entanto, a triste constatação é a de que não estamos conscientes da preciosidade que temos nas mãos.