A recepcionista Danielle Santos Rodrigues, 33, foi pega de surpresa por uma doença típica do inverno. A ninhada nascida de suas gatas ; Jade, Ágata e Lara ; foi infectada pelo vírus da rinotraqueíte. "Elas são de rua e estavam com o vírus, mas não se manifestou nelas, foi aparecer nos filhotes, que são mais fracos", conta. Tudo ia bem até que, com um mês de vida, seis dos gatinhos e um outro que ela tomava conta foram contaminados.
"Iniciou com uma inflamação no olho que parecia uma conjuntivite. Depois, a doença evoluiu para um problema respiratório." A providência tomada por Danielle foi levá-los ao veterinário e iniciar o tratamento. Infelizmente, nos filhotes, a doença é quase sempre fatal. Dos sete gatinhos, seis morreram. O que restou continua em tratamento.
Viroses e alergias são mais frequentes nesta época do ano, explica a veterinária Carmen Cecília Peres Xavier Pinto. As reações alérgicas têm causas muito variadas ; podem, por exemplo, ser ativadas por produtos de limpeza ou poluição atmosférica. Entre os vírus, os que preocupam mais são FHV-I (herpes felino) e o FCV (calice felino). O primeiro é o causador da rinotraqueíte que se abateu sobre os queridinhos de Danielle. O segundo, responsável pela chamada calicevirosa felina.
Falta de apetite, tosse e prostração são sinais clínicos apresentados pelos bichos infectados. No caso específico da rinotraqueíte, também ocorre secreção mucopurulenta no nariz e nos olhos, e respiração com a boca aberta. O tratamento à base de nebulização com soro fisiológico ajuda bastante, mas nada como prevenir em vez de remediar. "Deve-se oferecer sempre rações de boa qualidade, estimulando o animal a comer. Existem rações terapêuticas úmidas, que dão suporte nutricional de alta qualidade e com palatabilidade muito boa", indica Carmen.
No fundo, é tudo uma questão de imunidade. Alguns gatos ficam mais suscetíveis a infecções oportunistas e só reagirão com antibióticos. Pode-se usar o medicamento chamado Interferon no nariz, nos olhos e também na boca do animal. Esse remédio estimula a imunidade das mucosas, ajudando-o a se recuperar, ensina a veterinária. Se o problema for asma e bronquite, a solução está nos broncodilatadores e nos corticosteroides. Independentemente de qualquer coisa, mantenha a vacinação do bichano em dia.
Proteja o totó
Os cães também ficam mais frágeis no inverno. A estação aumenta o perigo de contrair cinomose, por exemplo. O médico veterinário Marcelo Fialho Mazzi afirma que essa é uma das piores doenças, com alto índice de mortalidade. Ela apresenta três fases bem delimitadas, com sintomas digestivos (diarréia e vômito), respiratórios (corrimento nasal e ocular) e nervosos (tiques nervosos, convulsões e paralisia dos membros).
Sendo uma doença provocada por vírus, o veterinário explica que é de fácil contágio e de difícil tratamento. "O que se tem a fazer é correr para o veterinário. Caso a pessoa tenha mais de um cão, o cuidado tem que ser redobrado, porque ela pode perder todos", alerta. O diagnóstico é feito com exame sorológico e a prevenção, com vacinas importadas.
As pneumonias também são normais neste período. O tipo conhecido por "tosse dos canis" ataca o complexo respiratório e pode ser prevenido com vacina específica. O veterinário Marcelo enfatiza que é "altamentre contragiosa de cão para cão e também pode contaminar humanos." Ela é transmitida pelo ar, com partículas que se dispersam com a tosse do animal. "O cachorro tem acesso de tosse, mas essa não apresenta secreção, catarro, e chega a provocar vômito. Nos casos mais severos, o animal para de se alimentar."
Mesmo não sendo respiratório, outro problema da estação é o carrapato, uma hemoparasitose comum do clima mais seco. O carrapato infectado ao sugar o sangue do animal injeta microparasitas que vão atacar as hemácias, provocando anemia lenta, quase imperceptível. Marcelo indica como prevenção o uso de coleiras contra o agente e higiene do habitat do cão. O animal tende a ficar apático, apresentando um quadro de desidratação.
Por último, não deixe de observar a alimentação do totó. "Notar que o animal parou de comer é um começo. Para isso, seguir uma rotina com horários certos para que o animal coma, torna mais fácil identificar as doenças", ensina Marcelo.
Cuidados no frio
E se a temperatura baixar muito nestas madrugadas de junho? "As roupinhas normalmente resolvem esse problema. O banho de sol também é bem interessante para mantê-los aquecidos", tranquiliza a veterinária Amanda Carvalho. Tanto para animais que dormem fora de casa quanto para os que dormem dentro é interessante o uso de cobertas que possam mantê-los quentes, protegendo-os da friagem.
Outro cuidade se dá com relação aos banhos. "Eles podem tomar banho no inverno, desde que seja usada água morna e que fiquem bem secos." Quando o banho for dado em casa, é melhor dar preferência para o período mais quente do dia ; e em dias de sol mais intenso ; para complementar a secagem. A frequência deve ser menor no inverno. Filhotes e animais mais velhos precisam de atenção redobrada. "Os filhotes ainda não possuem todo o sistema de defesa do organismo desenvolvido. No caso dos idosos, o organismo já não funciona tão bem", ressalta.
Agradecimentos: Casa do gato, Planet Dog e Vetnil.