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Estado de Minas ENTREVISTA

A "secretária" dos espíritos

Há mais de 60 anos, Zibia Gasparetto psicografa livros. Considerada um fenômeno editorial, ela se diz apenas mensageira dos ensinamentos da espiritualidade. Nesta conversa com a Revista, fala sobre mediunidade, pensamento positivo, literatura, envelhecimento e muito mais


postado em 09/09/2011 12:57 / atualizado em 10/09/2011 21:21

Para muitas pessoas, a vida após a morte é uma crença. Para outras, uma incerteza, uma possibilidade remota ou um absurdo completo. Para Zibia Gasparetto, é uma realidade incontestável. “Se estou nesse trabalho até hoje, foi por causa das provas concretas que recebi desde o começo da minha mediunidade. Elas me deram essa certeza do dom da espiritualidade, de que a vida continua”, disse nesta entrevista de uma hora concedida por telefone à Revista.

As provas a que ela se refere podem ser desde o perfume inesperado que surgia quando conversava com o médium Chico Xavier, às visões do seu marido, que morreu há décadas, sentado na poltrona ao lado de sua cama, passando pelas vivências dentro dos cenários dos romances que escreve. Se as pessoas acreditam ou não na sua capacidade de ter contato com outras dimensões, tanto faz. O fato é que Zibia alcançou a marca de 150 milhões de leitores ao longo de mais de 60 anos de carreira e orgulha-se imensamente de ser a mensageira dos valores de espíritos superiores.

A maioria de suas obras entrou para a lista das mais vendidas. Desde 1958, publicou 39 livros, a maioria de romances ditados pelo espírito Lucius. O último, A vida sabe o que faz, entrou para a lista dos mais vendidos na primeira semana após o lançamento, fato não raro ao longo dos anos. Já publicou também em Portugal, na Colômbia, na Espanha, no Japão. Algumas obras foram adaptadas para o teatro e há projetos para o cinema.

À frente também da editora Vida & Consciência, Zibia é uma mulher ativa. Aos 85 anos, psicografa três livros ao mesmo tempo e estuda muito, inclusive física quântica. Atenta às inovações, faz questão de ressaltar que os benefícios do pensamento positivo têm bases calcadas na ciência. Aqui, ela conta um pouco de suas experiências com a mediunidade, fala sobre seu processo de escrita, além de dar algumas orientações para quem quer viver melhor.


(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

A senhora já vendeu mais de 12 milhões de livros e tem cerca de 50 milhões de leitores. Como é ser uma escritora best-seller?
Me sinto muito bem porque encaro como um trabalho de transmitir os valores espirituais que tenho recebido ao longo da minha vida. Considero que estou atingindo os nossos objetivos, tanto os meus quanto os da espiritualidade, que me colocou como intermediária desses conceitos.

A senhora se considera autora dos livros psicografados?
Não, sou um elemento de transmissão, como uma secretária persistente. O meu valor está na persistência e no muito que eu aprendi nesses 60 anos de trabalho. Comecei aos 22 anos, era uma pessoa comum, e ainda sou, mas consegui, com minhas experiências, mudar meu enfoque e aprender muito nessa relação com as outras dimensões, com os seres de luz, principalmente com esse espírito que tem me transmitindo os romances, o Lucius. Quando ele se aproxima de mim, minha mente se abre, há uma sensação muito grande de bem-estar, tudo fica tão claro, ele vai me ditando e aquilo vem com tanta facilidade.

Como funciona esse processo?
Estou consciente, mas é um estado diferenciado de consciência. O mundo de fora fica apagado. Se alguém bater na porta, eu não escuto. Parece que estou dentro da história, sinto a emoção dos personagens. É difícil explicar para as pessoas, mas é um processo diferenciado… Eu escuto, mas eu sinto também, às vezes, até o cheiro do lugar onde se passa a cena. Aquilo mexe comigo, me emociona e a sensação é muito boa. Quanto mais eu escrevo, melhor eu fico.

A mediunidade não é um fardo, então? Para algumas pessoas, é difícil lidar com essa capacidade.
A mediunidade pode ser muito estressante, porque é muito influenciada pelo emocional da pessoal. Se for uma pessoa em conflito, com o emocional desequilibrado, quando abre a sensibilidade, ela vai se ligar com pessoas desequilibradas, não só por espíritos em sofrimento, mas por pessoas daqui, porque você sente a energia, não importa se a pessoa está vivendo na Terra ou em outra dimensão do universo. A ligação é espiritual, energética. Você começa a sentir uma série de coisas, capta emoções dos outros. Se tiver uma personalidade difícil, vai ser muito penoso.

Mas há o lado bom…
Por outro lado, a mediunidade vai forçar você a se equilibrar, porque ninguém gosta de sofrer, de ficar passando mal, porque ninguém gosta de, por exemplo, estar numa festa e começar a sentir mal-estar, medo, vontade de sair correndo dali. Na hora em que a pessoa descobre que está numa energia que não é sua, vai fazer o possível para se equilibrar, deixar de ficar no negativo.

Como foi descobrir a mediunidade tão cedo?
Nunca fui uma pessoa religiosa. Acreditava numa força superior, fazia orações, era de família socialmente católica, mas não tinha ligação grande com religião. Aos 22 anos, comecei a sentir coisas estranhas, ficar incorporada, falar idiomas que não conhecia. Sofria muita perturbação, muito mal-estar. Eu já era casada desde os 20 anos e meu marido procurou conhecer mais, ele foi atrás. Nos primeiros dois anos, mesmo já escrevendo, psicografando, tinha um conceito muito fantasioso, não era verdadeiro. Achava que os espíritos eram como uma fumacinha, que não tinham condições de causar mal-estar físico. Eu passava mal, ficava pálida, com manchas roxas pelo corpo, meu marido me levava ao pronto-socorro, me davam calmantes e eu piorava, porque eu relaxava e os espíritos tomavam conta. Até o momento em que eu resolvi que era uma coisa espiritual e permiti que eles pudessem atuar através de mim. Fui para a Federação Espírita pedir ajuda, estudar. Mas eu sei que, até hoje, se eu entrar numa força de pensamento negativo, vou sentir, em seguida, algo ruim, então é uma situação constante, muito forte, que obriga você a se reequilibrar…

É um exercício diário?
É diário. Eu tenho meus amigos espirituais, gostos dos anjos. Eu chamo meu anjo guardião para me segurar, me ajudar. Graças a Deus tenho muita saúde, não sofro de diabetes, hipertensão, nada...

Quem são os espíritos que ditam os livros?
São vários. Mesmo os romances, dá para perceber que, às vezes, o estilo muda. Mas o Lucius é um amigo espiritual que tem afinidade comigo, então ele é que tem essa facilidade de passar para mim. Pode ser que algum outro passe para ele, mas é ele quem me dita.

O Lucius, então, é um velho amigo? Como é essa relação?
No começo, ele andava comigo para onde eu ia. Eu era muito confiante em todo mundo, ingênua, distraída. Você paga um preço pela ingenuidade. Eu tive que aprender, e foi ele que me ensinou. Hoje, sou mais cautelosa. Ele, agora, só vem nos momentos que a gente combinou de trabalho.

Como foi esse “acerto”?
No começo, acontecia a qualquer hora. Ele ficava conversando na minha cabeça. Às vezes, de madrugada, eu acordava e vinha toda a história para escrever. Depois, eu fui orientada a marcar uma hora. Os espíritos bons não forçam, não interferem na sua vida pessoal, respeitam seu tempo. E eles me disseram para marcar uma hora em que eu me dispusesse a isso. Então, eu sento, ponho uma música suave, faço uma oração e fico ali. Nós nos disciplinamos. Com o tempo, aumentaram os dias.

Como é a sua rotina hoje?
Escrevo três livros diferentes, cada dia um, três tardes por semana. Tem hora para começar, mas não para terminar. Se o fluxo está bom, a energia do dia e a minha disposição física interferem no processo; se está tudo bem, tudo calmo, se estende mais. Antes, fazia a lápis. Agora, faço no computador direto.

Alguma obra foi mais difícil ou mais prazerosa?
Não. Há momentos, em cada uma, que foram mais lentos ou mais fáceis… Quanto mais escrevo, mas bem disposta eu fico. A proximidade com esses espíritos me faz sentir muito bem.

A senhora é feliz?
Muito. A gente aprende a olhar coisas de outra forma. Enquanto Deus me der saúde, vou trabalhar. Se ele me der a graça de morrer trabalhando, acho ótimo. Gosto muito do que eu faço.

A senhora está à frente de uma editora de livros. Como começou esse trabalho?
Foi tudo com orientação espiritual. Durante 26 anos, tivemos um centro espírita. Desde o começo, fui orientada, sobretudo por Chico Xavier, que foi muito amigo nosso. Foi ele que me indicou que estava na hora de partir para isso. Chico era um grande orientador.

Havia um contato próximo com Chico Xavier?
Muito, sempre que possível, eu e meu marido íamos lá. Ele era uma pessoa muito boa, muito alegre, animada, amiga, companheira, um espírito gentil, delicado, amoroso e orientava muito, sem falar dos fenômenos que víamos por lá. A gente estava conversando e, de repente, aparecia um perfume do nada, ele falava o nome das pessoas que nunca tinham ido lá… Era uma prova constante da presença dos amigos espirituais, histórias concretas. Se estou nesse trabalho até hoje, foi por causa das provas concretas que recebi desde o começo da minha mediunidade. Elas me deram essa certeza do dom da espiritualidade, de que a vida continua. Quando você sente essa realidade dentro da alma, sabe que tudo que aprende é um enriquecimento do espírito, que nunca vai perder, vai continuar progredindo e evoluindo. Existe uma força superior comandando esse processo. Mesmo quando vê em volta as pessoas tão perdidas, a gente sabe que todos vão conseguir encontrar o caminho.

É reconfortante ter a certeza de que há vida depois da morte?
Sim, porque na vida você tem muitas perdas. Eu perdi tantas pessoas da minha família... Meu marido foi embora com 57 anos, teve um infarto e, em cinco minutos, partiu. Mas ele volta sempre. Quando estou preocupada com alguma coisa, ele chega e senta na poltrona ao lado da minha cama. Ele não fala nada, mas está lá, isso me conforta muito. Sem falar nas mensagens que recebo de outros parentes: minha mãe, meu pai, meus irmãos.

Como é essa vida pós-morte?
O filme Nosso lar mostrou um pouco essa vida no astral, embora o lugar esteja situado muito próximo da Terra, geograficamente acima do Rio. As pessoas ali ainda estão muito terrenas, tem muito sofrimento, porque os desequilíbrios não afetam só o corpo físico, afetam o corpo astral, pois o astral também é matéria, embora não seja igual à nossa, é mais reforçada, mas é matéria… As dimensões do astral, para quem está lá, são objetivas, tanto que muitas duvidam que estejam mortas. Jesus dizia: “Há muitas moradas na casa do meu pai”. As dimensões são moradas, onde cada um vai de acordo com o seu nível de espiritualidade ou de conhecimento.

O filme, então, retrata um cenário fiel à realidade?
A história que está no filme é fiel, embora eu tenha sentido diferença em relação às cores. As flores, o verde têm uma vida própria, pelo que já pude ver. No Nosso lar, era tudo clarinho. Se as pessoas pudessem ver, teriam feito com aquele verde vivo, muito bonito. As flores têm as cores tão vivas que são impressionantes. Isso acontece nos lugares onde a energia é muito boa.

Algum livro seu vai virar filme?
Há uma empresa que está querendo fazer filme de alguns livros. Há também uma possível coprodução com a Paramount. Mas vamos ver, porque fazer filme no Brasil é meio complicado.

A senhora não teme uma adaptação num assunto tão delicado?
Eles fazem uma adaptação para o cinema. Só quis garantir uma coisa por contrato: a parte espiritual deve ser verdadeira, e eu serei consultada a respeito.

Como lida com as críticas? Nem sempre a mediunidade é compreendida.
As pessoas não conhecem, elas têm todo o direito de ter dúvidas. E quem tem suas dúvidas, que vá questionar, buscar. Quando se conquista a certeza do que existe em outras dimensões, se transforma numa pessoa melhor, tem uma vida mais equilibrada, mais feliz, mais alegre. Conquistar essa certeza vale a pena, estamos aqui para isso.


(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

A senhora é criticada por não reverter a renda dos livros para obras assistenciais…
É verdade. Chico Xavier não publicava, dava os direitos, mas vou te contar uma particularidade. Uma vez, cheguei lá e ele estava muito triste, então ele me disse: ‘Olha, menina (ele me chamava de menina), nunca dê os direitos dos seu livros para ninguém’. Ele tinha cedido alguns direitos para a Federação Espírita Brasileira, que, naquela época, era no Rio, e nos EUA houve um interesse para editar lá e a Federação não cedeu. Ele ficou triste porque o que ele queria era passar as ideias. É o que nós queremos: divulgar as coisas boas. O conselho foi bom. Encaro da seguinte forma: sou responsável diante de Deus pelo que se faz com aquilo que eles me passam, eu tenho que materializar isso e cuidar para que seja divulgado para a maioria das pessoas, e não tenho preconceito com dinheiro. O dinheiro não é bom nem mal, depende da maneira como você usa. E usar o dinheiro para divulgar esse conhecimento é nobre e justo. Durante muito tempo trabalhei em favela e isso me fez entender que a melhor forma de ajudar é dar trabalho. O assistencialismo, as pessoas usam, aproveitam e não melhoram.

A senhora emprega quantas pessoas?
200.

Como são selecionados os livros que a editora publica?
Atualmente, temos uma equipe que conhece bastante a parte espiritual e faz a primeira análise. Já lancei autores e também publicamos livros de autores estrangeiros que trazem benefícios para as pessoas, que façam as pessoas melhorarem. Desde o começo, houve uma orientação superior. Os espíritos superiores querem ajudar a humanidade a evoluir, mas elas estão fechadas dentro do materialismo, então fica difícil. Eles só podem ir adiante se as pessoas chegarem a determinado nível. Então, eles nos pediam: a gente vai fazendo a parte espiritual e vocês abrem a cabeça das pessoas, para que elas aprendam que têm valor, que Deus pôs dentro delas tudo o que precisam para serem pessoas de bem. É isso o que estamos fazemos, cumprimos nosso papel, e eles cumprem o deles.

Por que seus livros estão sempre na lista dos mais vendidos?
As pessoas se identificam muito com os personagens dos livros, principalmente os romances, porque elas acabam colocando em prática alguns princípios que estão ali e, assim, se descobrem mais profundamente, se conhecem melhor. Uma das tônicas desse trabalho é a necessidade de olharmos mais para dentro de nós mesmos e descobrir como lidar os problemas comuns do dia a dia. Quando aprendemos a nos conhecer, descobrimos que a vida não é exatamente aquilo que está sendo nos mostrado, que tem outros conceitos, que a vida é inteligente, que há uma força superior nos guiando e nos conduzindo para o progresso, para o desenvolvimento na nossa consciência. Então, vamos abrindo a nossa mente. As pessoas se identificam muito porque nessas histórias elas começam a perceber que, se elas agissem como os personagens, iriam obter outros resultados. Nosso trabalho não é diretivo, apenas analisa as circunstâncias, as possibilidades. As pessoas são livres para escolher e, na medida que escolhem, vão descobrindo qualidades, pontos que precisam melhorar, o que precisam colocar em prática, vão progredindo. Isso faz com que elas sintam muito identificadas com os livros, se sentem apoiadas, descobrem a própria capacidade, os próprios valores, estão vivendo melhor.

A senhora falou em escolhas. Existe livre arbítrio? A própria ciência tem questionado…
Ainda quando a pessoa abdica de escolher, está escolhendo. Mesmo quando ela se deixa levar pela opinião alheia, ela está escolhendo. Não há como não escolher em todas as instâncias da nossa vida. Às vezes, no entanto, a pessoa está tão envolvida, fixada no mundo de fora… Hoje acontece uma coisa do outro lado do mundo e a gente sabe no mesmo instante, inclusive a violência. Isso leva a pessoas a ficar assustada, mais voltada para as coisas de fora do que para si mesma. Então, a pessoa fica mais negativa. O medo paralisa, então a pessoa se fecha. Há muita dificuldade nesse aspecto. A pessoa precisa se descobrir o próprio poder, a própria capacidade. A ciência está descobrindo a inteligência da vida, da célula, do corpo, está mostrando que somos responsáveis até pelo nosso envelhecimento. Existe um livro maravilhoso do médico Deepak Chopra (Corpo sem idade, mente sem fronteiras), que fala sobre essas coisas. A gente descobre, a partir da física quântica, que tudo é inteligência, que as células são influenciadas pelo nosso pensamento, daí a nossa necessidade de se fortalecer espiritualmente. Estou estudando essas coisas, até por necessidade pessoal, porque estou com 85 anos.

Acredita no poder do pensamento positivo?
Acredito sim, mas não sou só eu que digo isso não. Este livro que eu citei e tantos outros revelam que as pessoas que chegam a 100 anos hoje têm uma maneira de pensar voltada para a alegria, para a confiança em si, elas têm objetivo de vida. As pesquisas atuais são reveladoras, mostram a influência daquilo que você pensa na sua vida. Na medida em que melhora a maneira de ver as coisas, descobre mais força, mais capacidade em si mesmo e vai conseguir enfrentar melhor os desafios do dia a dia.

Como viver com a insegurança, as culpas? Como deixar a vida mais leve?
O primeiro passo é não se culpar. O primeiro impulso de qualquer pessoa, até de um ladrão, é fazer o melhor, mesmo que faça de forma errada. Ela não quer errar, ela quer fazer. Chega uma hora que você descobre que o resultado não foi bom, que errou, mas já passou. Não pode se culpar porque você fez o que pensou que fosse o certo. Quando fracassa, aprende, então não é fracasso. Quando joga a sua força contra si próprio, você fica lá embaixo, te derruba.

Como foi envelhecer?
Nem percebi. A gente envelhece de corpo; a cabeça, para mim, tem 20 e poucos anos. Minha cabeça é alegre, gosto de cantar, de dançar, de ouvir música. No fim de semana, na minha casa, ponho o CD do Diogo Nogueira e fico cantando, procuro levar a vida com a alegria. A alegria é o tônico da alma.

As pessoas querem se prender a um corpo jovem. A senhora é vaidosa?
Se as pessoas são felizes fazendo plásticas, não importa. Eu faço exercício físico, musculação, alongamento, procuro manter a saúde. Sou vaidosa. Gosto de estar bem, de coisas coloridas, alegres, não gosto de roupa de velha (risos).

A senhora já foi procurada para consultas?
Uma época, fui. Mas não dou consultas. Não me acho em condições de dar consulta, não sou adivinha de nada, não prevejo futuro. O que faço é falar da minha experiência, mostrar o que tenho recebido da espiritualidade, e as pessoas são livres para escolher o que querem seguir, o que serve para elas. Só sei que, para mim, está sendo ótimo, só tenho recebido coisas boas e aprendido muito.

No seu primeiro livro, O amor venceu, a senhora defende que o amor supera tudo. Que amor é esse?
O amor que sobrevive a tudo é o incondicional. Entre homem e mulher, às vezes, é difícil, porque está cheio de crenças e outras coisas pelo caminho. Quando há afinidade de alma, e isso perdura, esses laços são eternos.

Existe alma gêmea?
Existem afinidades, não existe uma metade para se juntar. Nada dura para sempre, as pessoas se separam, se reencontram, cada um tem o seu caminho, mas quando existe o contato de alma para alma, pode haver uma ligação que seja eterna.

A senhora conhece Brasília?
Já estive há muitos anos em Brasília. Já li a respeito do misticismo, dizem que tem um magnetismo especial, energético.

A cidade carrega o estigma de abrigar os políticos…
A energia pode ser conturbada por causa disso, há muito jogo de interesses. O poder deve ser uma coisa perigosa.

A impunidade ainda é um fator de pessimismo no Brasil. Podemos acreditar que os que não prestam conta aqui vão pagar em outro plano?
Não me prendo a esse ponto. Precisamos vibrar luz para essas pessoas que estão no poder. Eu não votei na presidente, mas mando energia para ela, porque ela não é a responsável por essa situação. O que pode ajudar é mandar luz para essas cabeças e pedir nas orações que sejam bem-sucedidos. Se jogar energia negativa, não terá bom resultado. Não somos juízes. Agora, a vida cobra. Ainda que não queira pensar nisso, lembro de um rei da Arábia, há mais de 30 anos, que morreu de fome. Ele era um rei, tinha tudo, mas morreu de fome, não podia comer por causa de um câncer de estômago. Isso me impressionou.

 

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