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Estado de Minas MODA

Na era do Dancing Days

Um resgate da história do estilista mineiro Markito mostra o quanto seus paetês continuam extremamente atuais


postado em 30/09/2011 10:25 / atualizado em 30/09/2011 18:23

As danceterias dos anos 1970 criaram um estilo no Brasil: o chamado sexy chic. Roupas com plumas, lurex e paetês, perfeitas para dançar o ritmo chamado disco. A música e as roupas sensuais se encaixaram perfeitamente no clima tropical. Marcus Vinícius Resende Gonçalves, mais conhecido como Markito, foi o principal estilista brasileiro da era disco. Ele vestia as mulheres para ficarem elegantes e, ao mesmo, tempo sexy. Os vestidos eram feitos sob medida e ele abusava das fendas, dos decotes e dos brilhos.

Markito marcou a moda nacional. Foi o principal responsável pelo período de transição entre a geração de costureiros — Dener e Clodovil — e os estilistas de prêt-à-porter. Markito vestia a alta sociedade paulistana, as mulheres dos políticos e artistas nacionais. Estão na lista Betty Faria, Christiane Torloni, Gal Costa, Sônia Braga, Bruna Lombardi e o cantor Ney Matogrosso. Ele vivia no eixo Rio-São Paulo, mas tinha clientes importantes em Belo Horizonte, Salvador, Goiânia e Brasília. O grande feito do estilista, no entanto, foi conseguir exportar para a magazine Henri Bendel’s, uma rede de lojas na Quinta Avenida em Nova York. Com esse contato, ele passou a vestir personalidades como Diana Ross, Liza Minelli e Bianca Jagger.

As roupas de Markito foram icônicas da era disco. Quem quiser relembrar — ou conhecer— o trabalho do estilista pode ver a exposição montada no ParkShopping. A curadora da mostra, Mariza de Macedo-Soares, garimpou mais de 40 modelos especiais do estilista. Dentre eles, estão peças da atriz Mila Moreira, das jornalistas Marília Gabriela e Joyce Pascowitch, da promoter Alicinha Cavalcanti, além de nomes da high society paulistana e brasiliense, como Moema Leão, Cleuza Ferreira, Cleucy Oliveira, Noêmia Sabag, Mara Amaral, Margarida Cruvinel, Vandinha Riccioppo, Manu Moraes, entre outras. O cenário foi montado por Theodoro Cochrane, ganhador do Prêmio Shell em 2011 pelo figurino da peça Escuro. Ele dispôs as araras formando uma espécie de passarela. A Revista selecionou algumas das peças da exposição e montou uma pequena amostra do que seria Markito no século 21.

Casaquinho cedido por Marisa Macedo-Soares e Marília Gabriela(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
Casaquinho cedido por Marisa Macedo-Soares e Marília Gabriela (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)

 

Vestido cedido por Joyce Pascowitch(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
Vestido cedido por Joyce Pascowitch (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)

 

Vestido cedido por Marisa Macedo-Soares e Marília Gabriela(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
Vestido cedido por Marisa Macedo-Soares e Marília Gabriela (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)

 

Vestido cedido por Mônica Rezende (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
Vestido cedido por Mônica Rezende (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)

 

Vestido cedido por Bia Duarte(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
Vestido cedido por Bia Duarte (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)

 

O brilho de Markito
Markito (1952-1983) era de uma família tradicional de Uberaba (MG). O pai, que morreu quando ele tinha 11 anos, era proprietário de algumas terras na região. A família esperava que, como filho homem, ele tomasse conta dos negócios. Markito, entretanto, sempre foi mais ligado ao universo da cultura e das artes. Até decidiu cursar engenharia civil para realizar o desejo do pai, mas a sua vida mudou depois de umas férias em Itaparica (BA). Lá, ele aprendeu com os hippies as técnicas de tingimento de tecido, como batik e tie-dye. Foi assim que começou na moda: personalizando camisetas de algodão.

Aos 18 anos, mudou-se para São Paulo. Logo, arrumou um emprego em um ateliê de costura de uma butique. No tempo livre, passou a frequentar as danceterias e rapidamente virou um personagem da noite paulistana. Saiu das boates baratas e passou a frequentar os locais mais caros da noite de São Paulo, convivendo com os paulistanos mais influentes. Em 1974, abriu loja própria no Jardim Paulista.

Depois de uma viagem à França, especializou-se em roupas sob medida feitas com jérsei. A peça acabou virando a sua marca registrada. Quando já era conhecido pelos vestidos exclusivos, criou a marca Markito Brazil, especializada na produção em série para exportação — decisão pioneira no mercado de moda brasileiro, que ainda era dominado pelos grandes costureiros. Ele ainda inovou, criando a marca jovem By Markito, que vendia calças de sarja largas e tops com miçangas.

O sucesso do estilista foi rápido. Ele reinou durante a segunda metade da década de 1970 como o grande nome da moda brasileira. Morreu em 1983, aos 31 anos. Markito foi um dos primeiros casos de morte de Aids no Brasil. O assunto, na época, ainda era um tabu e sua morte foi abordada com preconceito. Ele foi se tratar nos Estados Unidos, mas nunca conseguiu voltar para cá.

Fonte: História da Moda no Brasil — Das influências às autorreferências, de Luís André do Prado e João Baraga

A exposição Marcus Vinícius Resende Gonçalves – Markito acontece no ParkShopping (Primeiro piso, próximo à portaria E). De 20 de setembro a 12 de outubro, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e, aos domingos, das 14h às 20h. Entrada franca.

Produção: Bianca Assunção // Fotos: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press //Sapatos: Studio TMLS // Joias: Talento // Modelo: Andressa Schumann, da Agência Mega Model // Cabelo: Anne Carolina Carvalho e Leide Barbosa, da equipe Helio Diff // Make: Anne Carolina Carvalho, da equipe Helio Diff // Agradecimento: ParkShopping

 

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