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Estado de Minas ESTILO

O efeito Kate

Criticada por alguns estilistas por não ousar e elogiada por parte da imprensa especializada justamente por trazer o clássico de volta para a moda, a duquesa de Cambridge deixou Londres novamente no topo do mundo fashion


postado em 07/10/2011 15:17 / atualizado em 07/10/2011 19:19

(foto: Paul Hackett/Reuters)
(foto: Paul Hackett/Reuters)
Desde que o Príncipe William e a então plebeia Kate Middleton anunciaram o noivado, o mundo ficou obcecado com a futura princesa. Os detalhes do casamento, a roupa que ela usava e a maneira como se comportava viraram manchete dos tabloides e revistas de fofoca de todos os países. Quase seis meses após o casamento, a curiosidade em volta da duquesa de Cambridge ficou ainda maior. Principalmente no universo da moda. Se no início o seu estilo era unânime, depois do matrimônio as opiniões divergiram. Começou-se a questionar até que ponto as roupas comuns, minimalistas e, muitas vezes, sem marca de Kate seriam capaz de influenciar o mercado de moda e as passarelas.

Kate é acusada por estilistas de ser sem graça, repetir muita roupa e optar por marcas mais acessíveis, além de não servir, para as meninas jovens, como um exemplo de ousadia. “Me parece que a imagem dela é de ‘mulher comum’. Portanto, uma compradora de high street fashion. Eu acho que ela deveria ser uma mulher extraordinária, independentemente do lugar em que compra roupas”, analisou a irreverente estilista inglesa Vivianne Westwood ao jornal inglês Telegraph. Para ela, as escolhas da princesa deveriam ser mais vanguardistas para dar um ar moderno à tradicional família real britânica e firmar um novo estilo de mulher bem-sucedida.

Os defensores de Kate alegam que ela ocupa uma posição que exige protocolo. Parte do cargo é aparecer em eventos sociais, ficar em pé muitas horas, sorrir e falar com os súditos. Tudo sob os olhares atentos de inúmeros jornalistas. Essa exposição excessiva lhe exige uma postura e, principalmente, um código de vestimenta — adequado e confortável. “As pessoas tem que entender que ela não é uma artista, ela tem uma cargo em que lhe é exigido seriedade”, explica a professora de moda da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron. “Os estilistas têm uma limitação com esse estilo. Porque agora eles vão ter que usar a criatividade de uma forma diferente e não mais fazer peças muito ousadas e escandalosas”, conclui a especialista.

Independentemente da vontade dos grandes nomes da moda, o sucesso do estilo de Kate é um fato. O casamento real em abril deste ano fez a moda inglesa voltar ao topo do mundo. Londres foi considerada a capital fashion em 2011, superando Nova York, que estava há oito anos no topo da lista. Isso tudo por conta da obsessão dos blogs e das revistas de moda com o estilo dela. “Ainda tem aquela velha história do conto de fadas. As mulheres não podem ter o mesmo estilo de vida que ela, mas podem pelo menos comprar a mesma roupa que ela usa. Isso faz com que a especulação sobre o que ela usa e onde ela compra seja intensa”, analisa Andréia Miron.

Por isso, tudo que a princesa usa, vende. Seja a peça igual nas butiques que ela faz compras (veja quadro) ou a cópia da roupa. Os vestidos envelope, os blazeres estruturados, os casacos longos, as saias na altura do joelho, as peças estilo marinheiro e os sapatos com bico redondo. “Não tem nada de vulgar nela. Ela se veste conforme a sua idade e nunca está inadequada”, defendeu, no The New York Times, a editora da Vogue americana, Anna Wintour, fã assumida da princesa. Essas peças bem cortadas acabaram virando a característica principal do guarda-roupa de Kate. Trazendo de volta a elegância para o dia a dia das mulheres jovens.

Alta-costura da fast-fashion
As high street fashion são marcas que vendem roupas em série com qualidade melhor que as fast-fashion. Os preços são mais acessíveis que os das grandes grifes e um pouco maiores que os das redes mais populares.

Londres em alta
A pesquisa foi feita pela Global Language Monitor, que monitorou os sites de busca do mundo inteiro. A maioria das pesquisas feitas sobre moda eram lincadas com o nome de Kate Middleton e Alexander McQueen — o ateliê do estilista, morto em 2010, foi o responsável pela criação do vestido de noiva da duquesa. Londres pulou de terceiro lugar, em 2010, para primeiro, este ano.

Campeã de vendas
Se Kate Middleton usa, vira moda. Marcas como Issa e Reiss acabaram se firmando no mercado por causa da princesa. Segue os modelos mais icônicos usados por ela.

(foto: Ben Stansall/AFP; Paul Ellis/AFP; Mario Testino/AFP e Toby Melville/Reuters)
(foto: Ben Stansall/AFP; Paul Ellis/AFP; Mario Testino/AFP e Toby Melville/Reuters)

Elegância clássica
Depois de uma década inteira de estilistas desenhando coleções com calças rasgadas, jaquetas de couro e acessórios com tachas, e as fashionistas usando sobreposições de tecidos, cores e estampas sem necessariamente combinar, Kate mudou essa história. Finalmente, surgiu um ícone de estilo que prima pela roupas clássicas. “A última grande referência de elegância foi lady Diana, a sogra de Kate. Nesse meio tempo, nasceu uma geração inteira sem saber como ser jovem e elegante. Kate supriu essa lacuna”, analisa Andréia Miron, professora de moda da Faculdade Santa Marcelina.

A princesa trouxe de volta às mulheres a vontade de se arrumar e estar bonitas, sem muita sobreposições e adornos. A atriz Anne Hathaway em entrevista ao USA Today disse: “Ela é uma defensora do estilo lady like. Nos últimos anos, Hollywood adotou o estilo meio sujo — cabelo desfiado e roupas tipo mendigo. Eu tentei. Mas não era para mim, sempre ficava meio gordinha. Sou muito agradecida a Kate Middleton por fazer o estilo ‘apropriado’ divertido novamente. Agora, todas as minhas escolhas fashion são inspiradas em Kate Middleton”.

Kate faz parte de um movimento — repetido há duas ou três temporadas — que preza pela roupas bem cortadas, estilo minimalista, tecidos de qualidade e um consumo consciente. Mas que, por conta da exposição de Kate, ganhou mais adeptos nessa temporada. No desfile Tommy Hilfiger, apareceram tecidos tipicamente ingleses, deixando de lado um pouco o seu tradicional estilo preppy. Até havia modelos com o sapato combinando com a bolsa em homenagem à rainha. “Mau gosto não é mais tendência”, anunciou em seu blog, na semana passada, a editora da Vogue Italiana Franca Sozzani.

Lançadora de tendências
Pode até ser que Kate não tenha intenção de criar tendências. Mas com as câmeras sempre em cima dela, acaba sendo inevitável. Confira as principais peças usadas pela duquesa.

(foto: Dylan Martinez/Reuters e Matt Baron/Reuters)
(foto: Dylan Martinez/Reuters e Matt Baron/Reuters)
 

- Eu já vi isso antes: uma das principais características do guarda-roupa da princesa é o fato de repetir roupas. Peças usadas anos atrás e até semanas antes. “Isso é a prova que ela está confortável com o guarda-roupa dela”, analisa Andréia Miron.
- Cordas e cordas: designers de sapatos vêm colocados as alpargatas de salto — ou espadriles — em suas coleções há algumas temporadas. Mas foi só Kate aparecer com um modelo no dia antes e no dia depois do casamento que a peça virou uma febre.
- Da cor da pele: os sapatos nude é umas das principais peças da coleção do Christian Louboutin, mas foi Kate quem popularizou o modelo. No casamento de Zara, prima do príncipe William, quase todas as convidadas estavam com a peça. Inclusive Kate.
- Meias para que te quero: Kate é bastante criticada por adotar meias cor-de-pele. Ninguém sabe se ela usa para ficar com a perna no lugar ou se simplesmente gosta da combinação. Mas o mundo fashion está em desespero que a peça acabe virando tendência.

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