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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Emagreça suas contas

A saúde financeira rima com o bem-estar do corpo. É o que garante a a educadora financeira Eliana Bussinger


postado em 07/10/2011 17:35 / atualizado em 07/10/2011 19:20

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A.Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A.Press)

“Gosto de ler sobre saúde e tenho facilidade para engordar, logo associei as situações pelas quais passamos com a comida àquelas que experimentamos com o dinheiro. Se não contamos as calorias, por exemplo, perdemos o controle da nossa alimentação e engordamos. Com o dinheiro acontece a mesma coisa. Se nos descuidamos, pagamos a conta a juros exorbitantes. A tirania do futuro é uma coisa a qual, tanto para a saúde quanto para as finanças, devemos estar atentos. É preciso prevenir algumas situações porque, lá na frente, os excessos serão cobrados”, disse a autora à Revista.

Eliana também defende um ponto de vista que deve torcer o nariz de muitos marmanjos: as mulheres precisam sim de mais dinheiro do que os homens. De acordo com a educadora, basta observar: elas têm carteira, bolsa, fazem a unha, o cabelo… “Seu marido não vai entender por que você precisa de um conjunto de colar e brinco ou por que precisa aplicar ácido retinoico no rosto. É muito complicado explicar para eles essas coisas. Além disso, se olharmos para o futuro, vivemos mais do que eles e, por isso mesmo, precisamos cuidar bem do nosso patrimônio”, explica.

Ao longo de 20 capítulos, amparados por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de diversas pesquisas, o livro mostra como o fato de a mulher ainda receber um salário inferior ao do homem está longe de ser página virada. Segundo a autora, enquanto essa discrepância não se extinguir mundialmente — “acredito que deve levar, mais ou menos, quatro séculos”, prevê a educadora financeira —, ensinar as mulheres a controlar o desejo de gastar aos tubos seria a solução.

Principalmente quando se trata de uma relação historicamente nova. “É complicado falar de dinheiro com a mulher porque há um descompasso histórico entre elas e os homens. A mulher ainda está aprendendo a ganhar dinheiro porque há poucas décadas começou a fazer parte do mercado de trabalho. Por essas e por outras razões, achei que tinha que falar sobre isso de uma maneira interessante e associei o conteúdo do livro a coisas que interessam às mulheres”, antecipa.
Na obra, Eliana mostra-se atenta à compreensão dos leitores ao derrubar fronteiras entre saúde e finanças e misturar “alhos com bugalhos” de forma balanceada. Ao longo das páginas, ela compara calorias com dívidas, dieta com gastos e pirâmide de alimentação com pirâmide de investimentos. “No fim, a equação não é de outro mundo: se você come mais do que pode, engorda. Se gasta mais do que pode, endivida-se.” Simples assim.

Dicas do livro A dieta do bolso

(foto: Luciana Whitaker/Divulgação)
(foto: Luciana Whitaker/Divulgação)
Comer e gastar é só começar
Similar ao ditado popular “trair e coçar é só começar”, comer e gastar também se tornaram hábitos difíceis de se livrar. Substituir hábitos ruins por bons é o grande truque. Se ao chegar do trabalho, você for direto para o banheiro e lavar as mãos em vez de petiscar algo na geladeira, vai ver que a vontade de sair do regime ficará em segundo plano. Da mesma forma que se você deixar de tomar um cafezinho na padaria da esquina sempre que for ao trabalho, deverá economizar dois reais por dia. Basta mudar o trajeto. Outro exemplo: se você costuma ir ao shopping assim que sai o pagamento, ligue antes para sua gerente e pergunte sobre as taxas de juros do fundo de investimento de renda fixa ou entre em contato com a corretora e saiba como estão as ações da sua empresa favorita.

O que os olhos não vêem…
Nem o estômago nem o bolso sentem. Livre-se dos biscoitos, das comidas embaladas, dos potes de ketchup e de maionese, das comidas cheias de gordura trans. Vá até a feira e compre produtos frescos e de sua carteira tire os cartões de crédito e os cheques. Compre apenas com dinheiro! Crie esses novos hábitos, que seu bolso agradece. Agora, se você não fizer nada, a situação vai ficar exatamente do mesmo jeito, ou seja, corroendo seu estômago, sua alma, seus relacionamentos e seu bolso!

Ação e reação
Não há como manter o hábito de comer além da conta e emagrecer, como também é impossível gastar além da conta e poupar ao mesmo tempo. É uma estupidez achar que você pode comer o que quiser, desde que lhe apeteça, comprar o quanto quiser, desde que lhe agrade, investir displicentemente, desde que lhe convenha, sem nunca pagar um preço por tudo isso. Aguarde! Um dia, a conta virá. Ou é você quem paga, ou pagam seus filhos ou o planeta.

Nem tanto, nem tão pouco
A maioria das dietas de emagrecimento sugere a ingestão de 800 a 1500kcal. Ora, se a pessoa precisa de mais de 2000kcal diárias (em média), cortar 50% do que essa pessoa ingere não vai dar certo. É restrição demais. Por isso, uma redução de 10% ao longo do tempo parece ser algo muito mais inteligente e suportável. Consuma 200 calorias a menos por dia e — voilá — dez quilos a menos no ano! Curiosamente, essa é a mesma recomendação que os profissionais de finanças fazem para as pessoas economizarem. Ou seja, 10% de suas receitas mensais brutas podem ser reservadas para o futuro. É o que chamamos de “pague a si mesmo”. Quer dizer, já que você troca seu tempo por dinheiro, por salário, nada mais justo que parte disso — os 10% — seja pago a você mesmo.

Exercite-se para sair das dívidas
A prática de exercícios físicos promove a qualidade de vida e a manutenção da força física. Além disso, há ganhos variados. Aposto que você não imaginava que ir à academia poderia livrá-lo de dívidas ou, ao menos, permitir que você não contraia novas dívidas. Podemos usar a fase da TPM como exemplo. Segundo especialistas, a variação de progesterona e estrogênio nesse período traz à tona — em função da variação de serotonina — significativos momentos de depressão. Em vez de apelar para uma barra de chocolate ou sair às compras por impulso, que tal fazer uma atividade física? Assim, em momentos de crise, no lugar de pegar o cartão de crédito e ir ao shopping na hora do almoço, procure pelos hormônios do prazer nas academias de ginástica. Mesmo sendo caras, as mensalidades das academias ainda serão mais baratas do que atrasar o pagamento de um cartão de crédito e ter de pagar juros.

 

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