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Com a palavra uma "ex-gordinha"

Para Siluandra Scheffer, emagrecer 30kg significou a superação da moça "pobre e feia" que virou miss. A seguir, ela conta como mudou os hábitos de vida e transformou o corpo. Em forma há mais de seis anos, é autora de Diário de uma ex-gordinha, e mantém um site

postado em 14/10/2011 10:45
Para Siluandra Scheffer, emagrecer 30kg significou a superação da moça "Quando eu estava bem gordinha, me isolei, doía muito não ser como as outras garotas. Meu problema era imenso e quanto mais me criticavam mais eu engordava. Comia escondido, se não tinha doce em casa atacava o açúcar. Depois me sentia culpada e chorava. Não era eu quem escolhia as roupas, eram elas que me escolhiam.

Comecei a ganhar peso de verdade quando comecei a trabalhar em uma loja de balas importadas. Nunca tive acesso a doces em casa e até os 14 anos não havia frequentado restaurantes. Então, aquele mundo fast food era incrível. Minha mãe é supermagra, então o tal tabu "se comer muito engorda" não era algo que discutíamos em casa. Acho que, nessa época, com 15 anos, nem sabia o que era engordar.

As coisas só pioraram. Meu café da manhã era no mínimo três fatias de pão, cheios de margarina ou melado. O almoço era qualquer coisa: cachorro-quente, quentinha "tipo pedreiro" e, quando não dava para comprar comida, almoçava balas. No intervalo da escola, comia pipoca, biscoito recheado. O jantar era o que tinha em casa: arroz, feijão ou massa.

Eu era chacota para as outras pessoas. Estava tudo errado! Era gordinha, meus dentes eram tortos, falava o português errado, não tinha qualquer tipo de apoio e sofrer era tão normal que, quando acontecia algo bom, achava que em seguida viria alguma coisa ruim. Eu era triste e muito infeliz.

Até que, aos 17 anos, decidi emagrecer. Fui demitida de uma loja de roupas. Na ocasião, a gerente falou que "ser vendedora é ser vitrine de loja e eu não servia como vitrine de nada". Cheguei em casa chorando e jurei que iria perder peso. Usei o dinheiro seguro desemprego e fazia faxina para pagar a academia, que custava R$ 35. Tinha que ajudar em casa, então, se não dava para pagar, fazia um mês a academia e no outro caminhava pelo bairro. Fazia tudo que eu podia de bicicleta, ia de um município a outro pedalando.

Durante esse processo, o mais difícil foi mudar a minha cabeça, a tal "síndrome da cabeça gorda". Eu era muito ansiosa. Algumas vezes, chorava de fome. Tive crise existencial, logo que emagreci 8kg. Me olhava no espelho e não me reconhecia, mas existia algo dentro de mim que era muito forte e dizia para não desistir. Levei quase quatro anos para emagrecer 19kg e depois, de 2004 a 2005, mais 11kg. Cheguei a pesar por volta dos 80kg e, em 2005, estava com 49kg.

Hoje, estou com 59kg. Faço duas horas de academia, geralmente spinning e musculação. Não faço mais dietas, pois aprendi a me alimentar direito e sentar-me à mesa levando a consciência, sempre sem dúvidas ou sofrimento. Faço escolhas saudáveis e só deixo para comer alguma besteirinha um dia da semana. Cortei refrigerantes, bebo muita água. Hoje sei a diferença entre comer e se alimentar. Estou plena e muito feliz com meu corpo. Me sinto segura e quero ajudar outras pessoas a encontrarem a verdadeira beleza, que vem de dentro para fora."

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